
Mature
Length6h 39m
About this audiobook
Todos conhecem da história de Marco Polo, o viajante veneziano que no século XIII conheceu detalhes, até então ignorados pelos Ocidentais, sobre o Império Mongol e a China da dinastia Yuan. Mesmo nos dias de hoje suas descrições estão entre os mais importantes documentos sobre a vida política e o cotidiano no Oriente. Mas existiria uma contraparte oriental? Ou seja, um viajante que, partindo do Oriente, entrasse em contato com o mundo europeu medieval e o descrevesse para seus conterrâneos? O exemplo mais famoso que temos é o de Raban Bar Sauma. Contemporâneo de Marco Polo (embora não chegasse a conhecê-lo), Sauma foi monge de origem uigure ou mongol turca, nascido próximo a Pequim nas primeiras décadas do século XIII, durante a dinastia Yuan (mongol). Era um cristão de rito oriental – usualmente conhecidos pelos ocidentais como nestorianos –, que se tornou monge aos 20 anos, para infelicidade de sua família, abandonando o que parecia ser uma vida de conforto. Vivendo uma vida ascética, acabou contatado por um jovem, Raban Markos, que decidiu ser seu seguidor. Em determinado momento de sua experiência religiosa, decidiram iniciar uma peregrinação a Jerusalém, onde esperavam receber a remissão de seus pecados. Sua viagem não teve sucesso pois, por conta de conflitos que interrompiam as passagens ao território da Palestina, acabaram ficando em Bagdá. Lá, porém, a vida destes dois viajantes religiosos acabou sendo profundamente alterada: Raban Markos, o mais jovem e pupilo de Raban Sauma, acabou sendo escolhido Patriarca da Igreja do Oriente. Para que tal escolha, porém, fosse efetivada, era necessária a aprovação do Ilcã Arghun. O Ilcanato era uma subdivisão do império mongol (governado pelo Cã – boa parte das aventuras de Sauma e Markos se deu sob o governo de Cublai Cã) que envolvia, geralmente, o Irã, a Turquia e o Azerbaijão, embora tenha eventualmente se estendido ao territórios que hoje corresponderiam ao Iraque, à Síria, à Armênia, ao Paquistão e ao Afeganistão. O Ilcã Arghun era budista, mas tratava de maneira afetuosa os cristãos, e recebeu muito bem os dois viajantes, inclusive confirmando o patriarcado de Raban Markos – que mudou de nome e passou a ser conhecido como Iabalaha (sendo o terceiro Patriarca deste nome). Mas para Sauma este encontro também significou uma mudança importante em sua vida. Desejando estabelecer uma aliança com as potências da Europa Ocidental contra o sultanato mameluco, Arghun Cã designou Raban Bar Sauma como seu embaixador nas cortes ocidentais. Muito provavelmente, o fato de Sauma ser cristão influenciou esta escolha, pois se acreditava que, assim, seria mais facilmente acolhido. O que se demonstrou verdadeiro. Acompanhado de uma grande comitiva, além de uma considerável soma em dinheiro e presentes a serem dados aos governantes ocidentais, Sauma iniciou sua viagem. Dentre os pontos mais notáveis de sua experiência, passou por Bizâncio onde encontrou o Basileu Andrônico II; em Nápoles, conversou com Carlos II; chegou ao reino da França, onde encontrou Felipe IV, o Belo; dirigiu-se à Gasconha, onde se encontrou com o rei Inglês Eduardo I; e, em sua viagem de volta, encontrou o recém eleito papa Nicolau IV – Sauma chegou inclusive a celebrar uma missa, junto ao Papa, em Roma. Ainda que esta narrativa seja, por si só, riquíssima, o texto original siríaco não se restringe ao relato da viagem, mas acompanha o Patriarcado de Raban Markos, agora Iabalaha III. O texto apresenta importantes informações sobre a decadência do cristianismo no oriente nas últimas décadas do século XIII, devido às mudanças políticas e religiosas no Ilcanato, resultado de sangrentos conflitos, particularmente com muçulmanos, e que quase custaram a vida do próprio Iabalaha.
Audiobook details
GenreHistory, Other
Length6 hrs 39 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateSep 28, 2022
LanguagePortuguese
Table of contents
1Apresentação do Editor
26Raban Sauma e Raban Markos desejam ir a Jerusalém
2Prefácio
27Raban Markos é ordenado Metropolita, e é Chamado Mar Iabalaha, e Raban Sauma torna-se Vigário Geral
3INTRODUÇÃO
28Iabalaha é eleito Patriarca
4Os Cristãos Nestorianos e suas doutrinas
29As falsas acusações que Mar Iabalaha sofreu nos dias do Rei Ahmad
5A crença de Nestório
30Sobre a partida de Raban Sauma para o País dos Romanos em nome do Rei Arghun e do Católico Mar Iabalaha
Show all chaptersShow less
6Progresso do Nestorianismo
31A viagem de Raban Sauma ao país dos romanos em nome do rei Arghun e do Católico Mar Iabalaha
7A conversão do Turquestão
32Raban Sauma em Bizâncio
8Queda da Igreja Nestoriana na China
33Raban Sauma na Itália e na grande Roma
9O credo e a doutrina dos Nestorianos
34A crença de Raban Sauma, que os Cardeais exigiram dele
10As viagens dos monges chineses Nestorianos, Raban Sauma e Markos
35Raban Sauma na França ou Franguestão
11I. As viagens de Sauma e Markos
36Raban Sauma vai ao Rei da Inglaterra
12II. As viagens de Raban Sauma
37Raban Sauma retorna a Roma
13III. O Patriarcado de Mar Iabalaha III
38O retorno de Raban Sauma de Roma e de Mar Papa, o Patriarca católico dos romanos e de todos os ocidentais
14O declínio do Cristianismo na Ásia Central e na China
39Os bons atos do Rei Arghun e sua morte
15Os Nestorianos modernos
40Rei Gaykhatu e Mar Iabalaha
16A ascensão e queda do primeiro Império Mongol
41A morte de Raban Sauma e dos Reis Gaykhatu e Baydu
17Os mongóis e o cristianismo
42A perseguição a Mar Iabalaha e aos cristãos em Maragheh
18A língua Mongol
43Rei Gazã presta honra a Mar Iabalaha
19O progresso do maometanismo no século XIII
44Roubos e assassinatos em Maragheh
20A Estela Nestoriana em Siganfu
45Rebeliões e lutas na Fortaleza de Arbil
21TRADUÇÃO DO TEXTO EM SIRÍACO
46Mar Iabalaha conclui o mosteiro de Maragheh
22A oração do tradutor sírio
47O amor do Rei Gazã por Mar Iabalaha e sua morte
23Prefácio do tradutor sírio
48Rei Oljaito e Mar Iabalaha
24A história de Raban Sauma
49O massacre dos cristãos em Arbil
25A história de Mar Iabalaha, Católico e Patriarca do Oriente
50A morte de Mar Iabalaha