
Responsabilidade sancionadora da pessoa jurídica
critérios para aferição da sua ação e culpabilidade no direito administrativo sancionadorBy Gustavo Costa FerreiraLength12h 17m
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A punição às pessoas jurídicas pelas infrações a elas imputáveis é questão circundada por grande controvérsia. Por um lado, há aqueles que defendem ser impossível a punição dos entes coletivos (societas delinquere non potest), por não terem eles alma hábil a ser culpada, corpo para ser punido, tampouco mãos para agir. Por outro lado, há os que defendem a possibilidade de punição sem, no entanto, esclarecer quais critérios de imputação devem ser utilizados nessa tarefa. Como objetivo geral desta obra, demonstra-se que os critérios de responsabilização das pessoas jurídicas no Direito Administrativo Sancionador brasileiro possuem contornos próprios, semelhantes àqueles existentes no Direito Penal, que não se confundem com os critérios de responsabilização no Direito Civil, no Direito do Consumidor e no próprio Direito Administrativo em relação às obrigações de indenizar. Tais critérios são balizados, sobretudo, pelas garantias da tipicidade e culpabilidade. Ainda, pontua-se que o constituinte brasileiro previu a possibilidade de imposição de punições às pessoas jurídicas em duas ocasiões (art. 175, §3º e art. 225, §3º, CRFB), de modo que, no ordenamento jurídico nacional, incumbem aos estudiosos apenas estudar "como" isso pode ser levado a efeito. Ao final, chega-se à conclusão de que a responsabilização das pessoas jurídicas no Direito Administrativo Sancionador brasileiro deve dar-se a partir de critérios próprios de imputação, diferente daqueles existentes na responsabilização civil e idênticos àqueles cogitados na responsabilização penal das pessoas jurídicas, o que perpassa, necessariamente, pela construção de conceitos de ação e culpabilidade adequados aos entes coletivos, que são apresentados ao final do livro.
Audiobook details
GenrePolitics and Government
Length12 hrs 17 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateJan 27, 2021
LanguagePortuguese
Table of contents
1Introduction
442.3 A garantia do ne bis in idem
2INTRODUÇÃO
452.3.1 Critérios para identificação de um bis in idem no caso concreto
31. DIREITO ADMINISTRATIVO SANCIONADOR
462.3.1.1 Identidade de sujeitos
41.1 Considerações iniciais
472.3.1.2 Identidade de fatos
51.2 Passado, presente e futuro do Direito Administrativo
482.3.1.3 Identidade de fundamentos
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61.3 Breve historiografia do Direito Administrativo Sancionador
492.3.2 Critérios de equacionamento do problema do bis in idem
71.3.1 França
502.4 Culpabilidade e seus consectários
81.3.2 Itália
512.4.1 Responsabilidade pelo fato próprio
91.3.3 Alemanha
522.4.2 Pessoalidade ou intranscendência da sanção administrativa
101.3.4 Espanha
532.4.3 Responsabilização subjetiva ou vedação à responsabilização objetiva
111.3.5 Tribunal Europeu de Direitos Humanos
542.4.4 Evitabilidade da conduta típica
121.3.6 Brasil: 1.3.6.1 Conclusões extraíveis da breve historiografia da legislação sancionadora brasileira
552.5 CAUSAS EXCLUDENTES DA RESPONSABILIDADE SANCIONADORA: 2.5.1 Erros passíveis de exclusão ou mitigação da culpabilidade
131.4 Mapeamento genético do Direito Administrativo Sancionador e sua autonomia como disciplina administrativa
562.6 Conclusões parciais do capítulo
141.5 Ilícitos e sanções administrativos
573. CRITÉRIOS DE RESPONSABILIZAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA NO DIREITO ADMINISTRATIVO SANCIONADOR
151.5.1 Introdução necessária
583.1 Considerações iniciais
161.5.2 Qual o critério diferenciador entre as infrações administrativas e penais? Qual o critério para estremar sanções administrativas das penais?
593.2 Infracionalidade de empresa e fundamentos da responsabilização sancionadora das pessoas jurídicas
171.5.2.1 Critério qualitativo
603.3 Regimes disponíveis de endereçamento da INFRACIONALIDADE de empresa, identidades e diferenças entre eles
181.5.2.2 Critério quantitativo
613.3.1 Existem diferencias substanciais entre responsabilização civil e responsabilização sancionadora
191.5.2.3 Critério formal e o critério dogmático
623.3.2 Não existem diferenças substanciais entre a responsabilização administrativa sancionadora ou criminal da pessoa jurídica
201.5.3 Qual seria, então, o conceito de ilícito e sanção administrativos?
633.4 Dificuldades e problemas centrais inerentes à responsabilização sancionadora das pessoas jurídicas
211.5.4 Outras medidas gravosas impostas aos particulares pela Administração Pública que não têm conteúdo sancionatório
643.5 Teorias de responsabilização sancionadora da pessoa jurídica no âmbito do Direito Sancionador
221.5.4.1 Medidas ressarcitórias
653.5.1 Classificação didática das teorias
231.5.4.2 Medidas de revogação e anulação de atos administrativos
663.5.2 Teoria da irreponsabilidade penal das pessoas jurídicas
241.5.4.3 Medidas de polícia
673.5.3 Teorias Atributivas ou de heterorresponsabilidade ou atomísticas
251.5.4.4 Medidas coercitivas
683.5.3.1 Respondeat superior doctrine
261.5.4.5 Medidas rescisórias
693.5.3.2 Teoria da identificação ou do Alter ego
271.5.5 Estrutura das hipóteses normativas sancionadoras
703.5.3.3 Teoria do conhecimento coletivo (collective knowledge doctrine) ou teoria da agregação (aggregation doctrine)
281.5.6 Conteúdo das sanções administrativas
713.5.3.4 Teorias por responsabilidade própria ou de autorresponsabilidade ou holísticas
291.6 Direito Administrativo Sancionador e Direito Penal Econômico: administrativização de crimes e criminalização de ilícitos administrativos
723.5.4.1 Culpabilidade por defeito de organização
301.7 É possível falar-se em um Direito Administrativo Sancionador brasileiro?
733.5.4.2 Modelo Construtivista de autorresponsabilidade
311.8 Conclusões parciais do capítulo
743.5.4.3 Domínio da organização
322. GARANTIAS DA LEGALIDADE, NE BIS IN IDEM E CULPABILIDADE NO DIREITO ADMINISTRATIVO SANCIONADOR
753.5.4.4 Política e cultura corporativa ou Corporate ethos doctrine
332.1 Considerações iniciais
763.5.4.5 Abordagem inferencial (Inferential Approach)
342.2 Legalidade
773.5.4.6 Capacidade infratora
352.2.1 Legalidade no Direito Administrativo Sancionador
783.5.5 Uma terceira via: as consequências acessórias
362.2.2 Tipicidade
793.5.6 O Recurso Extraordinário n. 548.181 do STF e a derrocada da teoria da dupla imputação ou da coautoria necessária, anteriormente, prestigiada pelo STJ
372.2.2.1 Lex certa
803.6 critérios de responsabilização sancionadora das pessoas jurídicas no ordenamento jurídico brasileiro
382.2.2.2 Void for vagueness doctrine e overbreadth doctrine
813.6.1 A ação das pessoas jurídicas
392.2.2.3 Lex stricta
823.6.2 A culpabilidade das pessoas jurídicas
402.2.2.4 Lex scripta
833.6.3 Sobre a inconstitucionalidade da responsabilização sancionadora objetiva das pessoas jurídicas
412.2.2.5 Lex praevia
843.7 Conclusões parciais do capítulo
422.2.3 Retroatividade favorável
85CONCLUSÃO
432.2.4 Estudo comparado. A legalidade, tipicidade, irretroatividade e retroatividade benigna na seara administrativa sancionadora segundo o Direito Positivo alemão, português e espanhol