
Jacques Rancière e a revolução silenciosa da literatura
By Renan Ferreira da SilvaLength7h 41m
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Partindo do estatuto da literatura e da escrita na obra de Jacques Rancière, este livro discorre sobre a "revolução silenciosa", expressão cunhada pelo filósofo para caracterizar a passagem da tradição das belas-letras à literatura, isto é, a passagem do sistema clássico baseado na mímesis, denominado por ele de "regime representativo", para o "regime estético das artes". Segundo Rancière, há um "deslizamento de sentido" entre o sistema das belas-letras e o conceito de literatura, o que caracteriza não uma continuidade essencial entre um e outro, mas a mudança de um tipo de saber para uma arte. O que leva à derrogação do sistema clássico da ficção poética é a palavra órfã e errante, a qual instaura a perturbação democrática na hierarquia mimética que fundamentava as belas-letras. Tal perturbação é identificada com o surgimento da literatura, a qual não se resume a um modo de fatura artística, mas a um sistema de possibilidades, um modo de vida próprio que suspende os princípios hierárquicos da mímesis clássica à custa de ser uma contradição infindável entre o regime da palavra muda-falante, isto é, a literaridade democrática, e a verdade da palavra encarnada.
Audiobook details
GenrePhilosophy
Length7 hrs 41 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
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Publish dateNov 4, 2022
LanguagePortuguese
Table of contents
1AGRADECIMENTOS
2PREFÁCIO
3INTRODUÇÃO
41. AS PALAVRAS ENTRE O SABER E O PODER
51.1. Dois momentos da “virada linguística” estruturalista
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61.2. A guerra entre duas escritas
72. DA PALAVRA ÓRFÃ À L’ÉCRITURE
82.1. O mythos platônico do nascimento da escrita
92.2. Palavra órfã: de uma leitura do Fedro à outra
102.3. A partilha do sensível
112.4. A ordem policial e a política
122.5. Da igualdade axiomática à subjetivação política
132.6. Escrita e literaridade
143. A REVOLUÇÃO SILENCIOSA DA LITERATURA
153.1. Qu’est-ce que la littérature?
163.2. Os regimes de identificação das artes
173.2.1. O regime ético das imagens
183.2.2. O regime representativo ou “poético” das artes
193.2.3. Da representação à expressão: a ruína da poética representativa
203.2.4. O regime estético das artes
214. CONSIDERAÇÕES FINAIS – UMA CONTRADIÇÃO POSITIVA
225. BIBLIOGRAFIA