
Length4h 43m
About this audiobook
"Hay golpes en la vida, tan fuertes... ¡Yo no sé! Golpes como del odio de Dios; como si ante ellos, la resaca de todo lo sufrido se empozara en el alma... ¡Yo no sé! Son pocos; pero son... Abren zanjas oscuras en el rostro más fiero y en el lomo más fuerte. Serán tal vez los potros de bárbaros Atilas; o los heraldos negros que nos manda la Muerte. Son las caídas hondas de los Cristos del alma de alguna fe adorable que el Destino blasfema. Esos golpes sangrientos son las crepitaciones de algún pan que en la puerta del horno se nos quema. Y el hombre... Pobre... ¡pobre! Vuelve los ojos, como cuando por sobre el hombro nos llama una palmada; vuelve los ojos locos, y todo lo vivido se empoza, como charco de culpa, en la mirada. Hay golpes en la vida, tan fuertes... ¡Yo no sé!" (César Vallejo) Este poema é de 1918, ano em que se iniciava o interstício entre as guerras. A beleza deste poema é o fato dele falar sobre aqueles momentos da vida que não inenarráveis, no qual o fardo que temos que carregar se torna praticamente insuportável. O livro "Muito além do meu eu" trata desses momentos. Escrito em primeira pessoa, por meio de vozes e olhares distintos, o leitor é levado a passear pelo tempo suavemente. Ao longo da narrativa podemos ver traços da estética francesa bem como uma alusão ao clássico de Garcia, Cien años de soledad. A utilização de fluxo de consciência por meio de períodos curtos, dá ao texto uma cadencia e ritmo que prendem o leito. O livro pode ser caracterizado como paradoxal, não por ser contradizer, mas sim por unir elementos opostos como tragédia e alegria, campo e cidade, o homem rural e o homem culto, a mulher da vida (prostituta) e a mulher casada. O que dizer dos personagens? Maria comete um crime para ser feliz e mostra que devido ao crime é impossível atingir a felicidade. Sofia sofre um crime, e ao deixar este passado para trás, alcança a plenitude. Esta última é a personagem mais complexa, completa e interessante da história: sofre, luta, vence, sofre, morre, mas vence. Ela é forte e frágil, inocente e sagaz, doce e intensa. Intensidade, creio que esta é outra palavra que descreve o livro. As cenas são fortes, emocionantes e impactantes. Destaco a cena do estupro e das relações que o primeiro chefe tinha com sua mãe. Como não tenho palavras para descrever o que essas cenas provocam, recorrei a Poética de Aristóteles: "Muito além do meu eu" provoca karthasis no sentido mais aristotélico possível. O intervalo temporal no qual a história se desenrola passa pela Grande Guerra, Golpe de 64 e chega aos nossos dias de crise econômica e política. O livro destaca temas como violência contra mulher, os abusos de poder cometidos pelos policiais bem como a corrupção desta corporação, a questão da ditadura militar brasileira entre outros temas de fundamental relevância. O cunho social e a escolha do léxico marcam o lócus enunciativo fazendo que este livro se torne não só uma obra literária devido ao tratamento estético mas também uma ficção de cunho político-social, estabelecendo vínculo com obras pós colonialistas de Spivak e, ouso dizer, de Fanon.
Audiobook details
GenreEducation and Learning, Self-Help
Length4 hrs 43 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateMar 11, 2020
LanguagePortuguese
Table of contents
1Sombras de dor e medo
2Certo alguém
3Compartilhamos da mesma visão. Que be-
4O pai pediu para chamar vocês para um
5Não, ele tem problema de visão, mas é
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6Que ideia? Questiona o Pedro.
7O que ninguém poderia prever era a realidade
8Ao chegar no estábulo, a única visão que lhe era
9no estava em prantos, com tantos estrondos, rai-
10soldado.
11— Estejam preparados para ver o horror. Se-
1216 de agosto.
13Brasil é feito por brancos e para brancos!
14Ela tenta fugir, mas ouve dele:
15Contudo, não seria o último encontro deles. Dois
16Mas, o que isso significa?
17Se não fossem teus cuidados estaria; uma
18Minha segunda opção é deixar o vazio alcançar
19Gustavo tão perto quanto longe, ele sorriu para
20Caos e fúria
21A dor devora
22O que tem ele?
23Nunca é tarde para dizer adeus
24Jamais serei seu
25Meu primo foi levado para um presídio daqui de
26Uma centena de presos, pelo menos foi o que me
27adiante. Os heterossexuais, só os heterossexuais
28Aos 17 de fevereiro precisamos levá-lo ao hospi-
29O chamado
30Cada parte de mim que ainda chora aquela tarde
31Resgates de vidas passadas
32Maria, minha segunda mãe, minha irmã
33Prenda-me se for capaz
34Deixe-me ir… Se for verdade!
35Outra forma de amor
36Senti em seus olhos o orgulho de minha resposta
37As semanas passaram com uma exata precisão
38E de minha filha, lembras?
39ros. Eu estava em choque, nada falava nem medo
40Retirou de sua bolsa uma revólver, e descarregou
41Nada falei, seguimos para a delegacia, Chamaram
42Nunca é tarde para amar, nem cedo para dizer adeus
43grande amiga.
44Eu deveria estar feliz, mas não estava. Havia um
45É tempo de colher!
46É nesse sentido que difere o amor da paixão. A
47Nunca sabemos como será o amanhã, se ele virá
48Tempo de solidão
49Clarice, por outro lado ama perdidamente um vi-
50Descobrimos um amigo por acaso, perdido entre