
Length2h 44m
About this audiobook
Onde os Olhos Não Tocam – Kelvyn Costa Oliveira Algumas verdades não se veem. Se escutam com a alma. Noah nasceu cego, mas ouve o mundo com um tipo raro de percepção — ele sente o que as palavras calam. Clara aprendeu a sobreviver com risos que escondem cicatrizes. Gabriel, o psicólogo, coleciona silêncios e cartas nunca enviadas. Dona Lina escreve para um amor que o tempo levou, mas a ausência insiste em ficar. Neste romance poético, filosófico e emocionalmente arrebatador, quatro vidas se cruzam no ponto cego da existência: o lugar onde a dor não é vergonha, mas linguagem. Onde os Olhos Não Tocam não é apenas uma história — é um espelho para quem já tentou sorrir por dentro de um luto, silenciar uma culpa ou amar o que não se pode alcançar. Prepare-se para mergulhar num universo onde escutar é mais poderoso do que ver. E onde ser inteiro não significa não ter rachaduras — mas deixar que a luz passe por elas.
Audiobook details
GenreHealth and Wellness, Biography and Memoir
Length2 hrs 44 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateMay 17, 2026
LanguagePortuguese
Table of contents
1Onde os Olhos Não Tocam
2sinopse
3Capítulo 1
4O Som do Que Não Se Vê
5Capítulo 2
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6Cartas que Nunca Chegaram
7Capítulo 3
8O Riso de Clara
9Capítulo 4
10O Psicólogo Que Fugiu de Si
11Capítulo 5
12Casa das Sombras Leves
13Capítulo 6
14A Mente Silenciosa de Noah
15Capítulo 7
16Sobre o Tempo e o Medo
17Capítulo 8
18Clara Aprende a Chorar
19Capítulo 9
20O Tato como Verdade
21Capítulo 10
22O Espelho de Gabriel
23Capítulo 11
24O Asilo do Quarto 7
25Capítulo 12
26A Voz Que Molda o Vazio
27Capítulo 13
28Clara em Tempestade
29Capítulo 14
30A Mãe de Clara – Revelações Familiares e Feridas Abertas
31Capítulo 15
32A Janela do Avesso
33Capítulo 16
34Noah lê um rosto
35m uma tarde nublada, Noah estava sentado em um banco solitário, permitindo que o cheiro da terra úmida, o toque suave do vento e a leveza do nevoeiro preenchessem seus sentidos.
36A seus pés, as folhas secas dançavam sob passos invisíveis, sussurrando músicas esquecidas ao serem pisadas.
37De repente, captou um caminhar que seu coração reconheceu antes mesmo que a mente confirmasse: Clara.
38Em silêncio, ela se aproximou, e permaneceu ali, ao seu lado, esperando — não por palavras, mas para ser sentida.
39Noah, num impulso raro, decidiu arriscar.
40Um breve riso, tão dela, tão único, escapou no ar, e foi o bastante para guiá-lo.
41Sem hesitar, Noah a chamou:
42— Clara, queira se sentar... e vislumbrar comigo as sensações que esta paisagem guarda.
43O banco de madeira rangia levemente sob o peso dos dois. Um vento frio brincava com as folhas secas aos seus pés, como pequenos sussurros esquecidos. Noah, com a respiração calma, estendeu a mão no ar, hesitante.
44— Posso? — perguntou, com a voz quase embargada pela timidez.
45Clara sorriu. Um sorriso que ele não via, mas que sentiu na resposta suave:
46— Pode...
47Ele ergueu a mão devagar, tateando o próprio silêncio, até que seus dedos encontraram o contorno do rosto dela. Primeiro a ponta dos dedos encostou na pele fria da bochecha. A textura era macia, como um segredo guardado no inverno.
48Seus dedos seguiram explorando. O contorno da mandíbula, a linha delicada do nariz, o arco fino das sobrancelhas. Noah se movia com a reverência de quem lê um livro sagrado, cada curva uma palavra, cada traço uma memória.
49— Você é feita de linhas que sorriem... — ele sussurrou, com um tom de surpresa. — Seu rosto parece estar sempre prestes a contar uma história bonita. Mesmo que você esteja quieta...
50Clara riu baixinho, e o som fez o peito de Noah vibrar como se fosse parte da música.