
"Quando você convive muito com a morte, você se acostuma com ela"
os karai kuera e suas violências contra os Avá-Guarani da bacia do rio Piquiri (PR)By Alexsander B. Carvalho SousaLength6h 28m
About this audiobook
O livro aborda as formas de violências contra o povo indígena Avá-Guarani diante do contexto da retomada de uma parcela do seu território de ocupação tradicional. Essa publicação é fruto de pesquisa etnográfica realizada com os Avá-Guarani, localizados nos municípios de Guaíra e Terra Roxa, onde, ao longo dos anos 2000 iniciaram o movimento de entrar novamente nas terras em que foram espoliados ao longo dos séculos XIX e XX. Este movimento, protagonizado pelas lideranças indígenas juntamente ao seus núcleos familiares, demandou da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) a abertura do processo administrativo para a identificação e demarcação de uma Terra Indígena que foi nomeada de T.I. Tekohá Guasú Guavira. No entanto, um forte movimento de agricultores antagonistas à demarcação das terras para os Avá-Guarani passaram a realizar um movimento contrário as demandas territoriais dos Avá-Guarani, difamando a imagem dos indígenas, que passaram a ser qualificados como "invasores de terras" e "falsos índios", bem como a ser alvos de frequentes ameaças de morte e outros ataques, como atropelamentos e tentativas de atropelamentos e sequestro. Desse modo, ao longo do livro veremos como os indígenas relatam as situações de violências físicas e simbólicas que perpassam em seus corpos. Também é abordado o movimento antagonista à demarcação de terras para os Avá-Guarani e as formas por meio das quais se deu a propagação do imaginário do "índio invasor", que serviu para justificar uma série de atrocidades desferidas aos indígenas. Busco mostrar que a violência contra os Avá-Guarani não é produto apenas do momento atual, mas que ela aparece em diversas "situações históricas" (PACHECO DE OLIVEIRA, 1988) sob diferentes roupagens. Para tanto, fiz a distinção de cinco situações históricas, abordadas no segundo capítulo: a) a construção da Ciudad Real na foz do Rio Piquiri e as reduções jesuíticas (século XVII); b) Guerra contra o Paraguai e a criação da Cia. Mate Laranjeira (final do XIX e inícios do XX); c) Marcha para o Oeste e as políticas de expansão para o interior do país; d) Construção da Itaipu Binacional (em contextos da ditadura militar, 1970-1980) e e) a situação histórica atual configurada pelo agronegócio e regularização fundiária das terras Avá-Guarani.
Audiobook details
GenrePsychology
Length6 hrs 28 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateAug 26, 2021
LanguagePortuguese
Table of contents
1LISTA DE SIGLAS E ABREVIAÇÕES
111. A construção da Ciudad Real na foz do rio Piquiri e as Reduções Jesuíticas
2INTRODUÇÃO
122. A Guerra Contra o Paraguai e a Cia Matte Larangeira
3CAPÍTULO 1. A VIOLÊNCIA CONTRA OS AVÁ-GUARANI NO EXTREMO OESTE DO PARANÁ E A CONSTRUÇÃO DE UM CAMPO DE ESTUDO
133. A “Marcha para o Oeste”
41. Chegando ao campo e o encontro com uma “violência silenciosa”
144. A construção da Hidrelétrica Itaipu Binacional durante o contexto de ditadura militar
52. Os relatos sobre violência narrados pelos Avá-Guarani e as motivações para a dissertação
155. A situação histórica atual. O neoliberalismo, a hegemonia do agronegócio e as reivindicações pela demarcação e regularização da Terra Indígena Tekoha Guasú Guavirá (PR).
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63. A violência contra os indígenas não é novidade, ela perpassa pela história
16CAPÍTULO 3. AS VIOLÊNCIAS NO ATUAL CONTEXTO DE DEMARCAÇÃO DE TERRAS INDÍGENAS
74. Sobre o campo da antropologia da violência
171. A Aldeia Tekoha Yhovy
85. A noção de situação histórica
182. As Distintas formas de violência: preconceito racial, assassinato, ameaças com porte de arma, sequestro e abuso sexual
96. A pesquisa em campo
193. As tentativas de apagamento da presença indígena e a produção do “índio invasor”
10CAPÍTULO 2. AS DISTINTAS SITUAÇÕES HISTÓRICAS
20CONSIDERAÇÕES FINAIS