
Justiça e contradição em Antifonte
Contribuição da Sofística ao nascimento do pensamento jurídico ocidentalBy Nuno Manuel Morgadinho dos Santos CoelhoLength4h 50m
About this audiobook
Antifonte é uma das figuras mais enigmáticas da Grécia clássica. Polemizou com Sócrates, na cena intelectual da Atenas do século V a.C., e teve o mesmo destino do professor de Platão, sendo executado em 411 a.C.
Ensinou retórica, exerceu a arte da interpretação de sonhos e curava a tristeza por meio de discursos. Ele inventou a logografia, escrevendo defesas para que outras pessoas usassem nos tribunais, o que faz dele o primeiro advogado.
É o sofista de quem nos chegou a maior quantidade de textos. Em seus discursos judiciários e fragmentos de obras dedicadas à verdade e ao consenso, estão passagens centrais para entender a discussão sobre justiça, natureza e convenção na filosofia e na cultura grega, e uma das mais antigas referências à igualdade universal: "por natureza, todos nós igualmente nascemos para ser tanto bárbaros quanto gregos em relação a todas as coisas".
O objetivo deste livro é duplo. De um lado, pretende mostrar que uma obra e uma vida tão multifacetadas estão a serviço de demonstrar que o ser humano encontra-se em um jogo infinito de afirmações contrárias (antilogias) que marcam nossa relação com a justiça, a realidade e a verdade.
De outro, busca reconhecer que o exercício antilógico – de que Antifonte foi mestre – esboça o surgimento, já entre os gregos, da consciência sobre o caráter problemático de leis e fatos discutidos nos tribunais – o que caracterizaria o nascimento, já entre os gregos, do pensamento jurídico concebido como Dogmática Jurídica.
Audiobook details
GenrePolitics and Government
Length4 hrs 50 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateDec 16, 2025
LanguagePortuguese
Table of contents
1Introduction
163.2 Proposição da hipótese para leitura de Antifonte
2NOTA PRÉVIA
17CAPÍTULO 4: ANTIFONTE
3INTRODUÇÃO: ROTEIRO, PROBLEMA E MÉTODO
184.1 Antifonte, o primeiro advogado?
4CAPÍTULO 1: DIREITO COMO PENSAMENTO PROBLEMATIZADOR: CARACTERÍSTICAS FUNDAMENTAIS
194.2 A questão sobre a identidade de Antifonte
51.1 Pensamento jurídico como mediação entre leis, fatos e decisão judicial
20CAPÍTULO 5: A PERSPECTIVA ANTILÓGICA NA OBRA DE ANTIFONTE
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61.2 A contribuição grega à invenção do pensamento jurídico
215.1 Parcialidade e dissídio no Fragmento 1, de Acerca da Verdade
71.2.1 A instituição do hiato entre as premissas legais e fáticas do caso e a decisão judicial
225.2 Antilogia e interpretação de sonhos
81.2.2 Consciência da positividade do direito
235.3 Logoterapia: a cura por discursos como exercício antilógico.
9CAPÍTULO 2: POLEMOS COMO TRAÇO SINGULARIZADOR DA CULTURA GREGA
245.4 Antilogia nos fragmentos éticos
102.1 Criticismo e cultura filosófica
255.5 O Fragmento 44 e o problema da justiça
112.2 Polemos e cultura filosófica
265.6 O dissídio nas Tetralogias
122.3 Filosofia e disputa política
275.7 Verdade e justiça no comentário de Bignone, Untersteiner, Caizzi, Cassin e Gagarin: a hermenêutica superadora do dissídio antilógico
132.4 Os sofistas e o dissídio político e filosófico
28CAPÍTULO 6: ANTILÓGICA E INVENTIVIDADE
14CAPÍTULO 3: O SÉCULO ANTILÓGICO
296.1 O dissídio insuperável em Antifonte
153.1 Os sofistas e a radicalização do polemos
306.2 Poder heurístico da erística – contribuição da Antilógica à Teoria do Direito e à Filosofia do Direito