A Tempestade é um romance tardio de William Shakespeare, escrito no início do século XVII e publicado pela primeira vez no Primeiro Fólio de 1623. Composta no meio linguístico e teatral da Londres jacobina, a peça reflete a dramaturgia madura de Shakespeare no final de sua carreira, quando a companhia King's Men se apresentava tanto no Globe quanto no teatro Blackfriars, fechado. A cena inicial do naufrágio, com suas direções de cena para trovões e relâmpagos e seu diálogo marítimo ágil e técnico, exemplifica o gosto da época por espetáculo e a crescente capacidade do teatro de produzir som e ilusão. Embora nenhum texto-fonte definitivo tenha sido identificado, a obra recorre a relatos de viagem contemporâneos, entretenimentos cortesãos e tradições narrativas de longa data sobre exílio e restauração, moldadas em um drama compacto e cuidadosamente estruturado. Situada numa ilha governada pela arte de Próspero, a peça entrelaça história política com reflexão metateatral, explorando usurpação, educação, servidão e as ambiguidades morais da autoridade. A magia de Próspero funciona tanto como meio de coerção quanto como figura da própria criação teatral, suscitando questões sobre a ética do controle, a fragilidade da ordem civilizada e a possibilidade de reconciliação sem esquecer os agravios. A conjunção de intriga elevada (traição dinástica e casamento diplomático) com contrapontos cômicos e grotescos amplia o alcance tonal da peça, ao mesmo tempo em que intensifica sua meditação sobre liberdade e dependência, mais controversamente na relação entre Próspero e Caliban, que a crítica posterior interpretou sob o prisma do colonialismo e da dominação cultural. A Tempestade exerceu influência duradoura no teatro, na ópera e na literatura moderna, servindo repetidamente como referência para artistas e pensadores interessados no poder da arte de encantar, de iludir e de imaginar novos começos.