
Remanescentes de Quilombos
escravatura, disputas territoriais e racismo institucionalBy Paulo Rosa TorresLength9h 21m
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Por mais de trezentos anos foram trazidos para a América cerca de doze milhões de escravizados africanos, dos quais estima-se que quatro milhões vieram para o Brasil. A partir dessa política empreendida pelos colonizadores europeus, a escravização deixa de ter as antigas motivações de guerras vencidas, dívidas, crimes etc. para assumir um caráter essencialmente racista, passando a se dar pela cor da pele, pele negra. Se de um lado a escravização representava um negócio lucrativo por ser, durante os períodos colonial e imperial, a principal mão de obra, do outro, o escravizado jamais se conformou com tal situação, empreendendo fugas, se organizando em quilombos e resistindo de todas as formas possíveis, resistência que vai além da abolição formal da escravatura, permanecendo até os dias atuais, na figura de seus remanescentes. Este livro faz o trajeto da escravatura, demonstrando que por trás de sua naturalização está o racismo institucional, que penetra as estruturas da sociedade e do Estado, impedindo o reconhecimento das comunidades remanescentes de quilombos e a consequente titulação de seus territórios tradicionais. A pesquisa fundamentada em vasta literatura especializada e em dados oficiais evidencia com imensa clareza ações e omissões de agentes públicos que podem ser interpretados como racismo institucional, na medida em que os conflitos se avolumam, enquanto os processos de titulação desses territórios apresentam números irrisórios, afrontando o disposto no art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórios.
Audiobook details
GenreOther
Length9 hrs 21 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateMar 8, 2021
LanguagePortuguese
Table of contents
1Introduction
21. INTRODUÇÃO
31. ESCRAVATURA: ORIGENS, NATURALIZAÇÃO E LEGITIMAÇÃO
41.1 ORIGENS
51.2 NATURALIZAÇÃO
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61.3 LEGITIMAÇÃO
71.3.1 RELIGIOSA
81.3.2 HEBREUS
91.3.3 EGÍPCIOS
101.4 LEGITIMAÇÃO FILOSÓFICA
111.4.1 PLATÃO
121.4.2 ARISTÓTELES
131.5 LEGITIMAÇÃO PELA NORMA
141.5.1 CÓDIGO DE HAMURABI
151.5.2 AS LEIS, DE PLATÃO
161.5.3 DIGESTO OU PADECTAS DO IMPERADOR JUSTINIANO
17CAPÍTULO 2. A ESCRAVIZAÇÃO AFRICANA NO BRASIL. ANTECEDENTES. A LEGALIDADE DA ESCRAVATURA BRASILEIRA. A ESCRAVATURA BRASILEIRA NA ILEGALIDADE.
182.1 ANTECEDENTES
192.2 DA ÁFRICA PARA O BRASIL
202.3 A LEGALIDADE DA ESCRAVATURA BRASILEIRA
212.4 A ESCRAVATURA BRASILEIRA NA ILEGALIDADE
22CAPÍTULO 3. NEM DÓCIL, NEM CONFORMADO: RESISTÊNCIAS, REVOLTAS E ORGANIZAÇÃO: O QUILOMBO
233.1 RESISTÊNCIAS E REVOLTAS
243.2 ORGANIZAÇÃO: O QUILOMBO
25CAPÍTULO 4. REMANESCENTES DE QUILOMBOS: ABOLICIONISMOS, COMPLEXIDADE, DIVERSIDADE E RECONHECIMENTO
264.2 REMANESCENTES DE QUILOMBOS E RECONHECIMENTO
274.3 DIFERENÇA E IGUALDADE
284.4 DIVERSIDADE, TERRITÓRIOS TRADICIONAIS E TERRITORIALIDADE
294.5 COMPLEXIDADE E QUILOMBOLAS
30CAPÍTULO 5. TITULAÇÃO DOS TERRITÓRIOS QUILOMBOLAS: O LEGAL, O REAL E A NEGAÇÃO DO DIREITO
31CONSIDERAÇÕES FINAIS
32POSFÁCIO