
Length1h 49m
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Neste Trabalho foi investigada á questão do deslocamento populacional dos moradores da Comunidade do Morro do Bumba, ocasionado por desastres ambientais. Para tanto, procuramos conhecer estas pessoas e entender seu dilema, comportamentos e necessidades. Também, saber como as famílias deslocadas e desabrigadas se encontram. Como veem as adaptações dos abrigos em que estas foram colocadas e o papel do Serviço Social na mediação e intervenção de Políticas Públicas, específicas para atender á esta população. Foram realizadas entrevistas sobre a experiência destas pessoas, assim como pesquisas e reportagens sobre a população deslocada e desabrigada e o desastre ambiental frente à ausência de Políticas Públicas de Habitação.
Audiobook details
GenrePsychology, Education and Learning
Length1 hr 49 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateJan 30, 2018
LanguagePortuguese
Table of contents
1Para compreensão do problema em tela, realizou-se pesquisa na busca de informações sobre a história da cidade e seu processo de formação territorial na referida comunidade, analisando as implicações sociais e ambientais, os impactos no espaço geográfico e os sujeitos que habitam essas regiões. Compreende-se aqueles que lá estão por falta de opção para suprir suas necessidade imediatas como trabalho e moradia. Utilizou-se de referencial teórico metodológico, pesquisa documental, entrevista, reportagem em internet e análise de alguns autores sobre o desastre ambiental que deu origem ao deslocamento populacional. Buscamos as razões de caráter social, político e econômico que impediram na época os moradores reconstruir suas vidas, ocasionando dificuldades de adaptação para aqueles que optaram em estabelecer-se local de moradia junto seus com familiares. O presente trabalho tem como objetivo apresentar um modelo cartográfico do evento e demonstrar através fotos, entrevistas e busca documental sobre os fatos, para análise da solução do problema. No próximo capítulo apresentaremos motivos e consequências que levaram a população da comunidade atingida viver em áreas de risco e, momentos difíceis pelos quais passaram. A realidade ainda hoje permanece a mesma, de acordo com moradores, ao informar que as Administrações Pública que tem assumido a cidade, só oferece nos dias de hoje apenas ações pontuais e paliativas, mantendo-se insensível ao clamor da população que muito tem solicitado a elaboração de um Programa de Habitação para a cidade, respeitando-se as condições financeiras de cada família.
2A administração local tem se mantido ausente para oferecer condições dignas de habitação para a população da cidade, permitindo que ocupações em áreas de risco, surjam de um dia para outro, sem a devida fiscalização. Permite-se a ocupação destes espaços, ampliando o poder de controle político sobre os moradores, utilizando-se a lógica do discurso político diante de “reivindicações” da população pelo direito á moradia e outras necessidades mais urgentes. Esta é uma cultura muito utilizada em algumas cidades e estados brasileiros, quando faz-se distinção entre áreas ocupadas por população baixa renda e áreas nobres da cidade. Neste sentido há claramente na cidade duas classes sociais que se distinguem pelas ocupações habitacionais, apresentando o avanço da especulação imobiliária e construções para uma classe média alta; enquanto em seu entorno crescem os vários bolsões da pobreza, moradias precárias denominadas “comunidades” de baixa renda, favelas e guetos excluídos da sociedade. Portanto o crescimento da violência é evidente diante da exclusão social. Neste sentido a população de baixa renda é empurrada para á periferia a fim de desbloquear e arejar as áreas centrais da cidade, para facilitar a especulação imobiliária em algumas áreas de interesse ambiental. Este tipo de desenvolvimento regional e urbano já não cabe mais nas cidades que crescem, empurrando a população sem infraestrutura para os arredores causando impactos sociais, afetando o desenvolvimento da população de baixa renda, quanto dos que vivem nos grandes centros. Os moradores de áreas consideradas periféricas tem se transformado, invadindo os grandes centros urbanos com as novas comunidades, misturando-se com os arranha-céus, cercando edifícios, condomínios e shoppings deixando de ser periféricos, transformando-se em uma nova categoria de emergentes habitacionais. Por tanto esses sujeitos, passam ser também um produto da exploração fundiária quando lhes é imposto o pagamento de tributos (sem acesso á Políticas Públicas de qualidade), sendo o caso da população do bairro de Silva Jardim e Cubango na comunidade Morro do Bumba ao pagar IPTU-Imposto Territorial urbano e taxas de serviços públicos (luz, água, limpeza urbana). De acordo com o Yamamoto, À medida que o capitalismo, modo de viver e de produzir é permeado pela forma mercadoria e torna-se a mediadora, por excelência, das relações sociais, transformando-se na aparência de relações entre coisas. É portanto, historicamente impossível que as representações reflitam de modo límpido e cristalino a vida social, já que a própria consciência é permeada pela mercadoria e seu fetiche(YAMAMOTO&CARVALHO,2005). É cada vez frequente o clamor dos movimentos populares, associações de moradores, movimentos dos sem teto, sem terra objetivando o direito á moradia com intuito de chamar atenção dos governos para a luta, do direito á moradia e, proteção da vida. A questão da moradia vem sendo colocada como objeto de mercadoria, em todos os tempos no qual é submetida a população que vive de salário mínimo e cujas exigências de grupos de interesses, visam á especulação imobiliária, ficando assim essa população, restrito á ocupação de áreas de risco. E de acordo com(KOWARICK,1991ª, apud YAZBEK 1993,p.114),todos moram nas periferias, porque tantas e tão diversas, mas sempre o mundo da sub cidadania. No geral ocupadas de modo caótico e confuso e com graves problemas de saneamento, transporte e serviços de saúde e educação, as periferias expressam um processo sócio econômico e político em que se reiteram a exclusão e a subalternidade. De um modo geral percebemos que não há um lugar em condições dignas para a população trabalhadora viver, na sociedade do consumo. Verificamos que as pessoas precisam ter uma renda em condições de poder usufruir de uma moradia em igualdade de condições. Constatamos que o trabalhador assalariado só tem como bem a sua força de trabalho, recebendo o mínimo pelo que produz. Diante das dificuldades de sobrevivência e da crise mundial, atravessada pelas políticas focalizadas na pobreza extrema, a maioria dos trabalhadores ocupam áreas desprovidas de qualquer proteção de serviços básicos e de legislação específica para proteção e legalização definitiva com vistas á retira-los da clandestinidade. Segundo Yamamoto & Carvalho(1993,p.98):...a reprodução da classe trabalhadora na sociedade capitalista dependem fundamentalmente do salário que o trabalhador recebe em troca da venda de sua força de trabalho no mercado; isto porque trata-se de trabalhadores assalariados, despojados dos meios de produção e dos meios de vida, os quais se encontram monopolizados pelos proprietários do capital e da terra. Diante dos embates silenciosos, ou seja, da dimensão das contradições da sociedade capitalista centralizada no poder do estado, verifica-se quão distantes estão ás possibilidades de espaços de qualidade de vida e moradia para aqueles que neste reside sem o poder de consumo necessário. Sabendo-se que o Estado desenvolve uma política de tolerância entre os formadores de opinião, que consideram pelas atitudes, donos da cidade fazendo uso do sistema político para alcançar o poder local. Por meio dessas ações utilizam áreas ocupadas pelas comunidades como reduto eleitoral, tentando com ações pontuais e focalizadas oferecer projetos assistencialistas para á população, apresentando péssimos indicadores sociais. A explicação para tais fatos é a mercantilização da política nos espaços urbanos, os quais transformam essas áreas em produtos de troca na época de eleição. Quem mais se utiliza destas ações são os políticos locais que oferecem ao eleitor investimentos básicos por meios de serviços precários, em determinadas comunidades como: pequena pavimentação em ruas, becos, subidas de morro, escadarias assim como distribuição de material de construção, fornecimento de água e até pagamento em troca de votos. Há uma divisão nesses ambientes, loteada em mãos dos portadores de mandato político, cuja regra determina que um candidato não consiga obter votos em uma região, por estar dominada por outro. Neste contexto encontra-se á população refém dos interesses da politica atual em todo o país. Na cidade de Niterói não é diferente, daí o descontentamento da população que vive nas comunidades, vulneráveis à ação dos interesses do sistema político, sendo presas fáceis quando atingidas por desastres ambientais ou desapropriações. Abandonadas a própria sorte se deixaram levar pela “fetichização” da política. O termo fetiche segundo Holanda (1993) significa “objeto” animado ou inanimado, feito pelo homem ou produzido pela natureza ao qual se atribui poder sobrenatural e se presta “culto”, foi este significado conferido ao fenômeno da atribuição de valor simbólico aos produtos (manufaturas) que o filósofo Karl Marx (1818-1883) observou em meio aos seus estudos sobre o trabalho e o capital. A relação política da cidade onde se localiza o bairro Viçoso Jardim e Cubango próximas á comunidade Morro do Bumba ganhou um caráter de fetichização quando a administração local permitiu que os ocupantes da área permanecessem morando, em troca de apoio político. Há outras comunidades e bairros sob a ilusão do “fetiche político. Em vez de reprimir a ocupação irregular elaborando Políticas de Habitação para contemplar toda a população em áreas de risco, o poder público acaba por incentivar essas ocupações. Foi na Comunidade do Morro do Bumba que nos anos 90 a [1] Cedae-Companhia Estadual de Água e Esgoto do Estado do Rio de Janeiro, no governo Leonel Brizola nos anos 90, fez sua primeira grande obra de saneamento em Niterói, quando Governador do Estado do Rio de Janeiro, levando para o local de helicóptero, uma grande caixa de água para atender aos moradores. Esta iniciativa já demonstra como a cidade era carente de políticas públicas de saneamento básico e ainda continua carente em algumas regiões como a região Oceânica, centro da cidade e seus arredores. Mais tarde seguiu-se á construção de uma Escola Municipal e o programa Médico de Família, que não atende á toda população do Bairro do Cubango e moradores da antiga Comunidade Morro do Bumba.
3PORTAL G1, Tragédia no Bumba completa 2 anos com mais de 300 desabrigados no RJ, Disponível em: <http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2012/04/tragedia-no-bumba-completa-2-anos-com-mais-de-300-desabrigados-no-rj.html>, Acesso em: 08/04/2012
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