O Filho De Ninguém

O Filho De Ninguém

By Marco Antônio Alves Da Silva
Michael Caine
Listen with Sir Michael Caine™ and 1,000+ voices
Length1h 19m

About this audiobook

Nos anos 60 houve uma certa censura com relação aos cantores tidos à época como subversivos , então começou uma enxurrada de músicas italianas nas paradas de sucesso no Brasil, foi aí que, inconscientemente, eu comecei a ter contato com a língua original da família do meu pai, (por quem não fui reconhecido como filho), tomar gosto pela música e principalmente pela descendência italiana. Cantores como: Peppino di Capri, Pino Donaggio, Jimmy Fontana, Nico Fidenco, Rita Pavone, Gianni Morandi entre outros me fascinavam. Ouvir aquelas belas vozes e suas canções quase sempre românticas, era algo que eu não perdia por nada.Desde de então, sempre apaixonado por música, mas com muitas dificuldades para tocar qualquer tipo de instrumento, acabei me tornando um compositor. Mas apenas por HOBBY!

Audiobook details

GenreBiography and Memoir, Children's Literature
Length1 hr 19 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateMay 18, 2022
LanguagePortuguese

Table of contents

1DISPONIVEL NAS MODALIDADES: IMPRESSO E DIGITAL (E-BOOK)
2LUTAR
3SEMPRE,
4VENCER
5TALVEZ,
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6DESISTIR
7JAMAIS!!!: Nos anos 60 houve uma certa censura com relação aos cantores tidos à época como "subversivos", então começou uma enxurrada de músicas italianas nas paradas de sucesso no Brasil. Foi aí que, inconscientemente, eu comecei a ter contato com a língua original da família do meu pai, (por quem não fui reconhecido como filho), tomar gosto pela música e principalmente pela descendência italiana.
8PREFÁCIO
9Sou aquele menino, que sozinho segui meu destino e me formei na escola da vida.
10O meu mundo não foi colorido, ninguém sabe quanto me foi sofrido.
11Tenho comigo um desgosto profundo por não saber quem me fez vir ao mundo, mesmo assim eu me sinto feliz.
12Meu pai negou-me o nome, sozinho cresci, fiz-me homem, trabalhei, me casei, estudei e me formei, (nessa ordem) batalhei e consegui quase tudo o que quis.
13Hoje posso dizer...fui abençoado, sou vencedor, um homem feliz!!!
14Texto adaptado de: Oswaldo Franco/ José Santos
15Marco Antônio Alves da Silva
16CAPÍTULO I
17Por volta de 1940, aquela pessoinha, que era órfã, primeiro de mãe, logo aos dois anos de idade e em seguida, com apenas sete perde também o pai para um câncer nos pulmões, doença devastadora, à época pouca coisa se sabia a respeito e a cura era quase um milagre de acontecer.
18Dois ou três anos mais tarde foi entregue à uma família tradicional de imigrantes italianos, fazendeiros de café, por seus irmãos mais velhos, com o intuito de dar a ela uma educação digna e ao mesmo tempo um teto para morar.
19COLHENDO CAFÉ
20CAFÉ NO PONTO DE COLHEITA
21Àquela época a prática era comum, a matriarca da fazenda acabara de ficar viúva e a pessoinha ia servir de companhia para ela, Sra. Casimira.
22Lá eles chamavam de “criada”!
23A pessoinha seria a criada da casa.
24Os casarões de fazenda eram realmente muito grandes, normalmente com 10, 12 cômodos e não tinha forro, as paredes não chegavam até a cumeeira do telhado, exceto nos cômodos principais da casa, (sala e dormitório dos proprietários) esses espaços eram fechados com madeira.
25CASARÕES DE FAZENDA
26A família era composta de seis pessoas, a matriarca e cinco filhos, (3 rapazes e 2 moças), o caçula dos irmãos, Leôncio Pagliuca, se encantou com a pessoinha que na época já devia ter entre 13 e 15 anos, ninguém sabia direito, mas o fato é que ela já era uma mocinha e chamava atenção de Leôncio, que passou a assediá-la e resolveu fazer visitas periódicas à pessoinha durante a noite.
27Pulando o vão entre a parede e o telhado ele chegava até o quarto da menina.
28Ele, um rapaz bonito, alto, rico, olhos e cabelos castanhos claros.
29Ela, uma garota pobre de pele escura, filha de caboclos, não menos bonita. Ali começam um romance proibido que ia dar início à minha existência.
30A menina fica grávida, mas a matriarca não admite a união dos dois, então espera a criança nascer e decide que vai ficar somente com o bebê, a pessoinha deveria seguir o seu caminho e seria devolvida aos parentes.
31Ao perceber a trama ela resolve fugir da fazenda, pois os irmãos, em especial o mais velho (Francisco) segundo ela, a espancava com certa frequência. Aproveitando um momento em que todos estavam na lida no cafezal, pega a criança e vai, sem rumo, à procura de abrigo na casa de uma prima de segundo grau, que soubera, morava na mesma cidade (Novo Horizonte).
32FAZENDA DE CAFÉ
33Nesse momento, chega a dormir uma noite na rua, ao relento. Já quase arrependida de ter saído de casa, descobre que a parente não mora muito longe dali. Ela estava casada e também tinha um filho com o mesmo tempo de vida que eu.
34Ali conseguiu abrigo, mas a família era muito pobre e não tinha como acolher os dois (mãe e filho)
35A prima que tinha o mesmo nome, (Aparecida), amamentava o seu bebê e tinha bastante leite, (as vezes precisava colocar um pano de fralda dobrado sobre o seio para estancar o derramamento), então decidiu que ia amamentar as duas crianças, já que a minha mãe, talvez por conta do estresse, não produzia leite o suficiente para mim, que segundo ela, mais parecia um bezerro para mamar.
36Pelo menos para o filho não faltaria alimento.
37Aquele casal seria meus futuros padrinhos, com eles eu iria passar boa parte da minha vida.
38Novo Horizonte localiza-se no norte do estado, a 410 km da cidade de São Paulo
39CAPÍTULO II
40Minha mãe saiu à procura de trabalho, mas no interior, naquela época não havia muitas opções, uma pessoa sem estudo, ou trabalhava na roça ou trabalhava na roça, ora cortando cana, ora colhendo laranja, ora apanhando algodão... menos café.
41COLHEITA DE CANA
42COLHEITA DE LARANJA
43Pelo menos por enquanto ela não podia ser descoberta, e os cafezais da redondeza, cujos proprietários eram todos muito unidos por uma espécie de associação, por ali todo mundo conhecia todo mundo.
44Melhor não arriscar.
45Pensando assim ela resolve se mudar e vai para Catanduva, uma cidade vizinha de Novo Horizonte, e eu fiquei morando com meus padrinhos.
46Não consigo me lembrar muita coisa dessa época, apenas que era uma casa muito pobre, chão batido de terra, à beira de uma estrada também de terra batida, a casa construída com varas de bambu revestido de barro (pau a pique) ficava bem na curva dessa estrada, com muitos pés de mamonas e alguns bambuzais que formavam uma espécie de cerca viva para os terrenos que eram sempre muito grandes.
47CASA DE TAIPA
48ESTRADA DE CHÃO BATIDO
49De vez em quando uma arvorezinha que dava uma flor vermelha com um pendão branco no meio, cheio de pólen amarelados, onde eu disputava com as abelhas e os beija-flor o adocicado daquela planta.
50No interior eu acho que toda criança fez isso um dia.

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