Nas ruas lamacentas e fétidas de Sargaen, um porto apodrecido pela fuligem e pela miséria, um mendigo doente arrasta os pés entre os esquecidos. Sob trapos imundos, há algo que não pertence àquele mundo: Azeron, mago foragido e mutilado, se esconde à vista de todos, ocultando o Mecanar — um braço mecânico que range — e o peso de um olho de dragão que enxerga mais do que deveria. Ele não está ali por acaso, espera suas feridas cicatrizarem para prosseguir em sua fuga.
Caçado pelos Arcanos Imperiais, Azeron observa Sargaen ser tomada. A guilda Rilícia infiltrou-se na administração pública e reescreveu as regras: ladrões vestem o título de fiscais, a extorsão virou imposto, e a lei passou a ter preço. O povo paga e agradece.
Há algo mais errado nos registros da cidade: lacunas, nomes que desaparecem, movimentos sem rastro. Um padrão enterrado sob papel, silêncio e medo. Azeron percebe que certas verdades não foram feitas para serem encontradas — e que encontrá-las tem um preço.
Rodrigo Mataro, é o tipo de pessoa que transforma a própria trajetória em uma coleção de tentativas improváveis. Já foi ator de teatro que nunca atuou, escritor sem obra publicada (quase verdade), modelo a não ser seguido e cantor restrito ao banheiro. Sempre em busca da próxima ideia.
Desde cedo, manteve uma relação próxima com histórias. Após um tempo afastado, voltou ao universo literário com leituras e estudos em escrita criativa, decidido a conquistar seu espaço — seguindo, como sempre, os caminhos menos óbvios.View all by Rodrigo Mataro