Tempo da festa x tempo do trabalho

Tempo da festa x tempo do trabalho

carnavalização na belle époque tropicalBy Dilmar Miranda
Michael Caine
Listen with Sir Michael Caine™ and 1,000+ voices
Length14h 15m

About this audiobook

No choque entre a Norma e a Festa, esta revela momentos especiais para os segmentos populares quando seus participantes imergem numa onda de liberdade utópico-ucrônica. Mais do que a suspensão da vida ordinária (Bakhtin), a festa representa o desejo de uma vida outra expressa na ludicidade transgressora contra o mundo da norma. É quando o outsider busca se apossar do seu sentido. Na luta pela sua hegemonia, setores populares buscam realocar suas intenções na perspectiva da afirmação de desejos utópicos-ucrônicos. Destaca-se entre nós, desde o Brasil Colônia, a festa barroca luso-cristã, com boa acolhida no seio das práticas afro-populares, com apropriações e sentidos transgressivos, devido à intenção carnavalizante que nela se incorpora. Manifestação lúdica e cívico-religiosa do pacto entre a fé e a lei, ela expressa um evento do poder que buscava selar a união da Igreja da Contrarreforma com o Estado absolutista luso. Mas, à sua revelia, representou momentos preciosos quando setores populares a redirecionam, provocando constantes tensões, latentes ou manifestas, com a Igreja. A resposta popular era ""o riso, a substituição da exaltação religiosa por outra, profana, o detrimento de personagens clericais e a busca de brechas para subverter a ordem"" (Priore). Tal embate irá provocar o adensamento transgressivo efetivado na carnavalização típica de várias práticas afro-luso-brasileiras, sobretudo na virada do século XX. É desta festa que nos dedicamos em especial a analisar.

Audiobook details

GenrePsychology
Length14 hrs 15 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
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Publish dateApr 7, 2022
LanguagePortuguese

Table of contents

1Introduction
324.1 A origem das coisas “quarenta minutos antes do nada” - o equívoco da virtude original e os começos cinzentos das coisas
2APRESENTAÇÃO
334.2 A MATRIZ EURO-OCIDENTAL: O SOM DAS ALTURAS
3UMA APRESENTAÇÃO EM DOIS TEMPOS
344.3 A FORMA-SONATA E A HISTORICIDADE DA CONSCIÊNCIA BURGUESA
41 DE TE FABULA NARRATUR
354.4 A ESTÉTICA ROMÂNTICA E O PRENÚNCIO DA CRISE DA RAZÃO TONAL E DO SOM DAS ALTURAS
52 A ARTE MUSICAL COMO INSTÂNCIA FECUNDA PARA A REFLEXÃO DA SOCIABILIDADE
364.5 A MÚSICA MODAL E A PRIMAZIA DO PULSO
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6INQUIETAÇÕES E DILEMAS (A TÍTULO DE INTRODUÇÃO)
374.6 TEMPO, MÉTRICA E RITMO
7CAPÍTULO IMÚSICA E SIGNIFICADO
38CAPÍTULO V AS DIÁSPORAS NEGRAS - DA GRANDE À PEQUENA ÁFRICA
81.1 A SOCIEDADE E A VIDA DAS FORMAS POÉTICO-ESTÉTICAS
395.1 Da preação ao cativeiro, uma vida de horrores
91.2 ESTÉTICA E SENTIDO MUSICAL
405.2 OS ÊXODOS NEGROS E AS NOVAS PRÁTICAS CULTURAIS AFRO
101.3 SENSIBILIDADE E RAZÃO
415.3 O CORPO NEGRO ENTRE A ÁRVORE DO ESQUECIMENTO E O PELOURINHO
111.4 A GRANDE INFLEXÃO - A ESTÉTICA MUSICAL ROMÂNTICA
425.4 O ÊXODO AFRO-BAIANO DE SALVADOR AO RIO - RESISTÊNCIA E LUTA PELA IDENTIDADE
121.5 A ESTÉTICA HEGELIANA ENTRE O RACIONALISMO E O ROMANTISMO
435.5 O RIO DE JANEIRO DO SÉCULO XIX E A NOVA ORDEM MUNDIAL
131.6 SCHOPENHAUER E A MÚSICA COMO SENTIDO IMEDIATO DO MUNDO
445.6 TEMPO DO TRABALHO, A NOVA ORDEM E A NOVA ÉTICA
141.7 O ROMANTISMO TARDIO - WAGNER E A ARTE TOTAL
455.7 A BELLE ÉPOQUE TROPICAL E O CONFRONTO DE CULTURAS
151.8 A ARTE MUSICAL EM NIETZSCHE E A EXPLOSÃO DIONISÍACA
465.8 TEMPO E LUGAR DA FESTA: RUA VISCONDE DE ITAÚNA, 117 - ONDE TUDO COMEÇOU/ ONDE TUDO ACABOU/ POR ONDE TUDO PASSOU
161.9 DA INSIGNIFICÂNCIA SEMÂNTICA AO PLENO SENTIDO DO MUNDO
475.9 A PERDA DA INOCÊNCIA
171.10 O ÍMPETO ROMÂNTICO E O PRENÚNCIO DA VIRADA LINGUÍSTICA
48CAPÍTULO VIA VIDA DAS FORMAS DA FESTA ENTRE A FLOR AMOROSA (1870) E SE VOCÊ JURAR (1930)
18CAPÍTULO IITEMPOS E TEMPORALIDADES
496.1 PREPARANDO A CENA
192.1 O TEMPO E A CONSTRUÇÃO DAS TEMPORALIDADES NO CURSO DOS TEMPOS
506.2 A CENA URBANA E A MODERNA MÚSICA POPULAR
202.2 TEMPO E TEMPORALIDADE CRISTÃ: INFLEXÕES, ARCOS E LINEARIDADE
516.3 O LUNDU
212.3 TEMPO DOS HOMENS - TEMPO DOS CORPOS E DO TRABALHO
526.4 A MODINHA
222.4 AS MULTITEMPORALIDADES NAS CULTURAS AFRO E A CONCEPÇÃO DE UM TEMPO OUTRO
536.5 A VALSA BRASILEIRA
23CAPÍTULO III A TRANSGRESSÃO PELA FESTA
546.6 A POLCA
243.1 A VISÃO CARNAVALIZADA DO MUNDO E O PODER TRANSGRESSOR DA FESTA POPULAR
556.7 O CHORO
253.2 O CAMPO CONCEITUAL COMUM - O DIONISÍACO E A CARNAVALIZAÇÃO
566.8 SOCIABILIDADES E FORMAS DA FESTA NO TEMPO DO TRABALHO
263.3 O CONCEITO ESTRATÉGICO DE INTERVERSÃO
576.9 O MAXIXE
273.4 A PARTICIPAÇÃO NA FESTA BARROCA
586.10 O SAMBA
283.5 A FOLIA NEGRA NAS FRESTAS DA FESTA OFICIAL
596.11 O SAMBA EM MARCHA: A DEIXA FALAR PEDE PASSAGEM
293.6 UTOPIA E UCRONIA NO TEMPO DA FESTA
60CAPÍTULO VII A SÍNCOPE DO MODERNO SAMBA URBANO - O RITMO DE UM NOVO TEMPO
303.7 A GRANDE COMILANÇA E O DESEJO UTÓPICO DA MESA FARTA
61DA CAPO O RETORNO A UM NOVO COMEÇO
31CAPÍTULO IVAS DUAS GRANDES MATRIZES DA MPB

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