
O Ciclo da Violência
Psicanálise, Repetição e Políticas PúblicasBy Luciana Ferreira ChagasLength8h 15m
About this audiobook
Esse livro tem como eixo central a articulação entre o problema do ciclo repetitivo da violência contra a mulher, as políticas públicas e a psicanálise. Tanto as pesquisas acadêmicas, como as Políticas Públicas a respeito da "violência contra a mulher", apontam o chamado "ciclo da violência", que aparece nesse contexto como um problema de difícil resolução, indicando que essa questão, deixa de ser um problema privado e passa a ser um problema público. Apesar da dificuldade apresentada por essas mulheres em mudarem o seu padrão de comportamento, as Políticas Públicas vêm propondo o serviço de atendimento psicológico priorizando a psicoeducação, a conscientização do problema e o empoderamento, apresentando-se carente de intervenções da psicologia clínica. O percurso da autora permitiu o reconhecimento do progresso da rede pública no enfrentamento à violência, entretanto é crucial mantermos a posição de avanço no campo da intervenção. Sendo assim, o texto sustenta que a intervenção clínica merece atenção especial na tática ao enfrentamento, confiando que a psicanálise possa contribuir ao propor que esse "ciclo da violência" seja escutado como um novo caminho a partir do conceito próprio de repetição, indicando os fundamentos pelos quais interessa ao psicanalista aquilo que se repete, apontando uma possível direção para um tratamento: a repetição como dado clínico. Ciente da relevância desse problema, o livro propõe estratégias de inserção da clínica psicanalítica para que possamos avançar no tratamento do "ciclo da violência", a partir da escuta do sofrimento singular, contribuindo com outros profissionais na rede de atenção à mulher em situação de violência. Para isso, a partir da teoria psicanalítica, discute-se inicialmente o conceito de repetição, apontando a lógica do funcionamento inconsciente que sustenta/funda nossos comportamentos, enfatizando a repetição como evidência de um funcionamento psíquico próprio de cada mulher. Apresenta-se a noção psicanalítica de responsabilização, diferenciando-a de culpabilização, apontando os efeitos da implicação de cada sujeito em sua queixa e seu sintoma, indicando a importância em investigarmos o tipo de relação que cada mulher estabelece, não apenas com a situação violenta como acontecimento, mas com o ciclo da repetição como experiência. Conclui-se que ao vivenciarmos de modo sadio a experiência da responsabilização, temos a chance de decidir sobre determinada situação, implicando-nos em nossas escolhas e nas consequências decorrentes dessas. Conclui-se ainda a relevância do atendimento transdisciplinar, considerando as diferentes áreas de saber envolvidas, incluindo o saber da mulher e outras pessoas envolvidas em cada situação, oferecendo à essas mulheres um espaço de fala, por meio da clínica, onde possam ser escutadas em sua experiência singular e assim posicionar-se subjetivamente, na direção do rompimento do ciclo da violência, emergindo como autoras de sua própria história.
Audiobook details
GenrePsychology
Length8 hrs 15 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateJan 21, 2021
LanguagePortuguese
Table of contents
1Introduction
195.1.1 A RESPONSABILIZAÇÃO EM PSICANÁLISE: UMA LÓGICA SINGULAR DO INCONSCIENTE
21. INTRODUÇÃO
205.1.2 IMPLICAR-SE: A EXPERIÊNCIA DA VIOLÊNCIA VIVIDA DE MODO SINGULAR POR CADA MULHER
31.1 O PERCURSO CLÍNICO DA PESQUISADORA: CONTEXTUALIZANDO O PROBLEMA
215.2 O CAMPO DA ESCUTA PSICANALÍTICA: ENTREVISTAS PRELIMINARES E A POSSIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO SUBJETIVA
41.2 CARACTERIZANDO BREVEMENTE A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
225.3 DANDO VOZ ÀS FLORES
51.3 APRESENTANDO O PROBLEMA E SUA RELEVÂNCIA
235.3.1 ROSA
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62. POLÍTICAS PÚBLICAS E A REDE NO BRASIL: ENFRENTANDO A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
245.3.2 MARGARIDA
72.1 O ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NO BRASIL
255.3.3 PETÚNIA
82.1.1 A REDE DE ENFRENTAMENTO E ATENDIMENTO
265.3.4 HORTÊNCIA
92.1.2 OS CENTROS DE REFERÊNCIA DE ATENDIMENTO À MULHER (CRAM)
276. (RE)PENSANDO OS SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER.
103. OS LIMITES E ALCANCES DO ATENDIMENTO PSICOLÓGICO NA REDE: A TENTATIVA DE AVANÇO NOS EQUIPAMENTOS DE ASSISTÊNCIA À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
286.1 A HUMANIZAÇÃO NO ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: 6.1.1 A TRANSDISCIPLINARIDADE COMO UM CAMINHO PARA A HUMANIZAÇÃO NO ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
113.1 A PSICOLOGIA E SUA HISTÓRIA NO CAMPO DA CLÍNICA
296.2 A RESPONSABILIZAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE PSICOLOGIA NA REDE
123.2 A PSICANÁLISE E SUA CONTRIBUIÇÃO NO CAMPO DA CLÍNICA SOCIAL
306.3 O INCENTIVO À NOVAS PESQUISAS: UMA POSSIBILIDADE RENOVADORA
133.3 A PSICOLOGIA NA REDE DE ATENÇÃO À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: CONSIDERAÇÕES DA PSICANÁLISE ACERCA DO PROBLEMA
316.3.1 A PREVENÇÃO DO FEMINICIDIO
144. REGRA OU EXCEÇÃO: DE QUE REPETIÇÃO ESTAMOS FALANDO?
326.3.2 A POSSIBILIDADE DA ASSISTÊNCIA AO AGRESSOR
154.1 A REPETIÇÃO EM PSICANÁLISE: FREUD EM DIFERENTES MOMENTOS
336.3.3 A PARCERIA ENTRE POLÍTICAS PÚBLICAS E ENSINO
164.2 O QUE MAIS DIZER DA REPETIÇÃO DO CICLO DA VIOLÊNCIA?
347. A VIRADA DE UM CICLO: MOMENTO DE CONCLUIR
175. A IMPLICAÇÃO DA MULHER NOS ACONTECIMENTOS DA SUA VIDA: POSSIBILIDADE DE RE-CRIAR UMA HISTÓRIA
35REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
185.1 CULPA X RESPONSABILIZAÇÃO: PENSANDO ESSA DIFERENÇA A PARTIR DA LÓGICA PSICANALÍTICA DA IMPLICAÇÃO DO SUJEITO