
Length13m
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O ator, mais do que alguém que precisa ter um corpo educado e um intelecto sistematizado em conceitos e linguagens, carece de ter a capacidade de transpor obstáculos que geram a dualidade mente e corpo, que tanto compromete o teatro, principalmente o ocidental. Ele precisa ver-se na intensidade humana e existencial que demanda seu ofício, cuja mesma humanidade e seus sulcos e ranhuras são o caldo criativo.
Audiobook details
GenreOther
Length13 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
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Publish dateJul 19, 2020
LanguagePortuguese
Table of contents
1Cosolidação Sensorial (Peripersona) Peripersona Na teoria da Transposição, na busca de um signo autêntico que desencadeie uma ação teatral intensa visando um entendimento epidérmico do que seja o processo teatral em si, se busca o que chamo de consolidação sensorial. Tal conceito visa disparar no ator um sentido físico do processo criativo como um todo, através de fragmentos de todas as possibilidades cênicas diluídas nos diversos personagens. Acredito que exista um “inconsciente dramático”, presente em todo novo processo. Como ele se dá em processo colaborativo a partir de exercícios e pesquisas comuns a todos, há um DNA presente em todas as construções de personagens de um mesmo processo. Chamo isso de peripersona, uma espécie de membrana cênica que reveste todos os personagens sem afetar a singularidade de cada um. Essa “membrana cênica” dá a liga necessária a manter o trabalho dos atores e atrizes inéditos sempre, buscando livrar-se de meras repetições de pesquisas já feitas. Ela nasce da contribuição única que ocorre em cada novo processo. Enfim, para se alcançar tal estado de coisas, se constróem exercícios de fragmentos, onde o elenco busca, experimentando gestos e movimentos de vários personagens do espetáculo, uma liga que o faça entender o que há de singular em tal pesquisa. O ator e a atriz aceitam deliberadamente ser contaminados pela pesquisa de seu companheiro(a) de jogo, para juntos capturarem a peripersona. No entanto, para que ocorra a consolidação sensorial, é fundamental que o processo ocorra de maneira “colaborativa”, com a contribuição coletiva de todos os envolvidos no processo, orientados pelo encenador. Quando o Diretor exacerba o entendimento de sua função, e passa a centralizar todas as ações em si (marcas, elementos da construção, etc.), ocorre o fenômeno contrário, que chamo de egopersona, pele densa, sem poros, que abafa o processo criativo cerceado, fazendo de todos, artesãos, não artistas.
2A Peripersona no trabalho do ator Na busca pela consolidação sensorial, o ator deve ser estimulado a encontrar em seu corpo refluxos provindos da construção de outros atores que, com ele, jogam no processo de construção de um espetáculo. Mais do que sintonia, ele deve entender que a sua construção passa por fragmentos que nascem na construção coletiva, fazendo com que exista sempre algo do outro (e não falo filosoficamente e sim de maneira concreta), na sua maneira específica de atuar. Ciente disso, ele deve estar atento ao fato de que a substituição de um personagem deve ser "via poros" da construção, isto é, jamais se deve tentar acoplar um novo ator no processo e sim entender que esse novo ator, trará contribuições e precisará se impregnar do processo através de exercícios de consolidação sensorial. Muito embora, isso pareça, a primeira vista, comprometer o andamento de um espetáculo que às vezes carece de prazo ou substituição rápida, atentando para esse aspecto da construção cênica, se ganhará em qualidade artística e sensorial.
3Exercícios de Consolidação Sensorial:
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