
O racismo estrutural refletido na política criminal de drogas
a necropolítica como critério diferenciador entre usuário e traficante na Lei nº 11.343/2006By Caroline ArgoloLength6h 20m
About this audiobook
Nesta pesquisa, destacaremos as configurações político-criminais do modelo brasileiro de combate às drogas, mais precisamente acerca da sua estrutura de punibilidade, destacando a Lei vigente nº 11.343/2006 e seus hiatos de criminalização. Partindo da premissa de que a generalidade normativa é campo permissivo de atuação do racismo estrutural, aqui consubstanciado na necropolítica e no encarceramento em massa capitaneados pelo Estado, analisamos dados referentes ao sistema penitenciário nacional, tendo sido selecionado o INFOPEN-2017, bem como dados do MPE-BA e DPE-BA. Os números nacionais demonstraram que a maior parte da população encarcerada é composta por homens, jovens, negros, de baixa escolaridade e de baixa renda, sendo que o crime imputado foi o de tráfico de drogas em cerca 30% dos casos. Ademais, os dados analisados permitiram constatar a tendência punitivista do Estado brasileiro, tanto a nível macro como quando do recorte sobre os crimes previstos na Lei de Drogas, bem como permitiu inferir que a ausência de concretude nos critérios estabelecidos pela lei para a definição da conduta acaba por inflacionar o número de casos de tráfico em detrimento das situações classificadas como uso. Destarte, é imprescindível que passemos a discutir a necropolítica e o encarceramento em massa não como uma questão de justiça criminal, mas como uma questão de justiça racial e de direitos civis.
Audiobook details
GenrePsychology
Length6 hrs 20 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateJun 1, 2023
LanguagePortuguese
Table of contents
1PREFÁCIO
203.3.2. É possível estabelecer o perfil social dos denunciados?
21. INTRODUÇÃO
213.3.3. É possível estabelecer o perfil racial dos denunciados?
32. O RACISMO ESTRUTURAL E A NECROPOLÍTICA
223.3.4. É possível estabelecer o perfil etário dos denunciados?
42.1. TRABALHANDO O CONCEITO: O QUE É RACISMO ESTRUTURAL?
233.3.5. Demais variáveis que influenciam o desfecho denúncia
52.1.1. Contextualizando a discussão
243.3.6. O que se pode concluir do referido estudo?
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62.1.2. Breves considerações históricas sobre o racismo: miscigenação e tese da degeneração
253.4. A EXCLUSÃO DOS INDESEJÁVEIS À LUZ DOS DADOS DO RELATÓRIO DO OBSERVATÓRIO DE PRÁTICA PENAL – DROGAS DA DEFENSORIA PÚBLICA ESTADUAL DA BAHIA – DPE/BA (2021)
72.1.3. Afinal, o que é racismo estrutural?
263.4.1. Situação da persecução penal, após oito anos: quantificando e categorizando os processos analisados
82.2. A NECROPOLÍTICA: O RACISMO QUE ORIENTA AS POLÍTICAS PÚBLICAS DO ESTADO. QUEM PODE VIVER? QUEM DEVE MORRER? QUEM SOBREVIVE?
273.4.2. Variedade das drogas apreendidas nas prisões em flagrante
92.2.1. Considerações acerca do biopoder de Foucault
283.4.3. O que se pode concluir do referido estudo?
102.2.2. Notas sobre a teoria do labeling approach
293.5. A EXCLUSÃO DOS INDESEJÁVEIS À LUZ DOS DADOS DO RELATÓRIO DAS AUDIÊNCIAS DE CUSTÓDIA DA DEFENSORIA PÚBLICA ESTADUAL DA BAHIA – DPE/BA – ANOS 2015 A 2018
112.2.3. A Necropolítica: Quem pode viver? Quem deve morrer? Quem sobrevive?
303.5.1. Considerações acerca do ano de 2015 (setembro a dezembro): perfis etário, social e racial dos custodiados e os respectivos desfechos
122.3. BREVE HISTÓRICO NORMATIVO BRASILEIRO ACERCA DA CRIMINALIZAÇÃO DAS DROGAS: A AUSÊNCIA DE CRITÉRIOS OBJETIVOS DIFERENCIADORES ENTRE O USUÁRIO E O TRAFICANTE EM DESTAQUE
313.5.2. Considerações acerca do ano de 2016 (janeiro a dezembro): perfis etário, social e racial dos custodiados e os respectivos desfechos
132.3.1. Análise da Lei n. 6.368/76: do tratamento dispensado ao usuário e ao traficante
323.5.3. Considerações acerca do ano de 2017 (janeiro a dezembro): perfis etário, social e racial dos custodiados e os respectivos desfechos
142.3.2. Análise da Lei n. 11.343/06: do tratamento dispensado ao usuário e ao traficante na legislação vigente: 2.3.2.1. Afinal, quais os critérios concretos de diferenciação a serem utilizados?
333.5.4. Considerações acerca do ano de 2018 (janeiro a dezembro): perfis social e racial e os respectivos desfechos
153. A NECROPOLÍTICA COMO CRITÉRIO DIFERENCIADOR ENTRE USUÁRIO E TRAFICANTE: A EXCLUSÃO DOS INDESEJÁVEIS A PARTIR DA ANÁLISE DE DADOS
343.5.5. Compilando os resultados dos anos de 2015, 2016, 2017 e 2018: o que podemos concluir do referido estudo?
163.1. ANÁLISE DE DADOS
353.6. COLIGINDO TODOS OS DADOS ANALISADOS NESTE CAPÍTULO: O QUE ELES DIZEM?
173.2. QUANTIFICANDO A POPULAÇÃO PRISIONAL PESQUISADA A PARTIR DE DADOS DO INFOPEN
364. CONSIDERAÇÕES FINAIS
183.3. A EXCLUSÃO DOS INDESEJÁVEIS À LUZ DO PERFIL PROCESSUAL PENAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA – EQUIPE DE CRIMES DE TÓXICOS DE SALVADOR
375. REFERÊNCIAS
193.3.1. Quais as circunstâncias mais comuns nos casos cujo desfecho foi a denúncia?