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A Feira das Vaidades, de William Makepeace Thackeray, surgiu no âmbito da cultura impressa vitoriana inicial e foi publicada pela primeira vez em fascículos mensais em Londres entre 1847 e 1848, antes de aparecer em livro. Thackeray, romancista e satirista inglês moldado pela imprensa periódica e pelas instáveis hierarquias sociais da Grã-Bretanha pós-napoleônica, escreveu num momento em que o romance realista consolidava sua autoridade como forma de conhecimento social. Situada sobretudo no contexto da Regência e das Guerras Napoleônicas, a narrativa abre-se nos recintos de um colégio para moças da moda, o que coloca imediatamente o leitor num mundo governado pelo dinheiro, pelo status e pela atuação, enquanto o narrador onisciente e digressivo evidencia a relação autoconsciente da obra com os públicos leitores contemporâneos e com as expectativas morais.
Subtitulada "Um Romance Sem Herói", a obra anatomiza uma sociedade em que a virtude é repetidamente subordinada à vantagem social e em que a identidade é tratada como um repertório de papéis a serem encenados na busca de segurança e prestígio. Thackeray contrapõe a engenhosidade calculada de Becky Sharp à bondade sentimental de Amelia Sedley para expor os limites das tipologias morais convencionais, recorrendo à ironia, ao apelo direto ao leitor e a uma voz narrativa teatralmente dirigida para implicar os leitores nos prazeres do julgamento e da fofoca. Sua influência duradoura reside na fusão de uma sátira social panorâmica com uma caracterização psicologicamente aguda e na crítica à gentileza mercantilizada, ajudando a definir a tradição realista vitoriana ao mesmo tempo em que antecipa explorações romanescas posteriores sobre performances sociais pouco confiáveis e sobre a ética do espectador.