
As Lutas Operárias no Brasil
A Greve da Belgo-Mineira em João Monlevade/MG - 1986By Elizeu Antônio de AssisLength2h 54m
About this audiobook
A Greve dos Metalúrgicos de João Monlevade, em 1986, foi um dos acontecimentos mais marcantes da história recente do trabalho no Brasil. Muito além de um conflito trabalhista localizado, a paralisação na Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira expôs as tensões da Nova República, os limites do ordenamento jurídico herdado do autoritarismo e o papel ativo da imprensa na disputa de narrativas sobre direitos, ordem e democracia.
Nesta obra, Elizeu Antônio de Assis reconstrói a Greve de 1986 como processo histórico, experiência social e memória em disputa. A partir de ampla pesquisa documental, análise crítica da cobertura jornalística, comunicados empresariais, informativos sindicais e registros judiciais, o livro revela como o conflito ultrapassou os muros da fábrica e mobilizou a cidade, as famílias, a comunidade e redes nacionais e internacionais de solidariedade.
Longe da leitura simplificadora que reduz a greve à derrota ou desordem, o autor demonstra como o movimento produziu ganhos duradouros: formação de lideranças, ampliação da consciência política, incidência no processo constituinte e a construção de políticas públicas que marcaram a história de João Monlevade e do país.
Mais do que um registro histórico, este livro é um gesto de memória, reconhecimento e responsabilidade. Uma obra fundamental para compreender a história do trabalho, do sindicalismo e da democracia brasileira a partir da voz daqueles que sustentaram a indústria com o próprio corpo e a própria dignidade.
Audiobook details
GenreOther
Length2 hrs 54 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
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Publish dateMay 8, 2026
LanguagePortuguese
Table of contents
1DEDICATÓRIA
2NOTA DO AUTOR
3PREFÁCIO
4INTRODUÇÃO GERAL: Trabalho, memória e luta de classes no Brasil
5INTRODUÇÃO GERAL: Quarenta anos depois: trabalho, memória e luta de classes no Brasil
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6CAPÍTULO 1 - A FORMAÇÃO DA CLASSE OPERÁRIA NO BRASIL: TRABALHO, CONFLITO E ORGANIZAÇÃO COLETIVA
71.1. Trabalho, sociedade e desigualdade na formação do Brasil
81.2. A industrialização tardia e o nascimento do operariado urbano
91.3. As primeiras organizações operárias e a cultura da resistência
101.4. Estado, legislação e controle do trabalho
111.5. Industrialização pesada, siderurgia e o operariado mineiro
121.6. Classe operária, memória e conflito como motor da história
13CAPÍTULO 2 - A LUTA OPERÁRIA E OS DIREITOS TRABALHISTAS E PREVIDENCIÁRIOS: CONQUISTA, REGULAÇÃO E CONTROLE SOCIAL
142.1. Direitos sociais não caem do céu: por que surgiram os direitos trabalhistas e previdenciários
152.2. O trabalho “livre” sem direitos: o cenário anterior à legislação social
162.3. O ciclo Vargas e a “invenção” do trabalhador como categoria política
172.4. A CLT: conquista histórica e mecanismo de regulação do conflito
182.5. Sindicatos: entre autonomia e tutela — o corporativismo como forma de controle
192.6. Previdência social: proteção contra riscos e organização do tempo da vida
202.7. A formação histórica da previdência no Brasil: da segmentação à unificação
212.8. Previdência e seguridade: direitos sociais como pacto civilizatório
222.9. O “controle social” embutido nos direitos: disciplina, moralidade e administração da pobreza
232.10. O que fica fora: informalidade, ruralidade e desigualdade estrutural
242.11. Crises, reformas e disputas contemporâneas: quando direitos viram “custos”
252.12. A Greve Além do Salário: Legitimidade e Ordem no Confronto de 1986
262.13. Acidente de trabalho, insalubridade e medicina do trabalho: o corpo operário entre proteção e controle
272.13.1. O acidente de trabalho como expressão do modo de produção
282.13.2. Do silêncio à regulamentação: quando o acidente vira direito
292.13.3. Insalubridade e periculosidade: trabalhar adoecendo
302.13.4. A medicina do trabalho: entre cuidado e vigilância
312.13.5. Corpo, disciplina e subjetividade operária
322.13.6. Acidente, previdência e conflito: quando o direito não basta
332.13.7. A biopolítica da Belgo-Mineira: Medicina, Controle e Silenciamento
34CAPÍTULO 3 - JOÃO MONLEVADE/MG, A BELGO-MINEIRA E A CIDADE-EMPRESA: TRABALHO, VIDA COTIDIANA E CONTROLE SOCIAL
353.1. A cidade que nasce da fábrica: industrialização e território
363.2. Moradia operária: hierarquia, vigilância e dependência
373.3. Saúde, assistência e medicina empresarial
383.4. Educação, formação e disciplina
393.5. Lazer, clubes e o controle do tempo livre
403.6. Sindicato, empresa e conflito permanente
413.7. Cidade-empresa e autoritarismo: afinidades estruturais
423.8. Vida cotidiana, medo e silenciamento
433.9. A cidade-empresa em crise: fissuras no modelo
443.10. Ponte direta para a Greve de 1986
45CAPÍTULO 4 - DITADURA CIVIL-MILITAR, REPRESSÃO E MUNDO DO TRABALHO: OS OPERÁRIOS DE JOÃO MONLEVADE/MG SOB VIGILÂNCIA
464.1. O golpe de 1964 e a redefinição autoritária das relações de trabalho
474.2. Empresas e ditadura: da hipótese à investigação histórica
484.3. João Monlevade/MG sob intervenção: repressão imediata e controle sindical
494.4. Prisões, violência e criminalização da luta operária
504.5. Demissões forçadas e disciplinamento coletivo