
Homens verticais ao sol
a construção do vaqueiro em Eurico Alves Boaventura (1928-1963)By Artur Vitor de Araújo SantanaLength8h 16m
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As querelas entre ficção e verdade, História e Literatura ainda animam as disputas entre Historiadores, Críticos Literários, Literatos e outros. Esse tema e aqueles relativos às construções da identidade nacional marcam o livro de estreia do historiador Artur Santana. O autor se revela um arguto leitor-intérprete de fontes ao inventariar cuidadosamente, por meio de pesquisa, as concepções e visões de Eurico Boaventura sobre o sertão baiano. Tais visões não apenas buscavam descrever empiricamente o sertão, mas também acabavam por desenhá-lo com uma geografia particular. Ao fazê-lo em diálogo com a Literatura que o antecede, o nosso autor inova ao colocar em primeiro plano, com ineditismo, os referenciais de masculinidades que emergem dos escritos de Boaventura. Santana demonstra que, embora Eurico Alves não seja efetivamente um autor canônico, inventa não apenas a Bahia sertaneja, mas um Brasil sertanejo e, acima de tudo, pautado na figura-imagem do vaqueiro. Mas isso não o impede de lançar olhares críticos para as profundas hierarquias sociorraciais que fundamentam as interpretações contidas em Fidalgos e Vaqueiros, estas, sem dúvida, constituem-se em um legado da mentalidade senhorial que informam muito do que pensavam e escreveram nossos intérpretes nacionais. Eis um dos muitos méritos do livro que o autor nos oferece e cabe, portanto, a todos nós descobrirmos com sua leitura os vários outros achados valiosos presentes nesta obra.
Audiobook details
GenreHistory
Length8 hrs 16 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateJan 3, 2023
LanguagePortuguese
Table of contents
1Introduction
2PRÓLOGO
3INTRODUÇÃO
4CAPÍTULO I
5CRIATURA E CRIADOR: AUTOR, OBRA E SUAS LEITURAS
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61.1. EURICO ALVES, O FIDALGO BAIANO
71.2. FIDALGOS & VAQUEIROS (1989): UM ARQUIVAMENTO DE SI
81.2.1 Tessitura da obra: Debates em torno da escrita de Fidalgos e vaqueiros
91.2.2 O desarquivamento da obra: A publicação de Fidalgos e vaqueiros
101.3. ENTRE O DIVINO E O DIABÓLICO: DEFINIÇÕES DO ENSAIO NO CAMPO LITERÁRIO
11CAPÍTULO II
12PAISAGENS E ABOIOS: A IDEIA DA NAÇÃO EM EURICO ALVES BOAVENTURa
132.1. TRAJADO DE COURO E VESTIDO DE CORAGEM: O VAQUEIRO EURIQUIANO
142.1.1. As cores do vaqueiro
152.1.2. O vaqueiro na poética de Boaventura
162.2. IDEAIS MODERNISTAS: BOAVENTURA E SUA PREOCUPAÇÃO COM A NAÇÃO: 2.2.1. Textos em correspondência: O modernismo baiano no manifesto da revista Arco & Flexa
172.3. PAISAGEM PENETRADA: A CONSTRUÇÃO DA IMAGEM NACIONAL EM FIDALGOS E VAQUEIROS (1989): 2.3.1 O Brasil-Vaqueiro: A construção da paisagem nacional em Eurico Alves Boaventura
18CAPÍTULO III
19EURICO LEITOR: APROPRIAÇÕES E OPERAÇÕES DE LEITURA EM FIDALGOS E VAQUEIROS
203.1. DO VAQUEIRO AO QUEER: UMA ANÁLISE DAS MASCULINIDADES EM EURICO ALVES
213.1.1 Uma abordagem dos estudos das masculinidades sobre a ótica Queer
223.1.2 Relação Centáurica ou o Vaqueiro Ciborgue78
233.2. BOAVENTURA, LEITOR DE JOSÉ DE ALENCAR E EUCLIDES DA CUNHA: 3.2.1 Leitura e apropriação na narrativa euriquiana
243.3. A LEITURA DO ARQUIVO
25CONCLUSÃO