
A era de Ricardo III
Guerra cultural como métodoBy João Cezar de Castro RochaLength8h 11m
About this audiobook
Um personagem shakespeariano permite decifrar a Esfinge da extrema direita, que, mesmo quando derrotada, segue devorando seus adversários. No papel inédito do vilão que não oculta seus propósitos, antes ostenta seu repertório de vilanias com orgulho e destemor, Ricardo III anuncia sem pudor: "Estou decidido a mostrar-me um vilão". Em seu caminho ao centro do poder, ele anuncia as desfaçatezes e as torpezas de que será capaz e, ainda assim, triunfa.
Estamos no universo da forma-Ricardo III, que se regozija com as maldades que planeja, goza com a perspectiva da anarquia que precisa instaurar para sentar-se no trono. Vilania-ostentação, autorretrato involuntário de Donald Trump, Jair Bolsonaro, Javier Milei, Nayib Bukele e tutti quanti. Problema maior: a extrema direita chega ao poder por meio da decisão do eleitorado em eleições livres e democráticas. Para enfrentar essa equação paradoxal, Fiódor Dostoiévski complementa William Shakespeare. O narrador da novela Memórias do subsolo fornece uma chave nova de leitura: o ressentimento é uma força poderosa que muitas vezes nos leva a tomar decisões que nos prejudicam. O avanço da extrema direita também é a manifestação de ressentidos em escala planetária.
Diante da perplexidade que os dilemas contemporâneos provocam em todos, este ensaio arrisca uma hipótese: a imaginação literária oferece uma alternativa única para inteligirmos o que de outra forma nos escapa. No fundo, estamos todos convocados ao papel de pequenos Édipos do cotidiano que desentendemos — de Corinto a Tebas a travessia é perigosa, porém promissora: abraça o mundo todo.
Audiobook details
GenreHistory, Politics and Government
Length8 hrs 11 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateJul 20, 2026
LanguagePortuguese
Table of contents
1Epígrafe
2Dedicatória
3Advertência
4Apresentação - O que pode a imaginação literária?
5Introdução - Manual de desorientação
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6Capítulo 1 - Forma-capitalismo: potência e crise
7Capítulo 2 - Forma-Iago: dissimulação como estratégia
8Capítulo 3 - Forma-Ricardo III: desfaçatez como método
9Conclusão - O bosque se moveu
10Índice onomástico
11Índice analítico
12O autor
13Bolsonarismo: Da guerra cultural ao terrorismo doméstico