
Entre migração e refúgio
a discricionariedade do Estado brasileiro na classificação jurídica de migrantes – o caso venezuelanoBy Carlos A. de Cicco Ferreira FilhoLength8h 56m
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A concretização do Estado Democrático de Direito no campo das migrações e do refúgio revela tensões profundas no modo como o Direito Administrativo estrutura e legitima a atuação da Administração Pública brasileira. Ao longo das últimas décadas, o regime jurídico-administrativo aplicado a migrantes e refugiados tem sido marcado por modelos decisórios fortemente centralizados e hierarquizantes, associados a uma lógica ainda vinculada ao Estado Liberal clássico, distanciando-se das premissas de um direito constitucional e administrativo orientado pela proteção efetiva dos direitos fundamentais em um contexto global e por relações jurídicas estruturadas sob parâmetros de horizontalidade democrática.
O diagnóstico desenvolvido evidencia uma atuação administrativa frequentemente agressiva e pouco permeável às transformações do direito público contemporâneo, especialmente no que se refere à incorporação de critérios transnacionais e à construção de um direito administrativo sem fronteiras. Nesse cenário, a discricionariedade estatal assume papel central, operando, muitas vezes, como mecanismo de restrição de garantias jurídicas e de reprodução de assimetrias estruturais.
A análise empírica concentra-se no estudo de caso da população migrante venezuelana, o que permite revelar as contradições entre os discursos normativos de proteção e as práticas administrativas efetivamente adotadas no Brasil.
Audiobook details
GenrePolitics and Government
Length8 hrs 56 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateMar 12, 2026
LanguagePortuguese
Table of contents
1INTRODUÇÃO
252.8.1. Razoável duração do processo
2CAPÍTULO 1 - LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO E A TOMADA DE DECISÃO: VALORES JURÍDICOS ABSTRATOS E CONSEQUÊNCIAS PRÁTICAS DA DECISÃO ADMINISTRATIVA
262.8.2. Discricionariedade
31.1. Interdisciplinariedade
27CAPÍTULO III – DA LEGALIDADE PARA A JURIDICIDADE NA IMIGRAÇÃO BRASILEIRA
41.2. Reforma da LINDB e a tomada de decisão administrativa
283.1. Migrações Internacionais
51.2.1. Tomada de decisão, valores jurídicos abstratos e consequências práticas da decisão
293.2. Migrantes, Imigrantes e Emigrantes
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61.2.2. Interpretação histórica: breve recorte legislativo da LINDB
303.3. Cenário jurídico e político do revogado Estatuto do Estrangeiro
71.2.3. Inovação na introdução às normas do direito brasileiro pela Lei federal nº 13.655/2018
313.4. A “nova” Lei de migração (Lei Federal nº 13.445/2017).
81.3. Conceito e desenvolvimento do Direito administrativo: 1.3.1. História do direito administrativo no Brasil
323.5. O Decreto federal nº 9.199/2017 e as classificações migratórias
91.4. Direito Constitucional e Administrativo sem Fronteiras
333.5.1. Migrantes voluntários e migrantes forçados “involuntários”
10CAPÍTULO II - DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO SEM FRONTEIRAS?
343.5.2. Refugiados: uma condição aditiva ao migrante internacional
112.1. O Direito Constitucional nas entrelinhas da evolução do Estado
353.6. Órgãos internacionais: ONU, ACNUR e Refúgio
122.2. Origem do Estado Moderno
363.7. Legislação de refúgio no Brasil
132.2.1. A Administração Pública no Estado Liberal
373.8. Fluxos migratórios mistos
142.2.2. Poder executivo e contencioso administrativo
383.9. Solicitação do refúgio no Brasil: decreto federal nº 9.277/2018
152.2.3. Poder soberano nos Estados Modernos
39CAPÍTULO IV - ESTUDO DE CASO: VENEZUELANOS NO BRASIL: ENTRE A TEORIA E A PRÁTICA
162.2.3.1. Soberania e Jean Bodin
404.1. Alguns números sobre refúgio no Brasil
172.2.3.2. Soberania e migração
414.2. Fluxo migratório venezuelano
182.2.3.3. Nacionalidade e Soberania
424.3. O posicionamento do CONARE acerca do fluxo migratório venezuelano
192.3. Ato administrativo nos imperativos da Administração Pública
434.4. Do devido processo administrativo para a classificação migrante de venezuelanos
202.4. Passagem do Estado Liberal para o Estado Social
444.4.1. Processo administrativo para reconhecimento de venezuelanos como refugiados
212.5. Administração prestadora: relação jurídica e juridicidade na transformação do direito administrativo
454.4.2. Processo administrativo de autorização de residência de venezuelanos como migrantes
222.6. Estado Pós Social, migrações a realidade da Administração Pública
464.5. Tomada de decisão, valores jurídicos abstratos e consequências práticas da decisão administrativa aplicada aos venezuelanos
232.7. Regime e relação jurídica administrativa no Brasil
474.6. Direito Constitucional e Administrativo sem fronteiras, barreiras e obstáculos
242.8. Processo Administrativo
48CONCLUSÃO