
As invasões bárbaras
Uma genealogia da história da arteBy Éric MichaudLength10h 27m
About this audiobook
Em sua origem, a palavra "bárbaro" é uma onomatopeia que designa aquele estrangeiro cujo idioma soaria como o resmungo de um "blá-blá-blá" ininteligível. Se essas pessoas de aparência exótica e de maneiras esdrúxulas nem falam direito, será que elas pensam? E, se o humano é o animal racional, seriam eles tão humanos quanto nós? Há aí dois pressupostos: o de que os bárbaros são todos iguais (quiçá devêssemos dizer "o" bárbaro) e o de que a língua, os meios de expressão e os modos estariam em fiel paralelo com a alma, a mente ou a psique. Eles seriam, por assim dizer, sua parte visível. Adicionando a esse cenário a velha superstição ainda repetida pelo senso comum segundo a qual "a arte é o que melhor encarna o gênio de um povo", isso significaria que as labirínticas relações de influência, interpenetração e sucessão de diversos estilos deveriam por sua vez refletir uma dinâmica de miscigenação dos povos não menos complexa. Com ares de psicologia das raças, a história da arte nasce, assim, sob o signo das invasões bárbaras: ao apoiar-se em algumas singularidades visíveis, ela associa objetos artísticos a povos, agrupando, nos museus, as produções das artes visuais segundo sua proveniência geográfica e o pertencimento "étnico" de seus criadores. Ainda hoje, no mercado mundial dos objetos de arte, a denominação étnica das obras – arte negra, afro-americana, latina, indígena etc. – confere a esses objetos de troca uma mais-valia significativa. A genealogia de uma história da arte que é tanto artística quanto racial vive em simbiose com um racismo que é tão biológico quanto cultural. Ao situá-lo, historicizá-lo e perspectivá-lo, Éric Michaud mostra que o "branco" europeu – ele mesmo tomado como um todo monolítico quando ocupa a posição de "outro" – existe no âmago do uma cisão essencial: o espectro do ininteligível, do "xeno" irredutível, nunca pode ser plenamente exorcizado, e, por baixo das mais insuspeitas línguas civilizadas, como imperceptível e ensurdecedor ruído de fundo, ainda ressoa o "blá-blá-blá" da glosa bárbara.
Audiobook details
Rating★★★★ 4.5 (38)
Includes Amazon, Goodreads
GenreHistory, Other
Length10 hrs 27 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateMay 3, 2024
LanguagePortuguese
Table of contents
1Prefácio à edição brasileira
2Introdução UMA ILUSÃO DE FILIAÇÃO
3Capítulo I DO “GOSTO DAS NAÇÕES” AO “ESTILO DE RAÇA”
4Capítulo II AUTOMIMESE E DEUSES AUTORRETRATOS
5Capítulo III AS INVASÕES BÁRBARAS OU A RACIALIZAÇÃO DA HISTÓRIA DA ARTE
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6Capítulo IV UM NOVO BÁRBARO: O JUDEU SEM ARTE1
7Capítulo V O SANGUE DOS BÁRBAROS: ESTILO E HEREDITARIEDADE
8Epílogo A ETNICIZAÇÃO DA ARTE CONTEMPORÂNEA
9Agradecimentos
10ÍNDICE ONOMÁSTICO
11Índice de ilustrações