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Publicado em 1891, A alma do homem sob o socialismo, de Oscar Wilde, surge dos debates do final da era vitoriana sobre trabalho, propriedade e reformas, coincidindo com a ascensão de Wilde como figura central do esteticismo. Wilde, ensaísta e dramaturgo nascido na Irlanda, já havia forjado uma persona pública de espírito afiado e defensor da arte pela arte; neste ensaio ele desloca-se do teatro e da sátira social para uma meditação política contundente. Escrito em inglês para um público britânico e originalmente proferido como discurso público em meio a ansiedade econômica, greves e críticas ao capitalismo, o texto usa uma retórica carregada de paradoxos, antíteses e ironia moral para argumentar que a propriedade privada corrói a vida e que o socialismo deve visar não à coerção, mas à realização da individualidade por meio da transformação da propriedade em bem comum e da substituição da competição pela cooperação. Ainda assim, Wilde rejeita qualquer modelo autoritário: insiste que o verdadeiro individualismo exige associação voluntária em vez do poder do Estado e adverte que a tirania industrial degradaria a humanidade mais do que as desigualdades presentes.