
Length11h 14m
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Esta pesquisa se origina da necessidade de pensar sobre a Antiguidade Clássica e sua relação com o universo colonial brasileiro. Sendo o processo de controle de Portugal sobre as terras americanas iniciado durante os séculos XVI e XVII é natural imaginar que as relações culturais travadas no âmbito do Renascimento se refletissem no mundo colonial, porém, apesar desta percepção, os historiadores pouco haviam tratado do tema, com exceção do trabalho clássico de Sérgio Buarque de Holanda, Visão do Paraíso, poucas são as abordagens que relacionam o Renascimento ao mundo colonial, isto normalmente porque a historiografia se volta a percepção do que há de específico às relações coloniais se afastando com isso das continuidades e uma destas é, exatamente, a presença constante das referências à Antiguidade Clássica. Portanto, nosso objetivo com esta tese é observar a presença de referências à Antiguidade nas crônicas coloniais e avaliar como esta presença é utilizada pelos cronistas, sobretudo, com o objetivo de ocidentalizar a América, isto é, de transformar aquele território inóspito, desconhecido e não-familiar em um lugar hospitaleiro, descrito em seus pormenores, no qual o europeu estaria familiarizado com o Espaço e a Paisagem. Para isso, utilizamos aqui a metodologia da Análise de Discurso, sobretudo de vertente francesa. Esta metodologia poderia nos afastar da História por ser uma técnica utilizada principalmente pelos Estudos Literários, contudo, acreditamos que esta seja a melhor escolha para avaliar estes textos. Baseamos nossas considerações sobretudo em Michel Foucault, Roland Barthes e A.J. Greimas, e não poderíamos deixar de citar, Mikail Baktin, e chegamos aos resultados que agora apresentamos em forma de tese. Reconhecemos aqui o maior uso de referências mítico-poéticas, e dentre elas Hércules e Marte, além do Oceano, Júpiter, Apolo e Heitor; seguidamente por referências filosofico-literárias, em que se destacam Aristóteles, Plínio, Virgílio e Ovídio; e por fim as referências histórico-geográficas, em que se destacam as referências a Alexandre o Grande, Cipião, Júlio César e Aníbal, além de Cartago, Atenas, Esparta e Tróia. Propomos duas explicações para estes resultados: primeiramente, a necessidade dos cronistas coloniais se filiarem a uma instituição para manter seu discurso circulando, o que causava uma certa necessidade de adequar-se as regras que aquele ambiente intelectual impunha; e, também, a adoção por parte do cronista da tradição intelectual que ele dispunha para poder entender o mundo americano que se abria diante dele, suas únicas ferramentas, ou melhor, armas para enfrentar o desconhecido.
Audiobook details
GenreEducation and Learning, History
Length11 hrs 14 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateMar 24, 2018
LanguagePortuguese
Table of contents
1Introduction (pt. 1)
20HELENA
2Introduction (pt. 2)
21HÉRCULES
3Introduction (pt. 3)
22IMPÉRIO ROMANO
4Introduction (pt. 4)
23JÚPITER
5Introduction (pt. 5)
24MARTE
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6ALEXANDRE
25MIDAS
7ANTÍOCO
26NESTOR
8AQUILES
27PANDORA
9ATENIENSES
28PLÊIADES
10BACO/ DIONÍSIO
29POLIFEMO
11CAMPOS ELÍSIOS
30RÉGULO
12CIPIÃO (AFRICANO)
31SEMÍRAMIS
13CRESO
32SÓCRATES
14DIANA
33TEMÍSTOCLES
15DIOMEDES E GLAUCO
34TITO LÍVIO
16EROS
35VÊNUS
17FAUNO
36VULCANO
18FÍDIAS
37ZELEUCO
19GALBA