Muitas Vidas

Muitas Vidas

By Flávia Miranda
Michael Caine
Listen with Sir Michael Caine™ and 1,000+ voices
Length2h 35m

About this audiobook

Gabriella é uma jornalista apaixonada por histórias. Miguel Vitorino, um ator que carrega muitos personagens na alma. O que começa como uma admiração silenciosa se transforma numa jornada repleta de encontros improváveis, cenas improvisadas, cafés com leite e um laço que parece vir de outras vidas. Entre tropeços no palco, bilhetes escondidos e sorrisos cúmplices, eles constroem uma amizade rara — daquelas que o tempo não apaga. *Muitas Vidas* é uma comédia romântica leve, emocionante e cheia de verdade sobre conexões, coragem e o poder da arte de unir pessoas.

Audiobook details

GenreOther
Length2 hrs 35 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
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Publish dateAug 5, 2025
LanguagePortuguese

Table of contents

1💛 MENSAGEM PARA OS LEITORES
244— “Não, senhorita. Mas às vezes a vida dirige por caminhos tortos antes de chegar ao final feliz.”
2(Untitled): Introdução
245Ele deu a ela um bilhete: “Hoje, o palco é seu.”
3O Início de Gabriella
246Quando chegaram ao teatro, ele piscou e sumiu no meio da multidão. Gabriella, atônita, nem sabia se ria, chorava ou gritava com o destino.
4Os Bastidores da Alma
247A Quase Revelação
5A Vida que Se Escreve Sozinha
248Dentro do teatro, tudo estava preparado: o palco escuro, apenas uma cadeira iluminada por um feixe de luz dourada. Uma voz ecoou pelos alto-falantes:
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6O Elo Invisível
249— “Gabriella, você é a jornalista que deu vida às minhas mil mortes. Cada personagem que criei encontrou espaço nas palavras que você nunca ousou publicar. Mas hoje... eu sou apenas eu.”
7Naquela semana, Gabriella foi convidada para um bate-papo com artistas de teatro em um centro cultural discreto, quase secreto, encravado entre prédios antigos do bairro da Liberdade. O evento se chamava **“Vidas em Cena” ** e reunia veteranos, iniciantes e alguns jornalistas com sensibilidade pra entender que o espetáculo começa bem antes da cortina subir.
250Ela levantou, o coração batendo na boca. Nesse momento, **a luz se apagou de repente** e o som de uma porta se fechando ecoou. Quando voltou a luz, só havia uma rosa vermelha na cadeira. Miguel tinha estado lá... mas sumira de novo.
8Chegou atrasada — como de costume —, tropeçando nos próprios passos, segurando um bloquinho, a bolsa atravessada e o cabelo solto, preso apenas pela coragem. Foi recebida por um rapaz sorridente, que usava um cachecol listrado e carregava um café em cada mão:
251Gabriella suspirou, meio brava, meio emocionada.
9— “Gabriella Miranda, certo? Estava te esperando! Sou o Léo.”
252— “Miguel, se isso é um teatro, eu já mereço o Oscar por paciência!”
10Ela se surpreendeu.
253O Garçom Misterioso
11— “Me esperando?”
254No dia seguinte, Gabriella decidiu dar um tempo nos desencontros. “Hoje eu só quero um café e paz!”, murmurou para si mesma. Escolheu uma cafeteria charmosa no centro, dessas que parecem paradas no tempo, com vitrais coloridos e cheiro de bolo de fubá.
12Ele estendeu um copo.
255Sentou-se, pediu um cappuccino e abriu o notebook. Mas, antes que pudesse digitar algo, **o garçom apareceu**. Um garçom... estranho. Bonito, alto, com um bigodinho torto que parecia colado, e um sorriso enigmático.
13— “Você escreve com o coração, e eu adoro gente assim. O pessoal fala de você como se já fosse personagem.”
256— “Bom dia, senhora jornalista. Vai querer açúcar ou suspense no café de hoje?”
14Gabriella riu, meio sem graça.
257Gabriella arregalou os olhos.
15— “Já estou me sentindo em uma peça.”
258— “Desculpa, você me conhece?”
16Léo era uma daquelas figuras difíceis de descrever: carismático, expansivo, e com um jeitinho debochado que só os bons conhecem usar. Em pouco tempo, estavam conversando como velhos amigos. Entre um café e outro, Léo contou que era figurinista, cenógrafo, iluminador nas horas vagas, mas acima de tudo, **fofoqueiro de bastidor com alma de poeta. ** E foi ali, com um ar casual, que ele soltou:
259— “Conheço todo mundo que vive muitas vidas”, respondeu ele, inclinando-se com um ar teatral.
17— “Aliás, tô trabalhando na nova peça do Miguel Vitorino. Você conhece?”
260Ela ficou desconcertada. “Não, não pode ser. Esse bigode... É falso?”
18Gabriella congelou por dentro, mas fingiu maturidade.
261— “Não mexa no bigode do garçom! Dá azar”, disse ele, rindo de canto.
19— “Já ouvi falar. Bastante, aliás.”
262Gabriella levantou a sobrancelha. Era impossível, mas aquele humor, aquele olhar... **parecia Miguel! ** Antes que ela pudesse perguntar algo, Léo entrou na cafeteria como um furacão:
20— “É, o bicho é enigmático, né? E meio rabugento, mas de um talento… Menina, se você for escrever sobre ele, me avisa. Te apresento.”
263— “Amiga! Corre! Esqueceram um manuscrito com o seu nome no teatro! Pode ser algo importante!”
21Gabriella sorriu, tentando esconder a euforia. Mas antes que pudesse fazer mais perguntas, o mediador do evento chamou todos para o auditório.
264Quando Gabriella se virou para o garçom, ele já tinha sumido, deixando apenas um bilhete debaixo da xícara:
22A conversa com os artistas foi linda. Gabriella se emocionou com os relatos, anotou tudo, e no fim saiu renovada. Quando desceu as escadas, tropeçou de leve na pressa… e esbarrou em alguém.
265*“Se você adivinhar quem eu sou antes da última cena, eu pago o café. Caso contrário... me deve um artigo.”*
23— “Desculpa!” disse, arrumando a bolsa.
266A Armadilha Charmosa de Léo
24— “Tudo bem, foi leve. Quase um aplauso antecipado,” respondeu a voz grave e simpática.
267Léo, claro, estava mais envolvido do que admitia. Ele adorava assistir de camarote aquela dança de gato e rato entre Gabriella e Miguel. E decidiu “ajudar” criando uma pequena armadilha.
25Ela riu, agradeceu e seguiu seu caminho… sem saber que aquele homem, de boné e jaqueta de couro, era **Miguel Vitorino. ** Enquanto ela descia para o metrô, Miguel subia para uma reunião rápida no teatro. Minutos depois, Léo o encontrou:
268— “Vamos fazer um quiz de personagens?”, sugeriu Léo no telefone.
26— “Miguel! Você esbarrou agora há pouco numa jornalista atrapalhada?”
269— “Que quiz?”
27— “Aquela do bloquinho caindo da bolsa?”
270— “Adivinhar quais vidas Miguel já viveu no palco. Eu tenho fotos, vídeos, até uma meia que ele esqueceu no camarim!”
28— “Essa mesma.”
271Léo marcou um encontro com Gabriella em uma praça para entregar essas “pistas”. Mas quando ela chegou, não encontrou o amigo. No lugar, **havia um teatro de rua improvisado** com atores vestidos como alguns dos personagens de Miguel. Era como se cada um saísse do papel só para conversar com ela. Um deles — um pescador trôpego — deixou cair uma rede aos pés de Gabriella.
29— “Simpática.”
272— “Cuidado, moça! A vida é cheia de nós... mas sempre dá pra desatar.”
30Léo sorriu, como quem sabe de algo que o mundo ainda não descobriu.
273Ela quase caiu de tanto rir, enquanto uma senhora ao lado, confundindo a cena com algo real, gritava:
31— “Ela vai escrever sobre você, sabia?”
274— “Moça, cuidado! Esse povo aí parece maluco!”
32Miguel arqueou uma sobrancelha.
275Uma Ligação Inesperada
33— “Sobre mim? Ela mal me conhece.”
276No meio de tanta confusão, Gabriella recebeu uma ligação de número desconhecido.
34— “Exatamente.”
277— “Alô?”
35Entre Palcos e Páginas
278— “Desculpa... acho que errei o número.”
36Naquela manhã, Gabriella estava especialmente inspirada. Depois do quase-esbarrão da noite anterior, ela sonhou que subia num palco e via o público inteiro usando máscaras de teatro. No meio da plateia, um homem de rosto oculto acenava pra ela. Quando tentou se aproximar, ele sumia na fumaça cênica. Acordou com uma sensação estranha: algo estava prestes a mudar.
279— “Quem está falando?”
37Na redação, Clarice percebeu o brilho diferente.
280— “Um cara que vive muitas vidas, mas que, neste momento, só queria falar com você.”
38— “Você tá apaixonada ou teve uma ideia genial?”
281Era Miguel, claro. A voz grave, com um toque de nervosismo. Ela sorriu, sem saber o que dizer.
39Gabriella deu de ombros, com um sorriso.
282— “Se é pra se desculpar, já é a terceira vez essa semana.”
40— “Talvez os dois.”
283— “Então vou me desculpar mais uma. Até você me perdoar... e me encontrar.”
41No mesmo horário, a poucos quilômetros dali, Miguel Vitorino fazia seus alongamentos no camarim do Teatro Vila Real. Estava concentrado, mas o nome “Gabriella Miranda” ecoava na mente dele.
284Gabriella ficou em silêncio, com o coração acelerado.
42— “Uma jornalista que nem me conhece quer escrever sobre mim… e me esbarrou sem saber. Que maluquice.”
285Um Café ao Entardecer
43Léo apareceu na porta com seu café de sempre.
286*Gabriella e Léo estão sentados em uma cafeteria charmosa, com cheiro de pão de queijo recém-saído do forno. Léo mexe no celular enquanto Gabriella olha pela janela, distraída. *
44— “Liguei pra ela hoje. Convidei pra vir assistir o ensaio geral da peça.”
287Léo (sem levantar os olhos): — Então, dona jornalista, quando é que você vai parar de fugir do seu próprio filme?
45— “Você a convidou? Sem me avisar?”
288Gabriella (ri, balançando a cabeça): — Que filme? Se minha vida fosse um roteiro, ia ser uma comédia de erros, com direito a tropeços e cafés frios.
46— “Ué, é só uma jornalista, Miguel. E ela nem sabe que você é você.”
289Léo: Pois eu acho que sua vida é cheia de capítulos bons. Mas me conta... de onde veio essa sua paixão pelo jornalismo? Você sempre quis isso?
47Miguel bufou, mas no fundo… ficou curioso. Enquanto isso, Gabriella, do outro lado da cidade, estava surtando em silêncio. O telefone mal tinha desligado e ela já estava pensando no que vestir, como se comportar, o que observar. Ela achava que veria Miguel de longe — talvez num canto do palco, quem sabe. Mas não sabia que o acaso estava prestes a brincar de cupido.
290Gabriella: — Desde menina. Eu ficava fascinada vendo aqueles cadernos culturais do jornal da cidade. Eu queria estar lá, contando histórias, entrevistando artistas, mergulhando na vida das pessoas. Só que... (Suspira) sempre achei que não tinha nada de especial pra dizer.
48Naquela noite, Gabriella chegou ao teatro antes da hora, com um bloquinho nas mãos e o coração batendo como tamborim em desfile. Léo a recebeu com o mesmo entusiasmo teatral de sempre.
291Léo: — Ah, mas isso é mentira. Você vê a vida com uma lente que ninguém mais vê. Olha o jeito que você escreve sobre novelas e peças de teatro... parece que está vivendo junto com os personagens.
49— “Sente-se onde quiser, mas recomendo o meio da quarta fileira. Vai ter uma surpresa.”
292Gabriella:— É porque eu sinto isso. Teatro, novela, são como mundos paralelos. A gente pode ser qualquer coisa ali. Acho que minha vida toda eu procurei isso... viver muitas vidas, mesmo que só escrevendo.
50Ela riu, meio nervosa.
293Léo: — E foi aí que entrou o. *"o tal Miguel Vitorino"*?
51Durante o ensaio, Gabriella se emocionou. A peça era um drama sobre perdas, reencontros e segundas chances. Um dos atores em cena… era ele. **Miguel**, sim, **mas mascarado**. Ela ainda não sabia. Mas seus olhos não conseguiam desgrudar dele.
294Gabriella (ri, meio sem graça): — Não fala assim, parece até novela mexicana.
52No fim do ensaio, Léo apareceu sorrindo:
295Léo:— Ué, mas não é? Você vive falando dele, desse jeito... "o homem que vive mil personagens".
53— “E então? O que achou?”
296Gabriella: — É que... ele é diferente, Léo. Não só como ator, mas como pessoa. Quando eu assisto uma peça dele, parece que ele está falando comigo, entende?
54— “Forte. Real. Me tocou. Aquele ator principal… quem é?”
297Léo:— Entendo. (Dá um sorriso maroto) — Entendo que você tá *apaixonadinha*.
55Léo piscou, misterioso:
298Gabriella:— Ai, para! Não é assim. Ele me inspira. Eu não sei como, mas parece que cada personagem dele é um capítulo que eu ainda não escrevi.
56— “Ah… isso você vai descobrir com o tempo.”
299Léo:— Bom, então eu vou dizer uma coisa: você não só vai escrever, como vai viver um capítulo com ele.
57Gabriella saiu do teatro com a mente fervilhando. Ao entrar no metrô, tirou o bloquinho da bolsa e escreveu:
300Gabriella (ergue a sobrancelha): — Ah é? Virou vidente agora?
58“Hoje vi alguém viver uma dor que não era dele — e senti como se fosse minha. Talvez escrever seja isso: emprestar o coração para que outro o use em cena.”
301Léo:— Não precisa ser vidente, gata. Só precisa estar no lugar certo, na hora certa... e eu sou ótimo em providenciar essas coincidências.
59Enquanto isso, Miguel, ainda suando da apresentação, perguntou:
302Gabriella: — Você anda aprontando, né? Esses encontros “acidentais” não têm nada de acaso.
60— “Ela gostou?”
303Léo (piscando): — Quem, eu? Nunca. Mas me diz... e se você tivesse só cinco minutos cara a cara com Miguel, o que perguntaria?
61Léo apenas respondeu com um sorrisinho debochado:
304Gabriella (fica pensativa): — Eu não perguntaria. Acho que só ouviria. Ou talvez... agradeceria. Porque ele me fez lembrar porque eu comecei a escrever.
62— “Ela se apaixonou. Pela arte, claro…”
305Léo (com ar cúmplice): — Então prepara o coração, porque acho que o destino está só esquentando os motores.
63Miguel riu, sem saber que Gabriella carregava no bolso o rascunho de um texto que mudaria os dois.
306A Travessura do Camarim
64Rascunhos do Destino
307No dia seguinte, Gabriella está saindo do trabalho quando recebe uma mensagem de Léo. *
65Na semana seguinte, Gabriella estava em casa, cercada de cadernos, livros de teatro, programas antigos de peças, jornais velhos... e silêncio. Um silêncio fértil, criativo, cheio de ideia fervendo. Ela estava começando o artigo. Escreveu sobre máscaras, sobre o que os atores escondem atrás delas, e como o palco permite viver **muitas vidas**. Falou de um homem misterioso que ela viu em cena, de quem não sabia o nome, mas que a fez chorar como se tivesse vivido aquela história. Salvou o texto como rascunho. Não estava pronta pra publicar… ainda.
308Léo: “Corre pro Teatro São Jorge hoje à noite. Tenho um convite que você não vai resistir. E não me diga não, mulher!” *
66Enquanto isso, no teatro, Miguel terminava um ensaio puxado. Estava exausto, mas Léo o esperava com um tablet na mão.
309Gabriella suspira, já sabendo que vem encrenca. Mas o coração dá aquele salto. Miguel Vitorino estaria ali? O nome dele ecoava nos corredores da peça nova que estrearia em breve.
67— “Antes de ir embora, lê isso.”
310No Teatro
68— “O quê?”
311*Léo está na porta do teatro, com um crachá improvisado e um sorriso suspeito. *
69— “Um artigo que ainda não foi publicado. Da Gabriella.”
312Gabriella: O que você aprontou dessa vez?
70Miguel hesitou, mas acabou pegando o aparelho. Conforme lia, algo dentro dele foi se desmontando em silêncio. Ela havia captado não só a alma da peça… mas **dele**. Das angústias, das pausas, dos olhares. Era como se tivesse sido vista, de verdade, pela primeira vez — mesmo sem ser visto.
313Léo: — Apenas sua chance de ouro. Hoje você vai ver os bastidores de uma peça antes mesmo do público.
71Miguel devolveu o tablet em silêncio.
314Gabriella: “Bastidores?” Léo, isso é invasão!
72— “Ela sabe quem eu sou?”
315Léo: Não seja dramática, eu conheço gente aqui.
73— “Não. Mas já conhece você melhor do que muita gente que te chama de amigos.”
316(Na verdade, ele não conhece ninguém, mas conseguiu entrar com aquele jeito simpático que abre qualquer porta.)
74Miguel ficou alguns segundos parado. Depois, apenas disse:
317O Camarim dos Figurinos
75— “Não mostra pra ela que li isso.”
318Léo empurra Gabriella para dentro de um camarim lotado de figurinos, máscaras e sapatos espalhados. *
76— “Claro que não”, respondeu Léo, rindo por dentro. Sabia que a semente tinha sido plantada.
319Gabriella: Léo, o que é isso?
77No dia seguinte, Gabriella foi chamada para uma matéria especial com foco em "jovens talentos que renascem no teatro brasileiro". E adivinha quem estava na lista dos indicados para a entrevista final? **Miguel Vitorino. **
320Léo:” Missão inspiração” Você queria escrever sobre as muitas vidas de Miguel, não queria? Então, esse é o lugar onde elas nascem.
78Gabriella arregalou os olhos:
321(Antes que Gabriella proteste, Léo fecha a porta e sai correndo pelo corredor, deixando ela sozinha. Quando tenta abrir a porta, percebe que está trancada por fora.)
79— “Eu… entrevistar ele? Mas eu nem sei se tô pronta…”
322Uma Armadilha Charmosa
80— “É só uma pré-seleção,” disse Clarice, sua editora. “Tem outros nomes também. Mas se cair com você, vai ter que segurar.”
323Gabriella: LÉO! Abre essa porta, seu doido!
81Gabriella respirou fundo. Ela não podia dizer não. Estava diante de algo maior. Não era só um artigo. Era o início de **sua própria história. ** Mas o destino… ah, ele ainda queria brincar mais um pouquinho. Porque antes da entrevista oficial, Gabriella encontrou com Léo num café — e mais uma vez **esbarrou em Miguel. ** Só que ele, dessa vez, **sabia quem ela era. ** E Gabriella… ainda não. Ela pediu desculpas de novo, ele sorriu de canto, e os dois seguiram caminhos opostos. Mas Miguel, ao sair, deixou cair discretamente uma folha no chão. Uma anotação de cena… com seu nome assinado. Gabriella pegou o papel. Leu. E pela primeira vez, ligou os pontos.
324(Ela tropeça numa caixa cheia de chapéus e perucas, caindo de cara numa peruca azul-choque.) *
82— **“Miguel… Vitorino…” **
325Gabriella: Ótimo... agora estou parecendo um Smurf de ressaca.
83O nome ecoou nos ouvidos. O ator que a emocionou. O homem da escada. O rosto da peça. Ela ficou ali, parada, com o coração batendo como se fosse a estreia.
326(O celular vibra. É uma mensagem de um número desconhecido.)
84As Vidas
327**Mensagem:** *“Desculpa, você está no meu camarim?” *
85Gabriella chegou em casa com o papel nas mãos e a cabeça nas nuvens.**Miguel Vitorino. **
328Gabriella congela. *No meu camarim? Ela olha ao redor e vê fotos de Miguel coladas num espelho. *Meu Deus, é o dele! * (Liga para o número, nervosa.)
86O nome agora tinha corpo, voz e… charme, sim. Um charme meio desajeitado, confesso, mas que grudava na memória feito música de novela das sete. Abriu o notebook e foi direto ao rascunho. Não pensou duas vezes: mudou o título.
329Gabriella: Oi... desculpa... eu acho que entrei sem querer...
87“Muitas Vidas – O homem que nunca vive só uma.”
330Voz do outro lado (rindo): — Sem querer? Quem entra “sem querer” num camarim cheio de perucas?
88E ali, com dedos acelerados, começou a escrever.
331Gabriella: — Culpa do meu amigo maluco. Juro que não sou invasora.
89“Miguel Vitorino não interpreta personagens. Ele os encarna, os carrega nos ombros, nos gestos, nos silêncios e nas piadas mal contadas que faz nos bastidores. Já foi rei, mendigo, cafajeste, padre, palhaço, general, namorado rejeitado e até... pinguim. Sim, um pinguim — e dizem que foi um dos melhores papéis da carreira.
332Miguel (ainda rindo): — Fica tranquila. Eu estou indo aí, só não mexe nos meus bigodes de cena, são delicados.
90Quando sobe ao palco, não é ele quem está ali. São todos os que já foi. E todos os que ainda será.” Enquanto escrevia, Gabriella ria sozinha, lembrando de uma cena do ensaio em que Miguel tentava levantar uma espada que fazia barulho de panela velha.
333*(Gabriella, nervosa, pega um dos bigodes falsos e cola no rosto sem perceber, tentando se “disfarçar” para não morrer de vergonha.) *
91“Tem algo de cômico até no trágico com ele. É como se, mesmo diante da dor, Miguel deixasse uma fresta aberta para o riso escapar. E o público? Agradece. Porque rir no meio do choro é arte rara.”
334Próxima Travessura
92Ao terminar, Gabriella respirou fundo. O texto estava ali, vivo. Faltava só… coragem de mostrar. Mas antes disso, ela decidiu mostrar a Léo. Chamou-o num café. Quando ele chegou, Gabriella já estava lá, com o texto impresso, dobrado na mesa.
335Quando Miguel abre a porta, ela está com o bigode torto, segurando um chapéu de pirata, e solta a pérola:
93— “Preciso de uma opinião sincera.”
336Gabriella: — Eu... estava só estudando as “muitas vidas” do senhor.
94Léo, teatral como sempre, pegou o papel com os dois dedos, como se fosse um roteiro de Shakespeare. Leu. Parou. Leu de novo.
337Miguel (com um sorriso divertido): — Então quer começar com a do pirata?
95— “Tá brilhante.”
338O Tropeço no Palco
96— “Você acha?”
339*Miguel olha para Gabriella, ainda com o bigode falso pendendo de um lado do rosto. Ele tenta disfarçar a risada, mas não consegue. Gabriella, morrendo de vergonha, pensa na única saída possível: fugir. *
97— “Acho não. Tenho certeza. Tá tão bom que me deu até vontade de viver várias vidas também. Inclusive, a de um padeiro romântico que dança forró nas horas vagas.”
340Gabriella: — Eu... acho que vou embora antes que faça mais alguma besteira.
98Gabriella gargalhou.
341Miguel: — Besteira? Você já tá pronta pra subir no palco assim!
99— “Você é impossível.”
342*(Ela tenta sair do camarim rapidamente, mas ao abrir a porta, dá de cara com um corredor lotado de atores em ensaio. Tropeça numa caixa de adereços e, num segundo, está de joelhos no meio do palco iluminado.) *
100— “Não. Eu sou útil. Porque vou marcar essa entrevista com o Miguel. Oficialmente. Com direito a café, gravador… e encontro de verdade.”
343Improviso Inusitado
101— “Léo…”
344Diretor: — Ei! Quem é essa? Nova atriz? Gostei da atitude, já chegou “mergulhando” na cena!
102— “Chega de esbarrar. Agora é olho no olho, Gabriella. Tá na hora de viver essa história.”
345*(Miguel aparece atrás, segurando o riso, e entra no jogo.) *
103O Encontro (quase) Marcado
346Miguel: — (com um sotaque italiano) — *Amore mio! * Você voltou para mim depois de dez anos perdida no mar?
104No dia da entrevista, Gabriella chegou cedo. Tão cedo que o porteiro do teatro ainda estava varrendo a calçada. Miguel, por sua vez, estava atrasado. Claro. Porque decidiu, de última hora, cortar o cabelo, passar numa padaria pra comprar o tal “pão de queijo que inspira atores” e ainda... trocar de camisa três vezes.
347(Gabriella fica paralisada, mas o público do ensaio – atores, produtores e técnicos – já está assistindo como se fosse parte da peça.)
105Léo, já prevendo tudo, resolveu distrair Gabriella enquanto Miguel se ajeitava.
348Diretor: — Vai, garota, responde! Sente a emoção!
106— “Ele tá vindo, mas teve um… imprevisto artístico.”
349Gabriella: — (meio desesperada) — Ééé... voltei... porque... porque achei o bigode certo?
107— “Tipo?”
350(Os atores caem na gargalhada. Miguel segura o riso e improvisa, segurando as mãos dela.)
108— “Tipo: deixou a cueca enganchada na manga da camisa e só percebeu na calçada.”
351Miguel: — *Então jure que nunca mais me deixará, minha pirata de cabelos azuis!
109Gabriella teve uma crise de riso. Gargalhou como há tempos não fazia. E nesse instante, soube: aquela entrevista não era só mais uma pauta. Era o início da sua própria peça.
352*(Ela olha pro espelho lateral e percebe a peruca azul-choque ainda na cabeça. Quer morrer de vergonha.) *
110Um Telefonema Misterioso
353A Fuga
111Gabriella estava pronta. Blusa arrumadinha, gravador na bolsa, caderninho de anotações nas mãos. Sentada num banco perto do teatro, ela olhava o relógio pela milésima vez.
354Quando o improviso termina e todos batem palmas, Gabriella vê uma brecha e sai correndo pelo corredor, sem dizer nada. Miguel ainda grita:
112— "Dez minutos de atraso. Tudo bem… atores, né?", murmurou com um sorriso indulgente.
355Miguel:— Ei, espera! Você é boa demais pra fugir assim!
113Foi quando o celular vibrou. Número desconhecido. Atendeu, meio hesitante.
356(Mas ela desaparece como fumaça.)
114— **“Alô?” **
357A Procura
115— “Gabriella?” — a voz era masculina, rouca e... surpreendentemente gentil.
358No dia seguinte, Gabriella recebe uma ligação do número desconhecido.
116— “Sim... quem fala?”
359Miguel (voz suave):— Então é assim? Me deixa no palco, diante de um público, e foge sem dizer o nome?
117— “Desculpa. Mil desculpas. É que eu… não vou conseguir chegar a tempo. Um... um imprevisto com o figurino.”
360Gabriella:— (tentando disfarçar) — Eu... desculpa... eu não sou atriz!
118Ela franziu a testa.
361Miguel: — Pois devia ser. Ontem você roubou a cena.
119— “Figurino?”
362(Ele faz uma pausa dramática.)
120— “É. Ele… pegou fogo.”
363Miguel:— Quero te ver de novo, Gabriella. A gente ainda tem muitas vidas pra viver juntos.
121— “O quê?!”
364O Plano Maluco de Léo
122— “Quer dizer, quase. O ferro de passar estava no máximo. E aí, sem querer, encostou na capa do personagem. Que é inflamável. Então, tecnicamente, não pegou fogo. Mas fumaceou. Bastante.”
365Léo descobre, por fofocas de bastidores, que Miguel está intrigado com a “misteriosa garota da peruca azul”. Sem perder tempo, liga para Gabriella, fingindo inocência.
123Gabriella segurou o riso.
366Léo: — Oi, Gabi! Tudo bem?
124— “Quem é você mesmo?”
367Gabriella (desconfiada): — Depende… você vai aprontar alguma?
125Silêncio do outro lado.
368Léo: — Eu? Imagina! (Pausa dramática) Tá sabendo que alguém famoso anda procurando por você?
126— “Ah. É.. Um admirador do seu texto. Que você ainda não sabe quem é.”
369Gabriella (coração acelera): — Do que você tá falando?
127— “Como assim, que eu não sei?”
370Léo: — Vamos dizer que... aquele ator que você admira ficou tão encantado com o seu “talento” que quer um bis.
128— “Olha, só me dá uma segunda chance. Por favor. Não conta isso pra ninguém. Principalmente para o Léo.”
371*(Gabriella suspira fundo, sentindo o rosto esquentar.) *
129— “Você conhece o Léo?!”
372O Encontro com Léo
130— “Ops. Falei demais. Preciso ir. Tô… resolvendo o negócio do figurino.”
373Gabriella decide encontrar Léo pra tirar satisfações — e dar um “puxão de orelha” pelo dia em que ele a trancou no camarim sem querer.
131E desligou. Gabriella ficou ali, com o celular na mão e a sobrancelha arqueada, parecendo uma personagem de Agatha Christie em versão jornalista.
374Gabriella (com os braços cruzados): — Você sabia que quase morri de vergonha naquele dia, né?
132— “Mas o que foi ISSO?!”, murmurou, olhando ao redor como se fosse encontrar uma câmera escondida.
375Léo (tentando não rir): — Morreu nada, mulher! Você brilhou! Miguel nunca vai esquecer aquela cena.
133A Comédia dos Desencontros
376Gabriella (irônica): — Ah, que ótimo! Agora sou lembrada como “a pirata de peruca azul”. Obrigada, Léo.
134Léo apareceu minutos depois, com um café na mão e um sorriso no rosto.
377*(Ele abre um sorriso travesso.) *
135— “Pronta pra entrevistar o astro?”
378Léo: Sabe o que mais? Acho que vocês dois merecem se encontrar de novo. Eu até pensei em uma coisa...
136— “Então... acho que ele me ligou.”
379*(Gabriella já imagina confusão.) *
137— “Ah, então vocês falaram?”
380Gabriella: Não, Léo. Já tô vendo sua cara de armadilha.
138— “Mais ou menos. Ele pediu desculpas. Disse que o figurino quase pegou fogo.”
381Léo: Só uma ajudinha do destino, nada demais. Confia em mim.
139— “Ahhhh não! Ele usou essa desculpa de novo?!”
382(Ele pisca, deixando Gabriella ainda mais desconfiada.)
140— “Como assim *de novo*?”
383A Armadilha Cômica
141Léo riu, colocando a mão na testa.
384Léo arma um “coquetel de bastidores” só para juntar Gabriella e Miguel. Mas, claro, as coisas não saem como o planejado. Ao chegar, Gabriella encontra uma porta de camarim... e, de repente, ela percebe que está novamente trancada lá dentro.
142— “Miguel já queimou figurino com ferro três vezes. Uma vez era porque estava distraído vendo vídeo de dança de salão. Na outra foi porque confundiu spray fixador com desinfetante.”
385Gabriella (pelo celular): — LÉO! Me diz que não é sério isso!
143Gabriella caiu na gargalhada.
386Léo (do outro lado, rindo): — Calma, calma! É só pra te dar coragem de encarar o Miguel sem fugir.
144— “Ele é um desastre!”
387Gabriella (indignada): — Você tem noção do trauma que eu tenho de camarim agora?
145— “Mas um desastre... adorável.”
388(Enquanto isso, Miguel está chegando, sem saber que Gabriella está ali dentro.)
146— “Ainda quero entrevistá-lo. Mas confesso que agora tô ainda mais curiosa.”
389Vozes Entre Figurinos
147Léo piscou.
390(O camarim está cheio de figurinos pendurados em cabides, plumas e tecidos que parecem formar um labirinto. Gabriella, ainda irritada com Léo, tenta encontrar uma saída, quando ouve a porta abrir silenciosamente.)
148— “É, Gabriella. Tem coisa que não dá pra explicar. Só viver.”
391Gabriella (assustada): — Quem tá aí?!
149O Retorno do Taxista Romeno
392Miguel (divertido): — Calma... só um ator perdido atrás do próprio figurino.
150Dois dias depois do telefonema misterioso, Gabriella decidiu ir até o centro da cidade, onde sabia que Miguel estava ensaiando uma peça antiga que seria remontada. Ela queria se aproximar, pegar detalhes, respirar aquele ar de coxia, ainda que de fora. Andava pelas calçadas apressada, quando um homem tropeçou quase em cima dela.
393(A voz profunda e bem-humorada de Miguel faz Gabriella gelar por dentro. Ela se esconde atrás de uma pilha de roupas, sem coragem de aparecer.)
151— “Mil perdões, senhorita! A culpa foi da calçada... ela me odeia!” — disse o homem com um forte sotaque romeno, chapéu torto na cabeça e um cachecol com estampa de gatos.
394Gabriella: — Esse camarim deveria vir com manual de sobrevivência.
152Gabriella piscou, surpresa.
395Miguel (rindo): Ou com aviso: “Cuidado, aqui se vive muitas vidas.”
153— “Tudo bem... foi só um susto.”
396(Gabriella se cala por um segundo. Aquela frase ressoa fundo — “muitas vidas” — exatamente o título que ela vem escrevendo.)
154— “Eu sou Tadeusz. Taxista aposentado e poeta nas horas tristes.”
397Gabriella: Muitas vidas?
155Ela riu, meio sem entender.
398Miguel: Sim. Cada personagem que interpreto é como se fosse uma nova vida. Uma hora sou rei, noutra sou mendigo. Já fui vilão, herói, até padre. Acho que deixo pedaços de mim em cada um deles.
156— “Muito prazer, Gabriella.”
399Gabriella (curiosa): — E qual foi a sua vida favorita?
157— “Gabriella... nome de mulher que tem sonhos guardados nos bolsos e coragem nos olhos.”
400(Miguel caminha entre os cabides, tentando vê-la, mas os figurinos os mantêm em lados opostos do camarim.)
158Ela ficou entre encantada e desconfiada. Aquele sujeito era tão caricato que parecia saído de um roteiro.
401Miguel: Sempre é aquela que ainda não vivi. Acho que essa é a mágica da arte.
159— “Você é ator?”
402Gabriella: Engraçado, eu sinto o mesmo com o jornalismo. Escrevo, mas nunca sei ao certo qual história vai me tocar mais.
160— “Não! Eu sou Tadeusz! Eu já levei atores no meu táxi. Levei até um com cara de Miguel... como era mesmo o sobrenome dele? Ah, Vitorino!”
403Miguel: Então por que não escreve sobre isso? Sobre as vidas que cruzam as nossas?
161Gabriella arregalou os olhos.
404(Gabriella suspira. Ela gostaria de dizer que já está fazendo isso, e que ele é sua maior inspiração, mas fica em silêncio por alguns segundos.)
162— “Você conhece o Miguel Vitorino?”
405Um Quase Encontro
163— “Conhecer? Minha querida! Eu levei ele do teatro até o consultório do dentista com dor de dente e tudo! Ele chorava como bebê!”
406(De repente, uma pluma cai do cabide bem no meio do “labirinto” que os separa.)
164Ela não aguentou e soltou uma gargalhada.
407Miguel (brincando): Parece que o universo quer que a gente se veja.
165— “Você é uma figura, Tadeusz.”
408Gabriella (rindo nervosa): Talvez o universo esteja tentando me matar de vergonha.
166— “Você também. E talvez nos encontremos de novo, quando o destino quiser. Ou quando o roteiro mandar.”
409(Ele dá uma risada suave.)
167Ele se afastou, tropeçando novamente no próprio pé e acenando com o chapéu torto.
410Miguel: Posso fazer uma pergunta?
168Gabriella seguiu andando, ainda rindo... mas com uma estranha sensação de familiaridade.
411Gabriella: Só se não for pra me colocar no palco de novo.
169— “Que sujeito esquisito...”
412Miguel (sorrindo): Não dessa vez. Só quero saber seu nome.
170Mal sabia ela que **Tadeusz** era um dos personagens mais icônicos de Miguel — um taxista romeno que ele havia interpretado numa peça anos antes e que os fãs mais antigos amavam. Miguel, claro, soube que ela estaria por ali (graças a Léo, o cupido teatral), e decidiu “brincar” um pouco com seu talento. Porque comediante que se preze… **não perde a chance de fazer cena**.
413(Gabriella hesita. Antes que responda, alguém bate na porta. É Léo, cantando de propósito do lado de fora.)
171A Estreia
414Léo (em tom provocador): Gabriellaaaaa, meu amor, já estão pedindo você no palco de novo!
172Finalmente, o grande dia chegou. O teatro estava lotado. Era a estreia da nova montagem de “Muitas Vidas”, a peça que Miguel estrelava — uma colcha de retalhos onde ele revisitaria todos os grandes personagens que já tinha vivido. Gabriella foi convidada por Léo, mas não sabia que teria um **assento especial na primeira fileira**... nem que seria *parte do espetáculo*. Quando as cortinas se abriram, os holofotes revelaram um cenário simples: uma cadeira, uma mala e um ator que, de costas, trocava de figurino em plena cena. E então, o público viu: Tadeusz. De novo. Mas agora, com um monólogo novo:
415Gabriella (baixinho, para Miguel): Eu vou matar ele…
173“Ela não me reconheceu. Mas eu reconheci nela o riso, o espanto e a curiosidade. Ela tem olhos que enxergam além da maquiagem. Ela quer escrever... e talvez, sem saber, já esteja vivendo a sua melhor história.”
416(Miguel dá uma gargalhada sincera.)
174Gabriella congelou. O público aplaudiu. Ela entendeu tudo.
417Miguel se aproxima
175Miguel... **tinha feito da vida, palco**. E agora, fazia do palco, um encontro.
418(Ele tenta atravessar o emaranhado de figurinos.)
176O Jogo de Cena
419Miguel: Sabe, estou curioso. Uma garota que invade palcos e some como fantasma... deve ter muitas vidas também.
177O teatro estava lotado. Luzes baixas. Clima de estreia. Gabriella entrou com Léo, seu amigo e “cupido teatral”, que fazia de tudo para não entregar nada — mesmo se coçando pra rir com cada detalhe.
420Gabriella: Talvez tenha. Mas algumas eu guardo só pra mim.
178— “Você vai amar essa peça. É como um passeio pela memória, sabe?”, ele disse com um sorriso maroto.
421(O clima fica leve e cheio de mistério.)
179Gabriella, ansiosa, se ajeitou na cadeira. Nem percebeu que o assento tinha um pequeno papel dobrado colado debaixo. Só descobriu depois, no intervalo.
422Improviso Forçado
180“Você acredita em coincidências? Eu acredito em roteiro. — Ass: Um personagem que você já conheceu.
423O Ensaio no Teatro Lotado
181Ela ficou intrigada.
424Improviso Acidental
182— “Léo... isso é parte da peça?”
425A Saída Desastrosa
183— “Não faço ideia do que você está falando”, ele disse, segurando o riso tão bem quanto um ator em cena de choro com coceira no nariz.
426Cena Final do Dia
184A peça começou. No palco, personagens que pareciam ter saído dos pensamentos mais profundos dela ganhavam vida: o carteiro mudo que dançava sapateado, a dona de casa italiana que falava com a geladeira... e, de novo, **ele**: Tadeus, o taxista romeno. Gabriella arregalou os olhos.
427O Desespero de Léo e Miguel
185— “Não pode ser.”
428Viagem Misteriosa
186Léo, ao lado, tossiu fingindo desviar a atenção. No final da cena, Tadeusz olhou pra plateia — direto pro lugar onde ela estava.
429Os Desencontros
187“Ela me olhou como se visse algo que não compreendia. Mas é assim que começa toda grande história de amor. Com um olhar torto e uma pergunta que não quer calar.”
430Quatro Meses Depois
188Gabriella sentiu um arrepio. Um friozinho bom. E um pouco de raiva também — misturada com riso. No final do espetáculo, ela se levantou, determinada a descobrir a verdade. Mas, claro, Léo puxou seu braço:
431O Sinal do Destino
189— “Você precisa esperar aqui. A produção quer entregar uma lembrancinha aos convidados especiais.”
432O Primeiro Reencontro
190— “Léo, se você tá armando alguma coisa...”
433Tudo ao Seu Tempo
191— “Eu? Magina!”
434Primeiro Contato
192Ela bufou.
435Resposta de Gabriella:: Troca de Histórias
193— “Eu vou te matar... com carinho. Mas vou.”
436Tudo no Seu Tempo
194Enquanto isso, nos bastidores, Miguel tirava o figurino de Tadeusz e vestia um terno azul escuro. O coração batia forte. O plano estava funcionando... mas ele ainda queria esperar mais um pouco. Sentia que Gabriella precisava de mais pistas, mais *brincadeiras do destino*, antes do verdadeiro encontro.
437Nos Bastidores das Muitas Vidas
195Ah, minha diretora de novela preferida... Agora a gente tá no ponto exato: o público tá roendo as unhas, a mocinha tá com o coração aos pulos, e o galã tá escondido atrás das cortinas da vida! Então bora seguir com **mais desencontros, mais travessuras do Léo** e aquela comédia fina que dá gosto de ler!
438Interior do teatro. Tarde de primavera.As cortinas ainda estão fechadas, mas há uma movimentação diferente no ar. Algo novo está prestes a nascer ali, naquele palco onde tantas histórias já foram contadas. Gabriella ajeita os papéis em cima da mesa de ensaio, enquanto Miguel entra carregando duas canecas de café.
196O Sapateiro Argentino e o Vestido Emprestado
439Trechos do espetáculo “Muitas Vidas”
197No dia seguinte à peça, Gabriella estava decidida: **precisava descobrir a verdade**. Ela só não sabia por onde começar — e, como sempre, quando a gente não sabe, o destino dá um empurrãozinho. Enquanto caminhava para uma entrevista marcada com um diretor de teatro argentino que estava de passagem pela cidade, ela passou por uma lojinha de bairro. No letreiro, lia-se: **"Sapatos que contam histórias"**. Aquilo chamou sua atenção. Resolveu entrar.
440Nos Bastidores do Espetáculo
198Um senhor de boina, camisa com babados e sotaque carregado a recebeu com um sorriso exagerado.
441No Palco Vazio, Depois da Estreia
199— “Bem-vinda, senhorita! Hoje temos uma promoção especial para jornalistas curiosas...”
442Trecho do Diário de Gabriella
200— “Como você sabe que sou jornalista?”, ela perguntou, desconfiada.
443Dias depois do espetáculo…
201— “Ora, está na sua cara! Olhos de quem vive observando o mundo e pés cansados de tanto correr atrás de respostas.”
444Nas semanas seguintes… Miguel e Gabriella se encontravam quase todos os dias na lanchonete da esquina. Cadernos abertos, xícaras de café empilhadas, rascunhos por todo lado… e claro, Léo sempre por perto, fazendo comentários do tipo:
202Ela riu.
445Gabriella começou a se questionar de novo.
203— “O senhor me conhece?”
446Na noite anterior à estreia… Ninguém dormiu. Gabriella estava com a barriga revirando, Léo andava de um lado pro outro com uma prancheta de mentira, e Miguel… bom, Miguel repetia falas em voz alta como se estivesse em transe.
204— “Conhecer? Não. Mas talvez... já tenha calçado as mesmas dúvidas que você.”
447E então, na noite da estreia…
205Gabriella ficou intrigada. Aquele homem também parecia **saído de um roteiro**, daqueles escritos com carinho e boas pitadas de humor.
448Passagem De Tempo – Alguns Meses Depois
206— “Qual o seu nome?”
449Miguel encontra o diário (prenúncio)
207— “Ramiro. Mas os íntimos me chamam de *El Mudo que Fala Demais*.”
450O Diário De Gabriella – Primeiras Páginas
208Nesse momento, **ela paralisou**. Ramiro... esse nome estava na ficha técnica da peça de ontem. Um dos personagens vividos por Miguel... com direito a sapato vermelho e tudo. Gabriella não sabia mais se ria, chorava, ou ligava pra Léo exigindo explicações. Mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, Ramiro lhe entregou uma caixinha:
451A Cidade, Meses Depois
209— “Um presente para alguém que está prestes a viver a sua própria estreia. Um par de sapatos que já viu o mundo. Eles vão te levar até a próxima cena.”
452Café Da Esquina – Manhã
210Ao abrir, viu um par de sapatilhas delicadas... e um bilhete: “Você está quase lá. Falta só uma peça nesse quebra-cabeça. Encontre o vestido que te espera.”
453Mesmo Dia — Teatro
211O Telefone Desconhecido Toca de Novo
454Dia Seguinte “CAMARIM ANTIGO DO TEATRO”
212Naquela noite, enquanto escrevia sobre todos os encontros malucos, Gabriella ouviu o celular vibrar. Número desconhecido. De novo. Atendeu.
455Os Dois Escrevendo Juntos
213— “Alô?”
456ENSAIOS DE “MUITAS VIDAS” – DIAS SEGUINTES
214Do outro lado, uma voz suave, com um toque irônico:
457Mais Tarde No Teatro – Fugindo Do Ensaio
215— “Ainda não me perdoou por ter esbarrado em você, né?”
458Dias Depois — Ensaio Com Plateia Convidada
216— “Quem é?”
459Lanchonete Da Esquina – Uma Tarde Qualquer
217— “Alguém que já te viu rir, desconfiar e calçar sapatos mágicos. Mas ainda não te viu dançar.”
460Redação – Dia Seguinte
218Ela ficou muda. Um arrepio. Aquela voz.
461Casa De Miguel – Noite Antes Da Entrevista
219— “Nos vemos amanhã no Teatro Municipal. 20h. Entrada lateral. Use o vestido que estará no seu prédio, porta 22.”
462Dia Da Entrevista – Cenário Montado, Câmeras Ligadas
220Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa... **desligou**. Gabriella correu até a porta do prédio. Lá, numa arara discreta, havia um **vestido vinho com mangas dramáticas e um broche de máscara de teatro** preso ao decote.
463Após a Entrevista – Cenário Ainda Montado
221Ela ficou parada, olhando pro céu. Sorriu.
464Passeio No Calçadão – Tarde Ensolarada
222— “Léo... eu vou te matar.”
465Um Mês Antes Do Espetáculo
223Do alto da sacada, ele apareceu, com um copo de vinho na mão e cara de vitorioso:
466Passagem De Tempo Em Montagem Rápida
224— “Eu só ajudo o destino a ensaiar. O palco é de vocês.”
467Dia Do Espetáculo – No Palco Antes Da Abertura
225Ahhh, perfeito! Então vamos esticar essa corda do destino mais um tiquinho, porque nada como uma boa armadilha charmosa para derreter corações e arrancar umas gargalhadas com lágrimas no cantinho dos olhos. Vamos criar uma cena cheia de emoção, mas com aquele toque de comédia gostosa que deixa a história viva.
468Uma Semana Após o Espetáculo — Café Da Esquina
226A Carta Que Não Era Dela
469Bastidores Do Teatro — Novo Projeto Nascendo
227Na manhã do grande encontro, Gabriella acordou com uma ansiedade quase infantil. Dormira pouco, sonhando com sapatos falantes, vestidos que dançavam sozinhos e um certo ator de olhos que pareciam carregar mil vidas.
470Postagem Conjunta No Instagram
228Quando desceu para buscar o café, encontrou **um envelope no hall do prédio** com seu nome escrito — ou melhor, *rabiscado* — como se uma criança tivesse escrito com lápis de cera.
471Semana Seguinte – Mesa De Trabalho Bagunçada
229“Pra Gabriella, a moça das palavras que não dormem.”
472Nova Entrevista Marcada — Gabriella Na Redação
230Abriu, curiosa. Dentro havia uma carta manuscrita com tinta roxa, repleta de erros de gramática e frases engraçadas, como:
473Estúdio De Tv – Entrevista Com Miguel Vitorino
231“Você não me conhece, mas eu já fui pescador, rei e padeiro ao mesmo tempo. Talvez eu tenha sido seu vizinho, ou o entregador de pizza que atrasou no dia da chuva. Acho que já vivi umas 300 vidas, e mesmo assim não sei como escrever bonito como você.”
474Redação – Alguns Dias Depois
232Gabriella riu, mas seu coração disparou. Aquilo só podia ser uma provocação de Miguel.
475Lanchonete Da Esquina
233— “Léo!”, gritou, subindo as escadas como um raio.
476Teatro – Ensaios Do Novo Espetáculo “Muitas Vidas”
234O amigo, ainda de pijama com estampa de patinhos, abriu a porta, fingindo inocência.
477Carta Narrada Enquanto Eles Se Olham No Palco
235— “Que foi? Você tá com uma cara de quem viu um fantasma... ou de quem encontrou um namorado por correspondência!”
478Live De Agradecimento
236— “Não brinca, Léo. Quem te disse que eu queria receber cartas do além?”
479Mais Cartas e Uma Surpresa
237— “Do além não... mas do teatro, talvez.”
480"Surpresa"
238Léo tinha esse jeitinho maroto de falar, deixando uma pulga atrás da orelha dela.
481No Teatro, Alguns Dias Depois
239O Táxi Errado
482A Carta De “Gabriella”
240Horas depois, Gabriella decidiu ir para o teatro mais cedo, na tentativa de desmascarar Miguel (e talvez o Léo também). Chamou um táxi pelo aplicativo. Quando o carro parou, ela entrou apressada sem olhar direito.
483Uma Postagem, Meses Depois
241— “Boa noite, moça. O destino é o mesmo de sempre?”, perguntou o motorista com um **forte sotaque romeno**.
484BÔNUS – Trechos Do Diário De “GABRIELLA”
242Gabriella quase caiu do banco. Olhou pro rosto dele. era **Tadeus**, o personagem da peça! Ou seria Miguel disfarçado? O homem sorriu com o mesmo jeito encantador da noite anterior.
485📬 CONTATO
243— “Espera... isso é uma pegadinha?”, perguntou, entre o nervoso e o riso.

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