
A Boa-Fé Objetiva no Direito Tributário Brasileiro
Justificativas e Limites de sua AplicabilidadeBy Túlio VenturiniLength21h 37m
About this audiobook
O instituto da boa-fé objetiva é, sem dúvidas, um dos mais complexos de nosso ordenamento: em que pese sua aplicabilidade ampla, enquanto verdadeiro corolário do direito positivo, sua construção dogmática enquanto um conceito indeterminado torna sua operacionalização muitas vezes complexa e pouco efetiva.
Além disso, tal como a boa-fé foi empregada ao longo da evolução epistemológica do direito brasileiro, criou-se ainda a falsa noção de que se trata de um instituto restrito ao direito privado, sendo que seu uso no direito público (notadamente o direito tributário) é inócuo e até mesmo impraticável.
A presente obra tem, portanto, uma missão dúplice: em primeiro lugar, será demonstrado que a boa-fé, em que pese tenha tido sua evolução axiológica e instrumental no âmago do direito privado, é um instituto de direito positivo, possuindo uma aplicabilidade muito mais ampla e apta a, inclusive, solucionar complexos problemas evidenciados no bojo do direito público.
Superado esse aspecto, há ainda o segundo ponto a ser tratado: não obstante seja a boa-fé um conceito de aplicabilidade autônomo, é necessário demonstrar o porquê de se falar em boa-fé e quais as peculiaridades desse instituto face a outros de alcance semelhante, como a proteção da confiança legítima e a segurança jurídica.
Audiobook details
GenrePolitics and Government
Length21 hrs 37 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateJan 20, 2026
LanguagePortuguese
Table of contents
1PREFÁCIO
2INTRODUÇÃO
3A. Justificativas do tema, de sua delimitação e de sua abordagem
4B. Metodologia da análise (ou como se dará o desenvolvimento da temática)
5C. Plano de estudo e estruturação dos capítulos
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61. INVESTIGAÇÕES SOBRE A BOA-FÉ: ORIGEM HISTÓRICA E CONTEÚDO EPISTEMOLÓGICO E NOMOGENÉTICO DO INSTITUTO
71.1. O que é a Boa-fé: suas raízes e a busca por um conceito
81.1.1. As origens históricas da boa-fé: a boa-fé no direito romano
91.1.2. A fides romana
101.1.3. A origem do instituto e a dicotomia entre a “fides” e a “bona fides”
111.2. A difusão e a diluição da bona fides no sistema jurídico romano: o firmamento da noção de boa-fé enquanto um critério da mitigação do formalismo
121.2.1. A diluição da boa-fé: a relação entre a noção de bona fides com a noção de justiça particular (aequitas)
131.2.2. A bona fides enquanto recurso hermenêutico da retórica em vista a um ideal de justiça. Seria essa a definição ancestral da boa-fé?
141.3. Os contributos do direito canônico e germânica para a consolidação da boa-fé
151.4. A primeira e a segunda sistemática como movimentos de racionalização para a maturação do conceito de boa-fé
161.4.1 Incursões humanistas da primeira sistemática na definição da boa-fé
171.4.2. O jusracionalismo e a consagração da boa-fé enquanto um “princípio geral de direito”
181.4.2.1. A influência de Samuel von Pufendorf na delimitação valorativa da boa-fé
191.4.2.2. O pensamento de Espinosa na formação conceitual da boa-fé
201.4.3. Síntese do pensamento jusracionalista: qual a herança deixada por esse período?
211.5. Considerações modernas sobre a boa-fé: o § 242 do Bürgerliches Gesetzbuch e a influência kantiana
221.6. E o direito brasileiro? O conteúdo valorativo da boa-fé no direito brasileiro: 1.6.1. Crítica ao conceito brasileiro de boa-fé: a boa-fé enquanto um mero recurso retórico
231.7. Síntese do capítulo e conclusões parciais: qual o significado técnico de boa-fé?
242. SIGNIFICAÇÕES DA BOA-FÉ E NATUREZA DEÔNTICA DO INSTITUTO: A BOA-FÉ ENQUANTO UM PARÂMETRO DE JUSTIFICAÇÃO DOS MANDAMENTOS LEGAIS
251. A classificação deôntica da boa-fé
26a. Aspectos introdutórios: ainda em busca de uma definição de boa-fé
27b. Uma nova proposta de classificação: a boa-fé enquanto um postulado
28c. A boa-fé e a característica dos postulados prescindirem de positivação expressa: razões derivadas de direito
29d. Um ponto importante: as razões derivadas são razões de direito aptas a gerarem justificativas juridicamente válidas?
30i. Justificação da adequação das razões jurídicas e teorias da interpretação: explicando a validade das razões derivadas
31e. Síntese conclusiva: a delimitação positiva do postulado da boa-fé objetiva
323. DEFINIÇÃO NEGATIVA DA BOA-FÉ (O QUE NÃO É A BOA-FÉ E O PORQUÊ EM SE PERQUIRIR POR UMA INDEPENDÊNCIA CONCEITUAL DA BOA-FÉ EM RELAÇÃO A OUTROS SINTAGMAS SEMELHANTES)
333. A definição positiva de boa-fé é exaustiva e suficiente para conferir identidade a essa noção?
343.1. A boa-fé e as demais ideias jurídicas correlatas
353.2. Os pontos de similaridade entre a boa-fé e outros elementos informadores do sistema jurídico
363.2.1. A boa-fé e a equidade
373.2.1.1. A primeira diferença: dimensões normativas assumidas
383.2.1.2. A segunda diferença: relações instrumentais e finalísticas
393.2.2. A boa-fé, a segurança jurídica e a confiança legítima
403.2.3. A relação entre a boa-fé, a segurança jurídica e a confiança legítima: pontos de tensão
413.2.4.1. A primeira diferença: dimensões normativas assumidas
423.2.4.2. A segunda diferença: abstração e concretude dos institutos e relação de causa e efeito
433.4. Síntese conclusiva: o conceito final de boa-fé
444. A BOA-FÉ NO DIREITO TRIBUTÁRIO PENAL E O ERRO ESCUSÁVEL: A APLICAÇÃO DO POSTULADO DA BOA-FÉ OBJETIVA ENQUANTO CRITÉRIO MITIGADOR DAS SANÇÕES TRIBUTÁRIAS
454. Considerações gerais sobre a teoria das sanções
46a. Os elementos da culpabilidade e sua relação com a boa-fé
47b. Teorias sobre a conduta: o direito enquanto sancionador de condutas efetivamente valoradas
481. A boa-fé objetiva como expediente para excluir a culpabilidade e mitigar as sanções aplicáveis
492. Estudo do caso da responsabilidade do comprador de mercadorias advindas de fornecedor declarado inidôneo: a boa-fé objetiva sob uma óptica da prática dos tribunais
50c. O erro na perspectiva tributária