
Vidas Encerradas
A Desconstrução da Arquitetura Penitenciária BrasileiraBy Guilherme Lopes BarbosaLength10h 37m
About this audiobook
O estudo da punição e de suas formas nos remete às mais antigas civilizações humanas, nas quais o aprisionamento, em regra, sempre marcou presença, malgrado orientado para diferentes fins específicos, historicamente. O surgimento da chamada "prisão moderna", a preponderância de seu uso sistemático como forma de punir e o desenvolvimento de suas arquiteturas, contudo, estão intimamente atrelados ao estabelecimento do modo de produção capitalista e às demandas oriundas de seus específicos estágios. No Brasil, muito embora não se possa desconsiderar a peculiaridade das condições, como o vasto período colonial escravista e a tardia industrialização, é possível estabelecer um claro paralelo entre o início da aplicação soberana e sistemática da punição prisional e a formação do modo de produção capitalista, ainda que com uma breve intersecção com o modo de produção escravista. Ainda, a análise da evolução histórica das edificações prisionais brasileiras é capaz de revelar a existência de uma relação determinada, embora não determinante, entre as demandas geradas pelo capitalismo, em um dado estágio particular, e as respostas arquitetônicas impressas nestas edificações. O objetivo da presente obra é, portanto, desconstruir a arquitetura penitenciária brasileira para desnudar, por meio de uma análise criminológica-crítica, os reais interesses atendidos pela aplicação sistemática da pena de prisão no Brasil, bem como sua estreita relação com os estágios do modo de produção capitalista vigente, para além de quaisquer discursos oficiais.
Audiobook details
GenrePsychology
Length10 hrs 37 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateApr 30, 2021
LanguagePortuguese
Table of contents
1Introduction
2PREFÁCIO
31 INTRODUÇÃO
42. FORMA PUNITIVA CAPITALISTA E SUAS ARQUITETURAS
52.1 FORMAS PUNITIVAS PRÉ-CAPITALISTAS: A PRISÃO NÃO-PRISÃO
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62.1.1 Antiguidade
72.1.2 Idade Média
82.1.3 Crise do feudalismo, mercantilismo e surgimento do capitalismo
92.2 DA NÃO-PRISÃO À MÁQUINA DE ENCERRAR VIDAS
102.2.1 As casas de correção
112.2.2 As prisões nos séculos XVII e XVIII e o nascimento da arquitetura prisional
122.2.3 A consolidação do movimento de reforma e da arquitetura prisional
132.2.4 Demandas capitalistas, sistemas prisionais e as prisões no século XIX
142.2.5 Modelos arquitetônicos e as prisões nos séculos XX e XXI
153. ARQUITETURA PENITENCIÁRIA BRASILEIRA
163.1 FORMAS PUNITIVAS PRÉ-CAPITALISTAS NO BRASIL
173.1.1 As Casas de Câmara e Cadeia
183.1.2 O Aljube, o Calabouço e as ilhas
193.1.3 O Código Criminal de 1830 e o surgimento das casas de correção brasileiras: reforma prisional?
203.2 CAPITALISMO E FORMA PUNITIVA PRISIONAL NO BRASIL
213.2.1 A República e a consolidação da prisão como forma punitiva
223.2.2 As penitenciárias brasileiras atuais e suas arquiteturas
233.2.3 A mutilação das edificações penitenciárias brasileiras: menos é mais?
244. POSSIBILIDADES ARQUITETÔNICAS PENITENCIÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
254.1 EXPECTATIVA NORMATIVA E REALIDADE PRISIONAL BRASILEIRA
264.1.1 Dispositivos internacionais sobre as condições prisionais e suas constantes violações no Brasil
274.1.2 A Lei de Execução Penal e o estado de coisas inconstitucional
284.1.3 A Resolução nº 09/11 do CNPCP e sua flexibilização
294.2 O PAPEL DA ARQUITETURA NA REDUÇÃO DE DESUMANIDADES DO SISTEMA PRISIONAL
304.2.1 A humanização dos espaços e a arquitetura penitenciária
314.2.2 O cárcere por outras perspectivas
324.2.3 Caminhos arquitetônicos para o presente
335. CONCLUSÃO
34APÊNDICE A (PENITENCIÁRIAS ANALISADAS)
35PENITENCIÁRIAS ESTADUAIS
36REGIÃO NORTE
37REGIÃO NORDESTE
38REGIÃO CENTRO-OESTE
39REGIÃO SUDESTE
40REGIÃO SUL
41PENITENCIÁRIAS FEDERAIS