
A Volta Redonda
burocratas e médicos na formação das políticas de saúde no Brasil (1963-2004)By João Alberto TomacheskiLength15h 33m
About this audiobook
As políticas públicas do setor saúde no Brasil entre 1963 e 2004, se consideradas somente no seu aspecto legal, seguiram o caminho da incorporação crescente de parcelas cada vez maiores da população, até a universalização do direito à saúde, na segunda metade da década de 80, com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS). Entretanto, apesar de todas essas transformações legais, as políticas de saúde, se consideradas na sua dinâmica social, mantêm um padrão no qual as divisões sociais determinam o acesso à assistência a saúde. As modificações constitucionais ao longo do período não foram suficientes para modificar o caráter fragmentário e residual da ação estatal no setor saúde. Nesse período, dois grupos de interesse permanecem como os principais mediadores da política no setor: a burocracia de Estado e os médicos. A burocracia devido a sua posição estratégica dentro do Estado. Os médicos, devido a sua posição estratégica dentro da organização do setor saúde. Serão a burocracia previdenciária e a burocracia da saúde as duas forças por trás das duas principais reformas do setor: a unificação da Previdência, em 1967, e a chamada "reforma sanitária", que resultou no capítulo da saúde na Constituição Federal de 1988 e com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS). Entretanto, essa capacidade de produzir inovações legislativas ficou restrita à arena propriamente estatal, sem afetar a dinâmica social. No caso dos médicos, a profissão conseguiu preservar sua autonomia financeira e técnica frente à expansão do Estado no setor saúde. Como o estudo de caso canadense parece mostrar, não existe um antagonismo entre a "prática liberal" e a expansão do Estado no setor saúde, desde que essa expansão seja mantida por um teto financeiro e permita a atuação do profissional tanto no setor público quanto no privado. Isso foi preservado no caso do Brasil. Mas, ao preservar essa inserção liberal do médico, se preserva as condições de expansão do setor, sem resolver o problema de acesso. Conclui-se que a distância entre o modelo universalista e a dinâmica social residual das políticas de saúde no período são resultado das disputas entre os grupos sociais para manter sua posição dentro do setor e/ou sua na participação na distribuição dos bens de saúde.
Audiobook details
GenreHealth and Wellness
Length15 hrs 33 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateSep 17, 2020
LanguagePortuguese
Table of contents
1Introduction
2INTRODUÇÃO
3A explicação econômica
4O papel dos médicos nas políticas de saúde no Brasil
5Proposta de trabalho
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6Organização dos capítulos
7Metodologia e fontes utilizadas
8PARTE I: A BUROCRACIA MÉDICA E AS POLÍTICAS DE SAÚDE
91. POLÍTICAS PÚBLICAS E PODER SETORIAL
101.1 - Políticas públicas e padrões de intervenção do Estado: as explicações culturalista e (neo) institucionalista
111.1.1 - A cultura (política) como uma explicação
121.1.2 - As instituições (políticas) como explicação
131.2 - Uma crítica às explicações culturalista e (neo) institucionalista
141.2.1 - Burocracia e seu papel político
151.2.2 - A cultura política e a opinião pública no processo de constituição de uma política
161.2.3 - Estruturas políticas e intermediação de interesses: o papel do Parlamento na constituição das políticas de saúde
171.2.4 - Canadá: o papel do Estado e a opinião pública na constituição das políticas do setor saúde
181.2.5 - Além (ou antes) do Parlamento
191.3 - As políticas públicas e o papel dos agentes setoriais
201.3.1 - Os médicos como mediadores das políticas de saúde
211.3.2 - Campo ou setor? Profissão ou habitus?
221.3.3 - A importância da fase de implementação
231.4 - Retrospecto comparativo do papel do Parlamento
241.5 - A profissão médica e a mediação das políticas de saúde
251.5.1 - A profissão médica e sua construção histórica
261.5.2 - O “nascimento” da profissão médica nos Estados Unidos: o caso paradigmático
272. AS POLÍTICAS DE SAÚDE EAS REFORMAS DO SETOR
282.1 - Política previdenciária: a inserção diferenciada das classes dominadas
292.2 - As formas de proteção social anteriores à reforma de 67
302.2.1 - A República Velha e a Lei Eloy Chaves
312.2.2 - O Regime de Vargas e as propostas de mudanças
322.2.3 - As duas “burocracias” dos Institutos da Previdência e as disputas em torno das reformas
332.3 - O regime militar e a reforma da Previdência de 1967: 2.3.1 - As consequências da unificação da Previdência: expansão da cobertura e manutenção do sistema segmentado de assistência
342.4 - A Burocracia da saúde e suas propostas
352.4.1 - A importância da III Conferência Nacional de Saúde
362.4.2 - Os defensores da estatização e suas propostas
372.4.3 - As condições institucionais de fortalecimento das propostas sanitaristas nos anos 70
382.5 - Burocracia, disputas de referenciais e inovação setorial
393. A “REFORMA SANITÁRIA”: UMA REFORMA EM NOME DE UMA “CLASSE AUSENTE”
403.1 - As reformas de dentro da Previdência: PREV-SAÚDE, CONASP, AIS e SUDS
413.2 - Os dilemas da Reforma Sanitária: “reforma por cima” ou “por baixo”; ser ou não ser governo
423.2.1 - Duas burocracias e duas visões de saúde
433.2.2 - A VIII Conferência Nacional de Saúde: o povo como “árbitro” das disputas?
443.3 - As disputas na Constituinte e no Parlamento
453.3.1 - A Assembleia Constituinte, a nova Constituição e a Lei Orgânica da Saúde
463.3.2 - A Lei Orgânica da Saúde
473.4 - Uma avaliação do processo constituinte: a burocracia como arena e ator do processo reformista
483.4.1 - A reforma “por cima” e seus limites
493.4.2 - E a “classe ausente”, se faz presente?
503.4.3 - “Asco Social” e as reformas “para baixo”