
Inteligência Artificial no Poder Judiciário
Desafios e Perspectivas da Resolução CNJ n. 615/25By RONNIE STONELength4h 12m
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A incorporação da inteligência artificial ao funcionamento do Poder Judiciário deixou de ser uma promessa futura para se tornar uma realidade institucional concreta. Ferramentas de triagem, classificação processual, pesquisa de precedentes e elaboração de minutas já influenciam, direta ou indiretamente, a forma como decisões judiciais são preparadas e fundamentadas. Diante desse cenário, impõe-se uma questão central: como utilizar a inteligência artificial no exercício da jurisdição sem comprometer a legitimidade da função judicial e a proteção dos direitos fundamentais?
Este livro analisa de modo crítico e sistemático a Resolução CNJ n. 615/2025, situando o modelo brasileiro de governança da inteligência artificial em perspectiva comparada com o AI Act europeu e com o Projeto de Lei n. 2.338/23. A obra articula fundamentos teóricos — como o humanismo digital e a regulação baseada em risco — com a análise concreta dos mecanismos de governança, transparência, supervisão humana significativa, auditoria e gestão de riscos aplicáveis ao Judiciário.
Ao longo dos capítulos, são examinados os impactos institucionais da automação, os riscos da opacidade algorítmica e os limites normativos da delegação tecnológica no processo decisório judicial. Ao final, sustenta-se que a inteligência artificial, para ser legitimamente incorporada ao Judiciário, deve permanecer subordinada à racionalidade jurídica, à responsabilidade institucional e ao papel humano no ato de julgar.
Audiobook details
GenrePolitics and Government
Length4 hrs 12 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateMay 26, 2026
LanguagePortuguese
Table of contents
1INTRODUÇÃO - O JUDICIÁRIO NA ERA DO ALGORITMO
616.6. O risco do formalismo regulatório
2CAPÍTULO 1 - FUNDAMENTOS TEÓRICOS. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E A ORDEM JURÍDICA DIGITAL
626.7. Inovação, eficiência e o perigo da solução tecnológica
31.1. Conceito de inteligência artificial: perspectivas técnica e jurídica
636.8. Perspectivas futuras e caminhos de amadurecimento
41.2. A virada conexionista e a emergência da opacidade algorítmica
646.9. Resumo crítico
51.3. Inteligência artificial generativa, LLMs e modelos de propósito geral
65CONCLUSÃO - INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, GOVERNANÇA E LEGITIMIDADE DA FUNÇÃO JURISDICIONAL
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61.4. Direito digital e o pano de fundo normativo da regulação da IA
66POSFÁCIO
71.5. Governança algorítmica, accountability e supervisão humana
67GLOSSÁRIO DE TERMOS ESSENCIAIS
81.6. Regulação baseada em risco como estratégia normativa
68Glossário – Capítulo 1
91.7. Dos fundamentos à disciplina do Judiciário
69Alucinação (Hallucination)
101.8. Síntese do capítulo
70Aprendizado de máquina (Machine Learning)
11CAPÍTULO 2 - HUMANISMO DIGITAL, DIREITOS FUNDAMENTAIS E REGULAÇÃO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
71Caixa-preta (black box)
122.1. Do entusiasmo tecnológico à necessidade de contenção normativa
72Deep Learning
132.2. Humanismo digital como categoria normativa
73E-discovery (Electronic Discovery)
142.3. Inteligência artificial centrada na pessoa humana (human-centered AI)
74IA simbólica
152.4. Direitos fundamentais como eixo de contenção da automação decisória
75IA conexionista
162.5. Risco, dignidade e prevenção de danos sistêmicos
76Inteligência Artificial (IA)
172.6. Humanismo digital e o papel institucional do Judiciário
77Inteligência Artificial Generativa (IAGen)
182.7. Da teoria humanista à disciplina normativa
78Modelos de propósito geral (Foundation Models)
192.8. Síntese do capítulo
79Grandes Modelos de Linguagem (Large Language Models – LLMs)
20CAPÍTULO 3 - A REGULAÇÃO CONTEMPORÂNEA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL. CONVERGÊNCIAS NORMATIVAS E FUNDAMENTOS COMUNS
80Governança algorítmica
213.1. AI Act, PL n. 2.338/23, Res. CNJ n. 615/25 e os desafios frente ao uso da IA
81Mecanismo de Atenção (Attention Mechanism)
223.2. Pontos de convergência
82Opacidade algorítmica (Algorithmic opacity)
233.2.1. Abordagem baseada em risco e a distinção upstream/downstream
83Regulação baseada em risco
243.2.2. Centralidade humana e supervisão significativa
84Transformer
253.2.3. Opacidade algorítmica e transparência funcional
85Transparência algorítmica
263.3. A governança contínua. Elemento necessário diante de sistemas dinâmicos.
86Upstream e downstream (regulação da inteligência artificial)
273.4. Síntese do capítulo
87Glossário — Capítulo 2
28CAPÍTULO 4 - A ARQUITETURA NORMATIVA DA RESOLUÇÃO CNJ N. 615/25
88Avaliação de impacto algorítmico
294.1. A Resolução CNJ n. 615/25 como regime setorial de governança da IA
89Ética no Design (Ethics in Design)
304.2. Opção metodológica. Leitura por blocos temáticos
90Ética pelo Design (Ethics by Design)
314.3. Bloco I — Fundamentos, definições e âmbito de aplicação (arts. 1º a 4º)
91Ética para Designers (Ethics for Designers)
324.3.1. Dispositivos inaugurais como cláusula estruturante do regime (art. 1º)
92Humanismo digital
334.3.2. Definições operacionais e regulação por efeitos (art. 4º)
93Inteligência artificial centrada na pessoa humana (Human-centered AI)
344.3.3. Âmbito de aplicação amplo e prevenção de exclusões (art. 1º)
94Inteligência artificial confiável (Trustworthy AI)
354.3.4. Autonomia administrativa, harmonização normativa e função hermenêutica (arts. 2º e 3º)
95Glossário — Capítulo 3
364.4. Bloco II — Direitos fundamentais, segurança e proteção de dados (arts. 5º a 8º)
96Sistema de alto risco
374.4.1. Devido processo legal, contestabilidade e opacidade decisória (art. 5º)
97Sinapses (Plataforma Sinapses do CNJ)
384.4.2. Igualdade, não discriminação e vieses algorítmicos (arts. 5º e 8º)
98Glossário — Capítulo 4
394.4.3. Proteção de dados pessoais, segurança da informação e confiança institucional (arts. 5º e 7º)
99ART (Accountability, Responsibility, Transparency)
404.4.4. Transparência informacional e direito à compreensão (arts. 5º e 6º)
100Auditabilidade (auditability)
414.4.5. Fechamento do bloco
101Classificação de riscos (risk classification/risk-based approach)
424.5. Bloco III — Classificação de riscos26, vedações e supervisão humana
102Inferência automatizada (automated inference)
434.6. Bloco IV — Modelos generativos, transparência e controle do usuário
103Monitoramento contínuo (continuous monitoring)
444.7. Bloco V — Auditoria, monitoramento e inovação responsável
104Perfilização (profiling)
454.8. Síntese do capítulo
105Proteção Legal pelo Design (Legal Protection by Design - LPbD)
46CAPÍTULO 5 - A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO EXERCÍCIO DA JURISDIÇÃO APROFUNDAMENTO CRÍTICO
106Registros de Turing (Turing Registries)
475.1. Triagem, classificação e priorização processual. Quando o apoio passa a governar o fluxo
107Tecnorregulação (Techno-regulation)
485.2. Elaboração de minutas e apoio à fundamentação. O risco da transferência silenciosa de autoria
108Transparência funcional (functional transparency)
495.3. Pesquisa e seleção de precedentes. Viés de recuperação e estreitamento do repertório
109Vieses algorítmicos (algorithmic bias)
505.4. Transparência algorítmica e contraditório em ambiente tecnicamente mediado
110Glossário — Capítulo 5
515.5. Falha pontual, falha sistêmica e a ampliação dos mecanismos de correção
111Afordâncias constrangedoras (constraining affordances)
525.6. Accountability institucional e proteção do magistrado
112Cadeia de Pensamento (Chain-of-Thought - CoT)
535.7. Assimetria institucional e desafios de implementação
113Devido Processo Tecnológico (Technological Due Process)
545.8. Resumo crítico
114Document Automation (Automação Documental)
55CAPÍTULO 6 - LIMITES, DESAFIOS E PERSPECTIVAS DA GOVERNANÇA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO PODER JUDICIÁRIO
115Equação de Mídia (Media Equation)
566.1. Limites estruturais da normatização infralegal
116Lavagem de Viés (Bias Laundering)
576.2. Heterogeneidade institucional e desigualdade de capacidades
117Prevenção de Litígios (Litigation Avoidance)
586.3. O desafio da supervisão humana em contextos de escala
118Pecúlio Digital (Digital Peculium)
596.4. Dependência tecnológica e assimetria informacional
119Glossário — Capítulo 6: Controladores de Acesso (Gatekeepers)
606.5. Comparação com o AI Act e o Projeto de Lei n. 2.338/23
120ANEXO – QUADROS ANALÍTICOS E SISTEMATIZAÇÕES COMPARATIVAS