About this audiobook
Mark Twain, pseudônimo de Samuel Langhorne Clemens, publicou Um Ianque na Corte do Rei Artur em 1889 nos Estados Unidos, em fase avançada de uma carreira que já o havia consagrado como o principal satirista vernacular da Era Dourada. Escrito em inglês e moldado pela experiência de Clemens como piloto fluvial, jornalista e palestrante, o romance nasce de uma fascinação transatlântica do século XIX pelo romance medieval — especialmente pela renovada popularidade das lendas arturianas — ao mesmo tempo em que reflete debates contemporâneos sobre a modernidade industrial, o conflito de classes e a autoridade moral da religião institucional. Twain enquadra a narrativa como uma memória pseudodocumental mediada por uma persona editorial, um artifício que aproxima o livro das tradições realista e cômica mesmo quando se lança em um deslocamento temporal especulativo. O conceito central — um engenhoso ianque catapultado para a Grã-Bretanha do século VI — permite a Twain encenar um prolongado confronto entre o racionalismo tecnológico e uma sociedade feudal organizada pela superstição, hierarquia e espetáculo. O romance satiriza ideais cavalheirescos, a retórica cortesã e o poder clerical, ao mesmo tempo em que questiona a arrogância do progresso: a confiança do protagonista de que o conhecimento moderno pode “mandar” sobre a história transforma-se em crítica às atitudes imperialistas e em antecipação das ansiedades modernas sobre a violência mecanizada e a engenharia social. Ao combinar burlesco, jogo linguístico e momentos de reversão sombria de tom, a obra influenciou ficções posteriores de viagem no tempo e história alternativa, e permanece texto-chave para compreender como o humor literário norte-americano pôde ser mobilizado em uma denúncia filosófica e política sustentada tanto da nostalgia medieval quanto da fé do século XIX no avanço inevitável.