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De Profundis é a extensa carta-prisão de Oscar Wilde, escrita em inglês durante seu tempo na prisão de Reading (1895–1897), após sua condenação por indecência grave em decorrência do relacionamento com Lord Alfred Douglas. Composta em 1897 sob condições prisionais restritivas e dirigida a Douglas, o texto reflete as circunstâncias alteradas de Wilde: o colapso de sua carreira pública, a ruína financeira, o afastamento da família e a intensificação da introspecção imposta pela rotina carcerária. Embora tenha sido escrita no final do período vitoriano, não apareceu na íntegra em vida; foi publicada postumamente em versão editada em 1905, com edições posteriores restituindo material adicional à medida que o controlo editorial e as apreensões legais recuaram. Parte confissão, parte investigação moral e parte manifesto estético, a obra transforma a catástrofe pessoal numa meditação profunda sobre o sofrimento, a responsabilidade, o amor e a regeneração espiritual. A prosa de Wilde combina a franqueza epistolar com a grandeza retórica, convertendo a experiência da prisão num laboratório para repensar seus compromissos anteriores com a agudeza, a pose e o distanciamento estético. A influência duradoura da carta reside em sua construção complexa do eu — ao mesmo tempo acusatória e penitencial, analítica e lírica — e em seu poderoso testemunho dos custos psíquicos da condenação social e das instituições punitivas. Como documento central da literatura de fim de século e da história queer, De Profundis moldou leituras modernas da obra de Wilde ao reconfigurar seu fazer artístico à luz das implicações éticas e existenciais da humilhação, da resiliência e da busca de sentido sob pressão.