
O Intersubjetivismo na Construção de Sentido das Normas Jurídicas
By André Trapani Costa PossignoloLength5h 8m
About this audiobook
A decisão judicial nunca esteve tão em evidência quanto nesse atual modelo de constitucionalismo, pois, quando interpreta a Constituição e as leis, o juiz influencia não apenas a vida das partes, mas, a sociedade como um todo. Por isso a importância de refletir sobre a decisão judicial, em especial sobre o interpretar do texto normativo que, de fato, cria o sentido das normas jurídicas. Pensando nisso, esse livro se ocupa com a forma como o juiz alcança o sentido do texto normativo, ou seja, como chega à própria norma jurídica. Compreende-se que existem três formas básicas de se fundamentar uma decisão judicial: (1) objetivamente, de modo que a função do juiz é desvendar a resposta correta que deve ser aplicada ao caso concreto e a qual, dentro daquelas circunstâncias, qualquer juiz deveria chegar; (2) subjetivamente, de modo que a função do juiz é utilizar seus próprios conhecimentos e conceitos para construir a resposta ao caso, imprimindo na decisão suas percepções pessoais da norma jurídica; e (3) intersubjetivamente, de modo que a função do juiz é construir a decisão por meio de diálogo com outros conhecimentos sobre a norma jurídica para extrair uma concepção que não é a sua pessoal, mas também que não é um sentido já existente de forma objetiva no texto, cabendo ao juiz apenas descobri-lo. Dentro disso, o texto procede um estudo tanto a partir do que autores da teoria do direito já produziram sobre a decisão, quanto das discussões existentes na epistemologia, sobre as formas de se conhecer o mundo. Apesar da facilidade em demonstrar os problemas do objetivismo e do subjetivismo, amplamente presentes na discussão da teoria do direito, foi possível, contudo, perceber que a própria construção intersubjetiva do sentido das normas jurídicas apresenta obstáculos, alguns insuperáveis, pois a própria subjetividade não pode e a objetividade não deve ser totalmente abandonadas. O fato de a discussão não permitir colocar qualquer uma das três categorias, objetiva, subjetiva e intersubjetiva, como a ideal é, talvez, o grande mérito do trabalho, pois a partir do conhecimento dessa impossibilidade e seus motivos, ficam claros quais são os problemas que devem ser enfrentados na construção de uma teoria da decisão judicial.
Audiobook details
GenrePolitics and Government
Length5 hrs 8 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateMar 15, 2021
LanguagePortuguese
Table of contents
1Introduction
2APRESENTAÇÃO
3INTRODUÇÃO
41. O CONFLITO ENTRE TEORIAS OBJETIVAS E SUBJETIVAS
51.1 DO SUBJETIVISMO DO PLURALISMO JURÍDICO MEDIEVAL AO OBJETIVISMO DA ESCOLA DA EXEGESE
Show all chaptersShow less
61.2 A RUPTURA COM O OBJETIVISMO JUSPOSITIVISTA PELO SUBJETIVISMO EM HANS KELSEN
71.3 O SUBJETIVISMO PRESENTE NO PRAGMATICISMO DO REALISMO JURÍDICO ESTADUNIDENSE
81.4 AS CRÍTICAS DE RONALD DWORKIN AO SUBJETIVISMO DO PODER DISCRICIONÁRIO EM HERBERT HART
91.5 CONCLUSÃO DA SEÇÃO
102. O INTERSUBJETIVISMO COMO SUPERAÇÃO DOS MODELOS OBJETIVISTAS E SUBJETIVISTAS
112.1 ENTRE A IMPOSSIBILIDADE DA ERRADICAÇÃO DE UM MÍNIMO SUBJETIVO E A NECESSIDADE DE UM LASTRO OBJETIVO
122.2 O INTERSUBJETIVISMO COMO TERCEIRA VIA
132.3 CONCLUSÃO DA SEÇÃO
143. ESPAÇOS PARA INTERSUBJETIVIDADE NA DECISÃO JUDICIAL
153.1 OS LIMITES DA INTERSUBJETIVIDADE
163.2 O ESPAÇOS DE INTERSUBJETIVIDADE DA DECISÃO JUDICIAL NO ATUAL CONTEXTO CONSTITUCIONAL
173.3 CONCLUSÃO DA SEÇÃO
18CONSIDERAÇÕES FINAIS