
Length2h 35m
About this audiobook
Gabriella é uma jornalista apaixonada por histórias. Miguel Vitorino, um ator que carrega muitos personagens na alma. O que começa como uma admiração silenciosa se transforma numa jornada repleta de encontros improváveis, cenas improvisadas, cafés com leite e um laço que parece vir de outras vidas. Entre tropeços no palco, bilhetes escondidos e sorrisos cúmplices, eles constroem uma amizade rara — daquelas que o tempo não apaga. *Muitas Vidas* é uma comédia romântica leve, emocionante e cheia de verdade sobre conexões, coragem e o poder da arte de unir pessoas.
Audiobook details
GenreOther
Length2 hrs 35 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
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Publish dateAug 5, 2025
LanguagePortuguese
Table of contents
1💛 MENSAGEM PARA OS LEITORES
2(Untitled): Introdução
3O Início de Gabriella
4Os Bastidores da Alma
5A Vida que Se Escreve Sozinha
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6O Elo Invisível
7Naquela semana, Gabriella foi convidada para um bate-papo com artistas de teatro em um centro cultural discreto, quase secreto, encravado entre prédios antigos do bairro da Liberdade. O evento se chamava **“Vidas em Cena” ** e reunia veteranos, iniciantes e alguns jornalistas com sensibilidade pra entender que o espetáculo começa bem antes da cortina subir.
8Chegou atrasada — como de costume —, tropeçando nos próprios passos, segurando um bloquinho, a bolsa atravessada e o cabelo solto, preso apenas pela coragem. Foi recebida por um rapaz sorridente, que usava um cachecol listrado e carregava um café em cada mão:
9— “Gabriella Miranda, certo? Estava te esperando! Sou o Léo.”
10Ela se surpreendeu.
11— “Me esperando?”
12Ele estendeu um copo.
13— “Você escreve com o coração, e eu adoro gente assim. O pessoal fala de você como se já fosse personagem.”
14Gabriella riu, meio sem graça.
15— “Já estou me sentindo em uma peça.”
16Léo era uma daquelas figuras difíceis de descrever: carismático, expansivo, e com um jeitinho debochado que só os bons conhecem usar. Em pouco tempo, estavam conversando como velhos amigos. Entre um café e outro, Léo contou que era figurinista, cenógrafo, iluminador nas horas vagas, mas acima de tudo, **fofoqueiro de bastidor com alma de poeta. ** E foi ali, com um ar casual, que ele soltou:
17— “Aliás, tô trabalhando na nova peça do Miguel Vitorino. Você conhece?”
18Gabriella congelou por dentro, mas fingiu maturidade.
19— “Já ouvi falar. Bastante, aliás.”
20— “É, o bicho é enigmático, né? E meio rabugento, mas de um talento… Menina, se você for escrever sobre ele, me avisa. Te apresento.”
21Gabriella sorriu, tentando esconder a euforia. Mas antes que pudesse fazer mais perguntas, o mediador do evento chamou todos para o auditório.
22A conversa com os artistas foi linda. Gabriella se emocionou com os relatos, anotou tudo, e no fim saiu renovada. Quando desceu as escadas, tropeçou de leve na pressa… e esbarrou em alguém.
23— “Desculpa!” disse, arrumando a bolsa.
24— “Tudo bem, foi leve. Quase um aplauso antecipado,” respondeu a voz grave e simpática.
25Ela riu, agradeceu e seguiu seu caminho… sem saber que aquele homem, de boné e jaqueta de couro, era **Miguel Vitorino. ** Enquanto ela descia para o metrô, Miguel subia para uma reunião rápida no teatro. Minutos depois, Léo o encontrou:
26— “Miguel! Você esbarrou agora há pouco numa jornalista atrapalhada?”
27— “Aquela do bloquinho caindo da bolsa?”
28— “Essa mesma.”
29— “Simpática.”
30Léo sorriu, como quem sabe de algo que o mundo ainda não descobriu.
31— “Ela vai escrever sobre você, sabia?”
32Miguel arqueou uma sobrancelha.
33— “Sobre mim? Ela mal me conhece.”
34— “Exatamente.”
35Entre Palcos e Páginas
36Naquela manhã, Gabriella estava especialmente inspirada. Depois do quase-esbarrão da noite anterior, ela sonhou que subia num palco e via o público inteiro usando máscaras de teatro. No meio da plateia, um homem de rosto oculto acenava pra ela. Quando tentou se aproximar, ele sumia na fumaça cênica. Acordou com uma sensação estranha: algo estava prestes a mudar.
37Na redação, Clarice percebeu o brilho diferente.
38— “Você tá apaixonada ou teve uma ideia genial?”
39Gabriella deu de ombros, com um sorriso.
40— “Talvez os dois.”
41No mesmo horário, a poucos quilômetros dali, Miguel Vitorino fazia seus alongamentos no camarim do Teatro Vila Real. Estava concentrado, mas o nome “Gabriella Miranda” ecoava na mente dele.
42— “Uma jornalista que nem me conhece quer escrever sobre mim… e me esbarrou sem saber. Que maluquice.”
43Léo apareceu na porta com seu café de sempre.
44— “Liguei pra ela hoje. Convidei pra vir assistir o ensaio geral da peça.”
45— “Você a convidou? Sem me avisar?”
46— “Ué, é só uma jornalista, Miguel. E ela nem sabe que você é você.”
47Miguel bufou, mas no fundo… ficou curioso. Enquanto isso, Gabriella, do outro lado da cidade, estava surtando em silêncio. O telefone mal tinha desligado e ela já estava pensando no que vestir, como se comportar, o que observar. Ela achava que veria Miguel de longe — talvez num canto do palco, quem sabe. Mas não sabia que o acaso estava prestes a brincar de cupido.
48Naquela noite, Gabriella chegou ao teatro antes da hora, com um bloquinho nas mãos e o coração batendo como tamborim em desfile. Léo a recebeu com o mesmo entusiasmo teatral de sempre.
49— “Sente-se onde quiser, mas recomendo o meio da quarta fileira. Vai ter uma surpresa.”
50Ela riu, meio nervosa.