
O incômodo de ser inacabado
desafios da teatralização de si na contemporaneidadeBy Michelle Thieme de Carvalho MouraLength7h 52m
About this audiobook
De que maneira nossa incômoda condição de inacabamento tem sido vivida por nós na atualidade? E de que modo essa vivência está relacionada com o reconhecimento da teatralidade que nos constitui? Tais questionamentos tecem o fio condutor do presente livro, fruto da pesquisa de doutorado da autora defendida no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social na UERJ. Através de um diálogo entre o campo da Psicologia fenomenológico-existencial Sartriana e o campo da arte teatral, o livro parte da tese de que para que a incompletude deixe de ser uma ameaça, e possa ser vivida como uma potente "força", é fundamental que o inacabamento seja experimentado como condição inseparável do existir humano. Ao longo da pesquisa, a autora mostra que a fuga do reconhecimento de nossa incompletude, fuga essa bastante exacerbada no contexto contemporâneo, faz com que nos identifiquemos com ideais de "eu" cristalizados, gerando um campo propício para algumas formas de sofrimento psíquico típicas de nossa época. Como um contraponto a esse engessamento de subjetividades, a arte teatral é aqui pensada como um lugar em que se desvelam outras formas possíveis de lidarmos com a teatralização de nós mesmos em nosso viver cotidiano. Veremos então que, no campo da experiência artística teatral, a lucidez sobre o inacabamento de nossas subjetividades é sustentada de forma bastante privilegiada, possibilitando ao sujeito contemporâneo potentes alargamentos nos modos de ele se fazer no mundo hoje.
Audiobook details
GenrePhilosophy
Length7 hrs 52 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateOct 25, 2023
LanguagePortuguese
Table of contents
1Introduction
102.2.1 Efeitos das idealizações contemporâneas nas formas de sofrimento psíquico.
2INTRODUÇÃO
112.2.1.1 O imperativo do desempenho no mundo do trabalho e o sentimento de fracasso pessoal.
31 O INCÔMODO DO INACABAMENTO: EXISTÊNCIA, TRAGICIDADE E TEATRALIZAÇÃO.
122.2.1.2 Redes sociais, selfies e o olhar do “outro”: A espetacularização da completude.
41.1 Tensão e ambiguidade: investigações sobre o caráter trágico da existência.
132.3 A lógica tragicofóbica a serviço das práticas “psi”: o mercado do gerenciamento do “eu” e da cauterização da vulnerabilidade.: 2.3.1 Dopados-e-produtivos-e-motivados: A neurociência e o coaching em busca da potência total.
51.2 O trágico na filosofia sartriana: diálogos entre subjetividade, inacabamento e angústia.
143 A TEATRALIZAÇÃO NA ARTE E A POTÊNCIA DO INACABAMENTO EM CENA.
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61.3 “Se represento, já não o sou”: a sinceridade como ideal irrealizável e a existência enquanto teatralização.: 1.3.1 A desconstrução da sinceridade do “eu” documentada por Eduardo Coutinho.
153.1 A arte do estranhamento: os lugares do incômodo na experiência artística teatral.
72 A BUSCA PELO ACABAMENTO E A CRENÇA CONTEMPORÂNEA NA COMPLETUDE.
163.2 O ofício do ator e a separação do personagem: reconhecendo a falsificação de si mesmo.: 3.2.1 A condição existencial do ator para Jean-Paul Sartre e sua relação com a condição humana: o reconhecimento da própria farsa no jogo entre viver e representar.
82.1 A homogeneização contemporânea de subjetividades: o paradoxo da rigidez em um cenário de aceleração e mudanças.
173.3 Poéticas da desestabilização no teatro contemporâneo e a abertura para a elaboração de novos sentidos.: 3.3.1 O “ato de jogar” explicitado em cena: o confronto radical com o inacabamento e a liberdade de sermos “outros.”
92.2 O projeto contemporâneo de onipotência e o culto ao personagem tragicofóbico “o vencedor”.
18CONSIDERAÇÕES FINAIS: UMA TENTATIVA ASSUMIDAMENTE FRACASSADA DE CONCLUIR O INACABADO.