![Africadas [tS] e [dZ] no Português Sergipano](https://img.elevenreader.io/ZsQ6OxGiuDfJaJi9IfW8ahezRadz3wKAuJQmFk3n6sY/large/Z3M6Ly9lbGV2ZW4tcHVibGljLWNkbi9kYXRhYmFzZS9yZWFkcy9LVjh0WHhKY28wY1BiWkVsYmE4dC90aHVtYm5haWwud2VicA/antonio-felix-de-souza-neto-africadas-ts-e-dz-no-portugues-sergipano-audiobook-v-1783440548.webp)
Africadas [tS] e [dZ] no Português Sergipano
By Antônio Félix de Souza NetoLength10h 26m
About this audiobook
Neste livro, descrevemos a gramática das realizações africadas alveopalatais [tS] e [dZ] no português falado por sergipanos com idade igual ou acima de 60 anos: nessa variedade do português, as realizações africadas [tS] e [dZ] estão restritas a alguns itens lexicais de natureza onomatopaica e antroponímica e a contextos em que o aproximante palatal adjacente [j] de ditongo dos tipos vogal+[j] e [j]+vogal é esperado. Nosso tratamento quantitativo (estatístico/probabilístico) com o software R demonstrou que, embora em variação com suas contrapartes oclusivas (dento)alveolares plenas [t] e [d] e africada alveolar [ts] nos referidos contextos de ditongo, as africadas alvopalatais ([tS] e [dZ]) são quase categóricas, predominando em 94% dos dados da nossa pesquisa. Evidências acústicas apontam uma correlação sistemática entre monotongação ou o apagamento do aproximante palatal [j] adjacente (precedente ou seguinte) dos decursos vogal+[j] e [j]+vogal – e as realizações africadas alveopalatais ([tS] e [dZ]). Constatamos que, tanto nos itens lexicais de natureza onomatopaica e antroponímica quanto nos contextos em que o aproximante palatal [j] é apagado da superfície, as africadas [tS] e [dZ] têm potencialidades contrastivas (fonêmicas/fonológicas) no léxico dessa variedade. A partir dessas constatações, levantamos a hipótese de que essas restrições fazem parte de uma gramática das africadas ([tS] e [dZ]) que tem a propriedade de preservar o léxico. A regra generalizante dessa gramática pode, pois, ser deduzida nos seguintes termos: as realizações africadas alveopalatais [tS] e [dZ] se restringem a alguns itens lexicais de natureza onomatopaica e antroponímica e a contextos nos quais o gatilho ([j]) que dispara a regra (africação) da qual [tS] e [dZ] resultam pode ser apagado logo em seguida. À luz da Fonologia Autossegmental, tal como documentada em Goldsmith (1995), nos itens lexicais em que o gatilho ([j]) do processo do qual resulta não figura na adjacência, estamos interpretando a realização [tS] como africada plena e, por conseguinte, "segmento de contorno" ([tS]); já em contextos em que o aproximante palatal [j] de ditongo (incluindo aqueles que podem ocorrer por inserção (epêntese) desse aproximante palatal [j]) dos tipos vogal+[j] e [j]+vogal é esperado, entendemos que essas realizações africadas podem ser interpretados como "segmentos complexos" ([tJ] e [dJ]) ou "de contorno" ([tS] e [dZ]), resultantes de um único processo – espraiamento bidirecional de traços do aproximante palatal [j] esperado – que gera uma articulação [palatal] menor/secundária ([J]) ou um segmento fonético fricativo [palatal] ([S] ou [Z]) intruso. Nos termos da Fonética Articulatória (BARBOSA; MADUREIRA, 2015), essa interpretação é compatível com coarticulação preservatória ou antecipatória de traços do aproximante [j]. À luz da Fonética Acústica – tal como documentada em Ladefoged e Maddieson (1996), Ladefoged (2001), Ladefoged e Johnson (2011), Barbosa e Madureira (2015) e Kent e Read (2015) – trata-se de um segmento em duas fases (oclusão e fricção) sucessivas. Com os recursos do software PRAAT, testamos nossa hipótese de a interação do apagamento do aproximante palatal [j] com a africação alveopalatal de /t/ e /d/ coincidir com um alongamento compensatório dos segmentos africados [tS] e [dZ] adjacentes. Concluímos que as restrições dessa gramática se justificam pela correlação do traço [palatal] do aproximante [j] com [tS] e [dZ] e pelas potencialidades contrastivas (fonêmicas/fonológicas) destas africadas na variedade do português falado pelos sergipanos idosos. O produto final desta tese dá as dimensões qualitativa e quantitativa à pesquisa que lhe dá ensejo.
Audiobook details
GenreOther
Length10 hrs 26 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateSep 9, 2021
LanguagePortuguese
Table of contents
1Introduction
2INTRODUÇÃO
31. NOSSAS HIPÓTESES
41.1. HIPÓTESE PRINCIPAL
51.2. HIPÓTESES SECUNDÁRIAS
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62. METODOLOGIA DA PESQUISA
72.1. A PESQUISA BIBLIOGRÁFICA NOS ESTUDOS PRÉVIOS ACERCA DAS REALIZAÇÕES ALVEOPALATAIS [TS] E [DZ] NO PORTUGUÊS FALADO EM SERGIPE (PS)
82.2. A PESQUISA BIBLIOGRÁFICA NA LITERATURA ESPECIALIZADA EM FONOLOGIA AUTOSSEGMENTAL E EM FONÉTICA LINGUÍSTICA (ARTICULATÓRIA E ACÚSTICA)
92.3. A PESQUISA DE CAMPO: A COLETA DE DADOS DE FALA DOS SERGIPANOS
102.4. O TRATAMENTO DOS DADOS DA PESQUISA
112.5. A ANÁLISE ACÚSTICA DOS DADOS DA PESQUISA COM OS RECURSOS DO SOFTWARE PRAAT
122.6. TRATAMENTO QUANTITATIVO (ESTATÍSTICO/PROBABILÍSTICO) DOS DADOS DA PESQUISA COM OS RECURSOS DO SOFTWARE R
132.7. A DOCUMENTAÇÃO DA PESQUISA
143. CONSTATAÇÕES DE ESTUDOS PRÉVIOS ACERCA DE [tS] e [dZ] NO PS
153.1. ROSSI (1987)
163.2. CARDOSO (1993 APUD HORA, 1997), (2005)
173.3. FERREIRA ET AL (1994)
183.4. MOTA E ROLLEMBERG (APUD HORA, 1997)
193.5. SOUZA NETO (2008, 2014)
203.6. SOUZA NETO (2010)
213.7. FREITAG (2015)
223.8. FREITAG (2015), ANDRADE, EVANGELISTA E SANTANA (2016), PINHEIRO, SILVA E CARDOSO (2018), CORRÊA (2018)
233.9. FREITAG E SANTOS (2016)
243.10. SOUZA (2016)
253.11. AGUILERA; ARAGÃO; ISQUERDO; MOTA (2016)
263.12. SOUZA NETO (2017)
273.13. FREITAG, SOUZA NETO E CORRÊA (2019)
284. BASES TEÓRICAS DA FONÉTICA ARTICULATÓRIA
294.1. PIKE (1971)
304.2. LADEFOGED E MADDIESON (1996)
314.3. LADEFOGED E JOHNSON (2011)
324.4. KENT E READ (2015)
334.5. BARBOSA E MADUREIRA (2015)
345. BASES TEÓRICAS DA FONOLOGIA AUTOSSEGMENTAL
355.1. GOLDSMITH (1995)
365.2. CLEMENTS E HUME (1995)
375.2.1. REPRESENTAÇÃO DE VOGAIS
385.2.2. SEGMENTOS SIMPLES
395.2.3. SEGMENTO COMPLEXO
405.2.4. SEGMENTO DE CONTORNO
415.2.5. UNIDADE DE TEMPO
425.2.6. PROCESSOS ASSIMILATÓRIOS E SUAS RESTRIÇÕES
435.3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
445.3.1. HORA (1990) E BISOL E HORA (1993)
455.3.2. SOUZA NETO (2008, 2014)
465.3.3. CARDOSO (2010)
476. BASES TEÓRICAS DA FONÉTICA ACÚSTICA
486.1. LADEFOGED E JONHSON (2011)
496.2. KENT E READ (2015)
506.3. BARBOSA E MADUREIRA (2015)