
O Império e a Senhora
memória, sociedade e escravidão em José de AlencarBy Renato Drummond Tapioca NetoLength6h 51m
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Partindo de um diálogo entre os campos da memória, história e literatura, o seguinte livro se propõe a analisar o romance "Senhora" (1875), escrito por José de Alencar, quanto à representação que este faz da sociedade do Rio de Janeiro, entre as décadas de 1850 e 1870, incluindo suas práticas e costumes, entre eles o chamado casamento de conveniência. Concebido como uma forma de obtenção de status econômico e social entre as famílias aristocráticas do período, percebeu-se que, na referida obra, essa prática, que tinha na concessão do dote das noivas a sua característica comercial mais nítida, foi discriminada por Alencar como algo contrário ao ideal de amor conjugal, difundido pelo autor em outros de seus romances urbanos. Ao criticar o matrimônio como uma espécie de mercado de peças, na qual a noiva oferece o valor mais alto para adquirir o noivo desejado, José de Alencar possivelmente faz uma analogia com o regime escravocrata, vigente no Brasil da segunda metade do século XIX. Criando um enredo em que a jovem compra o marido que a rejeitara quando moça pobre, Alencar subverte a suposta ordem dentro do matrimônio, colocando a mulher como provedora do lar e senhora, e o marido como vassalo da mesma.
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GenreOther
Length6 hrs 51 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
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Publish dateMar 3, 2023
LanguagePortuguese
Table of contents
1Introduction
133.4. A mulher pública em José de Alencar: Lucíola
21. Introdução
144. Esposa Autônoma e Marido Submisso: Aurélia Camargo, Senhora De Fernando Seixas.
32. Memória, História e Ficção em José de Alencar
154.1. CASAMENTO: UM CONTRATO SOCIAL.
42.1. ENTRE A MEMÓRIA E A HISTÓRIA: UM DIÁLOGO POSSÍVEL
164.1.1. HOMENS COMO FERNANDO
52.2. A LITERATURA COMO RECURSO POSSÍVEL PARA O ENTENDIMENTO DO PASSADO
174.1.2. O DOTE DE AURÉLIA
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62.3. A MEMÓRIA COLETIVA EM MAURICE HALBWACHS
184. 2. DA SUJEIÇÃO DE FERNANDO: 4.2.1. MULHERES COMO AURÉLIA: O CASO DE EUFRÁSIA TEIXEIRA LEITE
72.4. MEMÓRIA, HISTÓRIA E FICÇÃO EM JOSÉ DE ALENCAR.
194.3. MANUMISSÕES E ALFORRIAS NO RIO DE JANEIRO IMPERIAL: 4.3.1. A CONCESSÃO DA ALFORRIA DE SEIXAS
82.5. A EVOCAÇÃO E A COMPILAÇÃO DAS LEMBRANÇAS EM LUCÍOLA, DIVA E SENHORA.
204.4. A RECONQUISTA DA LIBERDADE
93. Espaço urbano, memória e construção dos lugares sociais em José de Alencar
215. Considerações Finais
103.1 O RIO DE JANEIRO NO TEMPO DE JOSÉ DE ALENCAR: 3.1.1. CIDADE DE PAPEL: A CORTE DE JOSÉ DE ALENCAR
22Posfácio: Uma analogia com a escravidão: ou a radiografia social em Senhora
113.2. Memória e construção dos lugares femininos em Diva, A pata da gazela e Senhora
23Anexo I
123.3. A MULHER NO ESPAÇO PÚBLICO: 3.3.1. TRANSGRESSÃO FEMININA NA IMPRENSA BRASILEIRA OITOCENTISTA