1Section 1
164CAPÍTULO 80:
2Prefácio
165De secretário
3Escrever um prefácio para Memórias Póstumas de Brás Cubas, um mestre ardil, é tarefa difícil e ousada a qual só me propunha entrar por duas razões: dever de ofício e honra que um porteiro tem de abrir as portas para o Rei da Literatura Brasileira. Machado de Assis merece este título por direito e por reivindicação imperialista, ele que era tão reservado. Embora ele se propusesse a escrever como um ajudante para a nascente literatura brasileira, acabou por fundá-la e refundá-la em sua melhor glória, não ultrapassada até os dias de hoje. E julgo que nunca será superada pela simples razão de que ele, como ninguém, entendeu o Brasil de ontem, de hoje, e de amanhã. Seus textos são de um pessimismo atroz, como o Eclesiastes, mas ele não os faria se realmente fosse pessimista. Talvez ele tenha se convencido deste pessimismo por um tempo, e acabou se esquecendo de que tudo não passava de uma fábula de sua cabeça, isto é, que a mediocridade reina sobre todos nós, mas ela não é a fonte das aspirações. Ocorre que ela reinou mesmo, e continua a reinar sobre os homens de barro do Brasil, porém, até nisto ele foi um denunciante apto da sociedade brasileira: também ela se esqueceu da esperança e se imbuiu da mediocridade. Não me leve a mal, não critico o mestre, é apenas uma observação a posteriori, de um discípulo mal que entendeu bem, mas sem querer seguir o mestre por onde ele for, apenas relembrando que a nossa mediocridade ainda diz muito sobre nós mesmos. A pergunta que Machado faria é a que eu faria, é a que todos nós faríamos: Até quando Brasil?
166CAPÍTULO 81:
4O Mestre Ardil, Brás Cubas, é, possivelmente, a encarnação da mediocridade brasileira, que esvanece e apaga a consciência de si e não amadurece o pensamento, não transcende as emoções. Brás Cubas, após ser tomado pelo êxtase da humanidade julgada, é lançado para onde vão todos os medíocres do mundo. Outrora, estes medíocres eram os infernos banhados pelo Aqueronte, ou nos submundos budistas; hoje é o ingovernável mundo da sociedade hipócrita. A ideia de inferno é unânime entre as culturas antigas, e no Cristianismo ela foi amadurecida para um conceito teológico, lugar de castigo para os homens que recusaram Deus, o sumo bem, a suma beleza, a suma verdade, isto é, os do mundo medíocre. Brás Cubas é um homem que o tempo todo recusa Deus pelas escolhas, e ele recusa justamente quando não passa na cabeça dele a ideia mesma de Deus, não obstante ter as ideias e os conceitos morais dentro de si, ou seja, é um hipócrita, cuja verdade está na língua, não no peito. Brás Cubas é a encarnação da mediocridade da fé brasileira, uma fé movida por achismos e moralismos exteriores, mas que não se aprofundam na casca. O homem medíocre é como um boi ruminante pastando um vasto pasto de capim inebriante, com toda sorte de torpor aos sentidos, vai se esvaindo e sumindo-se nos prazeres externos, e nos medos externos, e se apaga, até quando é chamado para o abate, e ainda rumina, mas não percebe que seu fim está próximo. Este é o mundo que Brás Cubas expõe sem esgotar, já que a mediocridade e o pessimismo dela é um mar que não se enxerga o fim.
167A reconciliação
5Thiarles Soares, Editor, 2025
168CAPÍTULO 82:
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6Dedicatória
169Questão de botânica
7Capítulo 1:
170CAPÍTULO 83:
8Óbito do Autor
17113
9CAPÍTULO 2:
172CAPÍTULO 84:
10O emplasto
173O conflito
11CAPÍTULO 3:
174CAPÍTULO 85:
12Genealogia
175O cimo da montanha
13CAPÍTULO 4:
176CAPÍTULO 86:
14A Idéia Fixa
177O mistério
15CAPÍTULO 5:
178CAPÍTULO 87:
16Em que aparece a orelha de uma Senhora
179Geologia
17CAPÍTULO 6:
180CAPÍTULO 88:
18Chimène, qui l’ eût dit? Rodrigue, qui l’eût cru?
181O enfermo
19CAPÍTULO 7:
182\\CAPÍTULO 89:
20O delírio
183In extremis
21CAPÍTULO 8:
184CaPÍTULO 90:
22Razão contra Sandice
185O velho colóquio de Adão e Caim
23CAPÍTULO 9:
186CAPÍTULO 91:
24Transição
187Uma carta extraordinária
25CAPÍTULO 10:
188CAPÍTULO 92:
26Naquele dia
189Um homem extraordinário
27CAPÍTULO 11:
190CAPÍTULO 93:
28O menino é pai do homem
191O jantar
29CAPÍTULO 12
192CAPÍTULO 94:
30Um episódio de 1814
193A causa secreta
31CAPÍTULO 13:
194CAPÍTULO 95:
32Um salto
195Flores de antanho
33CAPÍTULO 14:
196CAPÍTULO 96:
34Primeiro beijo
197A carta anônima
35CAPÍTULO 15:
198CAPÍTULO 97:
36Marcela
199Entre a boca e a testa
37CAPÍTULO 16:
200CAPÍTULO 98:
38Uma Reflexão Imoral
201Suprimido
39CAPÍTULO 17:
202CAPÍTULO 99:
40Do trapézio e outras coisas
203Na platéia
41CAPÍTULO 18:
204CAPÍTULO 100:
42Visão do corredor
205O caso provável
43CAPÍTULO 19:
206CAPÍTULO 101:
44A bordo
207A Revolução Dálmata
45CAPÍTULO 20:
208CAPÍTULO 102:
46Bacharelo-me
209De repouso
47CAPÍTULO 21:
210CAPÍTULO 103:
48O almocreve
211Distração
49CAPÍTULO 22:
212CAPÍTULO 104:
50Volta ao Rio
213Era ele!
51CAPÍTULO 23:
214CAPÍTULO 105:
52Triste, mas curto
215Equivalência das janelas
53CAPÍTULO 24:
216CAPÍTULO 106:
54Curto, mas alegre
217Jogo perigoso
55CAPÍTULO 25:
218CAPÍTULO 107:
56Na Tijuca
219Bilhete
57CAPÍTULO 26:
220CAPÍTULO 108:
58O autor hesita
221Que se não entende
59CAPÍTULO 27:
222CAPÍTULO 109:
60Virgília?
223O filósofo
61CAPÍTULO 28:
224CAPÍTULO 110:
62Contanto que...
22531
63CAPÍTULO 29:
226CAPÍTULO 111:
64A visita
227O muro
65CAPÍTULO 30:
228CAPÍTULO 112:
66A flor da moita
229A opinião
67CAPÍTULO 31:
230CAPÍTULO 113:
68A borboleta preta
231A Solda
69CAPÍTULO 32:
232CAPÍTULO 114:
70Coxa de nascença
233Fim de um diálogo
71CAPÍTULO 33:
234CAPÍTULO 115:
72Bem-aventurados os que não descem
235O almoço
73CAPÍTULO 34:
236CAPÍTULO 116:
74A uma alma sensível
237Filosofia das folhas velhas
75CAPÍTULO 35:
238CAPÍTULO 117:
76O caminho de damasco
239O Humanitismo
77CAPÍTULO 36:
240CAPÍTULO 118:
78A propósito de botas
241A terceira força
79CAPÍTULO 37:
242CAPÍTULO 119:
80Enfim!
243Parêntesis
81CAPÍTULO 38:
244CAPÍTULO 120:
82A quarta edição
245Compele intrare
83CAPÍTULO 39:
246CAPÍTULO 121:
84O vizinho
247Morro abaixo
85CAPÍTULO 40:
248CAPÍTULO 122:
86Na sege
249Uma intenção mui fina
87CAPÍTULO 41:
250CAPÍTULO 123:
88A alucinação
251O Verdadeiro Cotrim
89CAPÍTULO 42:
252CAPÍTULO 124:
90Que escapou a Aristóteles
253Vá de intermédio
91CAPÍTULO 43:
254CAPÍTULO 125:
92Marquesa, porque eu serei marquês
255Epitáfio
93CAPÍTULO 44:
256CAPÍTULO 126:
94Um Cubas!
257Desconsolação
95CAPÍTULO 45:
258CAPÍTULO 127:
96CAPÍTULO 46:
259Formalidade
97A herança
260CAPÍTULO 128:
98CAPÍTULO 47:
261Na câmara
99O recluso
262CAPÍTULO 129:
100CAPÍTULO 48:
263Sem remorsos
101Um primo de Virgília
264CAPÍTULO 130:
102CAPÍTULO 49:
265Para intercalar no capítulo 129
103A ponta do nariz
266CAPÍTULO 131:
104CAPÍTULO 50:
267De uma calúnia
105Virgília casada
268CAPÍTULO 132:
106CAPÍTULO 51:
269Que não é sério
107É minha!
270CAPÍTULO 133:
108CAPÍTULO 52:
271O princípio de Helvetius
109O embrulho misterioso
272CAPÍTULO 134:
110CAPÍTULO 53:
273Cinqüenta anos
111. . . . . . . . .
274CAPÍTULO 135:
112CAPÍTULO 54:
275Oblivion
113A pêndula
276CAPÍTULO 136:
114CAPÍTULO 55:
277Inutilidade
115O velho diálogo de Adão e Eva
278CAPÍTULO 137:
116CAPÍTULO 56:
279A barretina
117O momento oportuno
280CAPÍTULO 138:
118CAPÍTULO 57:
281A um crítico
119Destino
282CAPÍTULO 139:
120CAPÍTULO 58:
283De como não fui ministro d’Estado
121Confidência
284CAPÍTULO 140
122CAPÍTULO 59:
285Que explica o anterior
123Um encontro
286CAPÍTULO 141:
124CAPÍTULO 60:
287Os cães
125O abraço
288CAPÍTULO 142:
126CAPÍTULO 61:
289O pedido secreto
127Um projeto
290CAPÍTULO 143:
128CAPÍTULO 62:
291Não Vou
129O travesseiro
292CAPÍTULO 144:
130CAPÍTULO 63:
293Utilidade Relativa
131Fujamos!
294CAPÍTULO 145:
132CAPÍTULO 64:
295Simples Repetição
133A transação
296CAPÍTULO 146:
134CAPÍTULO 65:
297O programa
135Olheiros e Escutas
298CAPÍTULO 147:
136CAPÍTULO 66:
299O desatino
137As pernas
300CAPÍTULO 148:
138CAPÍTULO 67:
301O problema insolúvel
139A casinha
302CAPÍTULO 149:
140CAPÍTULO 68:
303Teoria do benefício
141O vergalho
304CAPÍTULO 150:
142CAPÍTULO 69:
305Rotação e translação
143Um grão de sandice
306CAPÍTULO 151:
144CAPÍTULO 70:
307Filosofia dos epitáfios
145Dona Plácida
308CAPÍTULO 152:
146CAPÍTULO 71:
309A Moeda de Vespasiano
147O senão do livro
310CAPÍTULO 153:
148CAPÍTULO 72:
311O alienista
149O bibliômano
312CAPITULO 154:
150CAPÍTULO 73:
313Os navios do Pireu
151O luncheon
314CAPÍTULO 155:
152CAPÍTULO 74:
315Reflexão cordial
153História de Dona Plácida
316CAPÍTULO 156:
154CAPÍTULO 75:
317Orgulho da servilidade
155Comigo
318CAPÍTULO 157:
156CAPÍTULO 76:
319Fase brilhante
157O estrume
320CAPÍTULO 158:
158CAPÍTULO 77:
321Dois Encontros
159Entrevista
322CAPÍTULO 159:
160CAPÍTULO 78:
323A semidemência
161A presidência
324CAPÍTULO 160:
162CAPÍTULO 79:
325Das negativas
163Compromisso
326Mais da Editora Nova Ágora