Nicolò Machiavelli escreveu O Príncipe em 1513, numa época de instabilidade política nas cidades-estado italianas. A Itália estava fragmentada em potências rivais como Florença, Veneza e os Estados Papais, todas vulneráveis à intervenção estrangeira de França, Espanha e do Sacro Império Romano-Germânico. Maquiavel, diplomata e funcionário público florentino, perdera seu cargo quando a família Médici reassumiu o controle de Florença. Excluído da vida política e buscando recuperar prestígio, compôs O Príncipe como um tratado sobre liderança política, baseado em sua experiência diplomática e na observação de governantes. Seu estilo conciso e direto rompeu com o idealismo da filosofia política anterior, refletindo as realidades turbulentas da política renascentista.
Os temas de O Príncipe incluem a natureza do poder, a relação entre moralidade e necessidade política, e as habilidades e a firmeza necessárias para manter a autoridade. A visão pragmática de Maquiavel — de que os governantes podem ter de agir de forma imoral pela estabilidade e segurança do Estado — foi controversa, tornando seu nome sinônimo de astúcia política. A obra influenciou o pensamento político em toda a Europa, contribuindo para o desenvolvimento da ciência política moderna e da teoria realista. Embora tenha sido condenada por alguns como cínica, também foi admirada por figuras que vão de Frederico, o Grande, a Napoleão, por sua avaliação lúcida da liderança. O Príncipe continua sendo um texto seminal nas discussões sobre governança, ambição e exercício do poder.