
Length7h 7m
About this audiobook
A Editora Nova Ágora tem o prazer de editar este clássico para seus leitores, buscando dar uma edição fiel aos gostos e aos méritos desta obra-prima da literatura brasileira. O Mestre Ardil, Brás Cubas, é, possivelmente, a encarnação da mediocridade brasileira, que esvanece e apaga a consciência de si e não amadurece o pensamento, não transcende as emoções. Brás Cubas, após ser tomado pelo êxtase da humanidade julgada, é lançado para onde vão todos os medíocres do mundo. Outrora, estes medíocres eram os infernos banhados pelo Aqueronte, ou nos submundos budistas; hoje é o ingovernável mundo da sociedade hipócrita. A ideia de inferno é unânime entre as culturas antigas, e no Cristianismo ela foi amadurecida para um conceito teológico, lugar de castigo para os homens que recusaram Deus, o sumo bem, a suma beleza, a suma verdade, isto é, os do mundo medíocre. Brás Cubas é um homem que o tempo todo recusa Deus pelas escolhas, e ele recusa justamente quando não passa na cabeça dele a ideia mesma de Deus, não obstante ter as ideias e os conceitos morais dentro de si, ou seja, é um hipócrita, cuja verdade está na língua, não no peito. Brás Cubas é a encarnação da mediocridade da fé brasileira, uma fé movida por achismos e moralismos exteriores, mas que não se aprofundam na casca. O homem medíocre é como um boi ruminante pastando um vasto pasto de capim inebriante, com toda sorte de torpor aos sentidos, vai se esvaindo e sumindo-se nos prazeres externos, e nos medos externos, e se apaga, até quando é chamado para o abate, e ainda rumina, mas não percebe que seu fim está próximo. Este é o mundo que Brás Cubas expõe sem esgotar, já que a mediocridade e o pessimismo dela é um mar que não se enxerga o fim.
Audiobook details
GenreRomance, Biography and Memoir
Length7 hrs 7 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateFeb 16, 2025
LanguagePortuguese
Table of contents
1Section 1
26Naquele dia
2Prefácio
27CAPÍTULO 11:
3Escrever um prefácio para Memórias Póstumas de Brás Cubas, um mestre ardil, é tarefa difícil e ousada a qual só me propunha entrar por duas razões: dever de ofício e honra que um porteiro tem de abrir as portas para o Rei da Literatura Brasileira. Machado de Assis merece este título por direito e por reivindicação imperialista, ele que era tão reservado. Embora ele se propusesse a escrever como um ajudante para a nascente literatura brasileira, acabou por fundá-la e refundá-la em sua melhor glória, não ultrapassada até os dias de hoje. E julgo que nunca será superada pela simples razão de que ele, como ninguém, entendeu o Brasil de ontem, de hoje, e de amanhã. Seus textos são de um pessimismo atroz, como o Eclesiastes, mas ele não os faria se realmente fosse pessimista. Talvez ele tenha se convencido deste pessimismo por um tempo, e acabou se esquecendo de que tudo não passava de uma fábula de sua cabeça, isto é, que a mediocridade reina sobre todos nós, mas ela não é a fonte das aspirações. Ocorre que ela reinou mesmo, e continua a reinar sobre os homens de barro do Brasil, porém, até nisto ele foi um denunciante apto da sociedade brasileira: também ela se esqueceu da esperança e se imbuiu da mediocridade. Não me leve a mal, não critico o mestre, é apenas uma observação a posteriori, de um discípulo mal que entendeu bem, mas sem querer seguir o mestre por onde ele for, apenas relembrando que a nossa mediocridade ainda diz muito sobre nós mesmos. A pergunta que Machado faria é a que eu faria, é a que todos nós faríamos: Até quando Brasil?
28O menino é pai do homem
4O Mestre Ardil, Brás Cubas, é, possivelmente, a encarnação da mediocridade brasileira, que esvanece e apaga a consciência de si e não amadurece o pensamento, não transcende as emoções. Brás Cubas, após ser tomado pelo êxtase da humanidade julgada, é lançado para onde vão todos os medíocres do mundo. Outrora, estes medíocres eram os infernos banhados pelo Aqueronte, ou nos submundos budistas; hoje é o ingovernável mundo da sociedade hipócrita. A ideia de inferno é unânime entre as culturas antigas, e no Cristianismo ela foi amadurecida para um conceito teológico, lugar de castigo para os homens que recusaram Deus, o sumo bem, a suma beleza, a suma verdade, isto é, os do mundo medíocre. Brás Cubas é um homem que o tempo todo recusa Deus pelas escolhas, e ele recusa justamente quando não passa na cabeça dele a ideia mesma de Deus, não obstante ter as ideias e os conceitos morais dentro de si, ou seja, é um hipócrita, cuja verdade está na língua, não no peito. Brás Cubas é a encarnação da mediocridade da fé brasileira, uma fé movida por achismos e moralismos exteriores, mas que não se aprofundam na casca. O homem medíocre é como um boi ruminante pastando um vasto pasto de capim inebriante, com toda sorte de torpor aos sentidos, vai se esvaindo e sumindo-se nos prazeres externos, e nos medos externos, e se apaga, até quando é chamado para o abate, e ainda rumina, mas não percebe que seu fim está próximo. Este é o mundo que Brás Cubas expõe sem esgotar, já que a mediocridade e o pessimismo dela é um mar que não se enxerga o fim.
29CAPÍTULO 12
5Thiarles Soares, Editor, 2025
30Um episódio de 1814
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6Dedicatória
31CAPÍTULO 13:
7Capítulo 1:
32Um salto
8Óbito do Autor
33CAPÍTULO 14:
9CAPÍTULO 2:
34Primeiro beijo
10O emplasto
35CAPÍTULO 15:
11CAPÍTULO 3:
36Marcela
12Genealogia
37CAPÍTULO 16:
13CAPÍTULO 4:
38Uma Reflexão Imoral
14A Idéia Fixa
39CAPÍTULO 17:
15CAPÍTULO 5:
40Do trapézio e outras coisas
16Em que aparece a orelha de uma Senhora
41CAPÍTULO 18:
17CAPÍTULO 6:
42Visão do corredor
18Chimène, qui l’ eût dit? Rodrigue, qui l’eût cru?
43CAPÍTULO 19:
19CAPÍTULO 7:
44A bordo
20O delírio
45CAPÍTULO 20:
21CAPÍTULO 8:
46Bacharelo-me
22Razão contra Sandice
47CAPÍTULO 21:
23CAPÍTULO 9:
48O almocreve
24Transição
49CAPÍTULO 22:
25CAPÍTULO 10:
50Volta ao Rio