6ELEAZAR assomou logo a uma das janellas. É um rapaz de vinte e tantos annos, franzino e melancólico.
265BENJAMIM
7GAMALIEL
266BENJAMIM explicando:
8ELEAZAR
267BENJAMIM agora senhor de si:
9GAMALIEL
268BENJAMIM imperioso, rapido, monotono, quasi ao ouvido de Judas, que parece devorar-lhe as palavras:
10ELEAZAR
269BENJAMIM
11GAMALIEL
270BENJAMIM
12ELEAZAR, estremecendo
271BENJAMIM
13GAMALIEL
272BENJAMIM
14ELEAZAR
273JUDAS ficou perplexo ainda, como medindo a gravidade da proposta. Mas depois:
15GAMALIEL
274MARIA que no limiar da porta ficára tambem indecisa:
16ELEAZAR, com o olhar vago:
275MARIA condescendente:
17GAMALIEL, que enxugára á manga da tunica uma santa lagrima de enthusiasmo civico:
276JUDAS caricioso:
18ELEAZAR, suggestionado pelas palavras do velho:
277MARIA com simplicidade, avançando um pouco:
19GAMALIEL, n'um clarão de esperança:
278JUDAS tôrvamente:
20MARIA, que tinha saído de casa e que ouviu as ultimas palavras:
279MARIA que não se moveu, serenamente:
21GAMALIEL
280MARIA sempre immovel:
22ELEAZAR
281MARIA sem se perturbar:
23MARIA
282JUDAS caíndo em si, fica por momentos silencioso. Depois, com o rosto dolorido, n'um queixume:
24GAMALIEL
283MARIA com ligeiro movimento de cabeça:
25ELEAZAR
284MARIA com a voz tranquilla:
26MARIA
285MARIA
27ELEAZAR
286MARIA levando instinctivamente as mãos aos seios:
28MARIA
287JUDAS com os olhos chammejantes, as mãos trémulas, os passos rigidos, agarrando-a:
29ELEAZAR
288MARIA evitando-lhe os beijos:
30GAMALIEL, ao ouvido de Eleazar, aproveitando o ensejo dado por Maria, que foi sentar-se junto da fonte:
289MARIA com a voz estrangulada, luctando:
31ELEAZAR, com o intuito de afastar o negro pensamento, que a todos trez opprime no intimo:
290MARIA já sem forças:
32GAMALIEL
291JUDAS achegando-a ao peito, lúbrico, antegosando a posse:
33ELEAZAR, abeirando-se muito a elle, supplicante:
292TERCEIRA JORNADA
34GAMALIEL
293EM 13 DE NISAN
35ELEAZAR, saúdando-o:
294TERCEIRA JORNADA
36GAMALIEL, saúdando-o:
295EM 13 DE NISAN
37ELEAZAR sentou-se no tronco d'arvore, pensando; e, como respondendo aos proprios pensamentos:
296CLAUDIA solta emfim um suspiro.
38MARTHA
297GEDA
39ELEAZAR
298CLAUDIA
40MARTHA
299GEDA vae ligeira ao candalabro; d'elle tira uma vella e dirige-se á clépsydra. Repõe depois no seu logar a vella, e voltando para junto de Claudia:
41SIMÃO
300CLAUDIA
42MARIA, em longa abstracção, junto da fonte, como se ninguem a ouvisse:
301GEDA
43SIMÃO, chasqueando-a, mas com meiguice:
302CLAUDIA boceja largamente.
44MARIA, com amargo sorriso:
303CLAUDIA indolente, para Geda:
45MARTHA encostada ao hombro do irmão, que se conserva sentado:
304PONCIO sem se voltar, continuando a lêr:
46SIMÃO
305CLAUDIA em sobresalto infantil:
47ELEAZAR
306PONCIO
48MARTHA
307CLAUDIA que em silencio ficára appreensiva:
49ELEAZAR sorrindo contrafeito:
308PONCIO sem se mover:
50MARTHA picada no seu amor proprio:
309CLAUDIA apoiando-se nas costas da cadeira por detraz d'elle:
51ELEAZAR condescendente:
310PONCIO
52MARTHA
311CLAUDIA não podendo conter a intima revolta:
53ELEAZAR
312PONCIO enrugando a testa e sem olhar para Claudia:
54MARIA em longa abstração, como se ninguem a ouvisse:
313CLAUDIA
55ELEAZAR perseguido pelo olhar inquiridor de Martha:
314PONCIO que se voltára, encarando n'ella, e em tom suasorio:
56MARTHA afastando-se logo com muito despeito:
315CLAUDIA n'uma espansão de franqueza em que o desdem transparece:
57SIMÃO que de parte estivera rindo dos dois:
316PONCIO resoluto, imperioso, deixando caír na meza a mão espalmada:
58ELEAZAR
317CLAUDIA decorridos alguns instantes, refreando a cólera:
59SIMÃO
318PONCIO indifferente:
60ELEAZAR
319CLAUDIA
61SIMÃO
320PONCIO
62ELEAZAR ás irmãs:
321CLAUDIA
63MARTHA, deixando explodir o seu despeito:
322PONCIO
64ELEAZAR beijando-a á viva força:
323CLAUDIA muito a sério:
65MARTHA foi á beira da estrada e segue-os com o olhar. Depois, appreensiva, com vago receio:
324PONCIO bamboleando a perna e sem mudar de expressão:
66MARIA em longa abstracção, como se ninguem a ouvisse:
325CLAUDIA
67MARTHA que lançou para longe a tristeza, despertada pelo cantar mais proximo d'uma cotovia.
326PONCIO franzindo lévemente o sobr'olho:
68MARIA
327CLAUDIA sorrindo, palaciana e misteriosa:
69MARTHA com o cotovello apoiado no joelho de Maria, o olhar limpido erguido para o olhar da irmã:
328O OSTIARIO
70MARIA desculpando-os:
329PONCIO erguendo-se:
71MARTHA
330O OSTIARIO
72MARIA com frieza, como a da corrente d'agua que entre os seus dedos vae deslisando:
331PONCIO surprezo, como comsigo:
73MARTHA
332O OSTIARIO
74MARIA
333PONCIO depois de reflectir:
75MARTHA
334HANAN que se adiantou até á presença de Poncio, curvando-se perante elle:
76CLAUDIA em tom faceto de cortezã affeita ao jogo de gracejos nos triclinios de má nota da velha Roma:
335PONCIO que nem para elle olhou, desdenhoso:
77MARTHA muito a mêdo:
336HANAN fingindo não ter percebido:
78CLAUDIA
337PONCIO ironico:
79MARIA por entre dentes:
338HANAN
80CLAUDIA
339PONCIO voltou-se um pouco, lançou um rapido olhar a Judas, e depois, encostando o braço á meza e com a cabeça reclinada na mão:
81MARIA fitando-a resoluta, mas serena:
340HANAN muito submisso de começo:
82CLAUDIA deixando cair as palavras uma a uma, como gôtas de chumbo derretido:
341PONCIO, serenamente, mas deixando accentuado o seu desdem, aquelle desdem dos romanos pelos povos vencidos:
83MARIA muito vexada pela insultante benevolencia de Claudia:
342HANAN offendido, elevando a voz:
84CLAUDIA victoriosa pelo effeito que o perdão causou no animo independente da patriotica filha d'Israel:
343PONCIO olhando para elle de fito, severamente:
85MARTHA supplicante ao ouvido da irmã, que ia responder:
344HANAN matreiro:
86CLAUDIA rindo, satisfeita, feliz:
345PONCIO sem desviar d'elle o olhar:
87A ESCRAVA GEDA ajudando-a a accomodar-se nas almofadas da liteira:
346HANAN muito submisso:
88CLAUDIA
347PONCIO cortando a harenga, novamente em tom sarcastico:
89O CENTURIÃO AMPÍO ao sequito:
348HANAN refreando a cólera:
90CLAUDIA
349PONCIO
91MARIA
350HANAN com ironia e falsa humildade:
92BENJAMIM
351PONCIO fitando-o enfurecido, dá um murro na meza; e erguendo-se:
93JOSUÉ
352HANAN depois de algum silencio, tentando convencel-o á bôa paz:
94BENJAMIM
353PONCIO tranquillo, sorrindo:
95JOSUÉ, timido, covarde, circumvagando o olhar:
354HANAN recuando, como se ouvisse uma heresia:
96BENJAMIM
355PONCIO com bonhomia, exagerando muito o valor das palavras:
97JOSUÉ
356HANAN
98BENJAMIM
357HANAN muito supplicante a Poncio:
99JOSUÉ
358JUDAS avança até á presença de Poncio. Saúdou-o, e muito senhor de si, firme, resoluto, assim começa:
100BENJAMIM velhacamente, animando-o:
359PONCIO estremeceu, carregou o semblante:
101JOSUÉ unctuosamente:
360JUDAS com sinceridade hypocrita:
102BENJAMIM
361PONCIO ergue-se de chofre, com o olhar incendido, trémulo, os braços alevantados. E o seu vulto branco, destacando-se no fundo escuro da vasta quadra, dir-se-ía o d'um espectro de destruição.
103JOSUÉ com desinteresse hypocrita:
362HANAN detendo-o, supplicante, receioso:
104BENJAMIM
363PONCIO sem querer ouvil-o:
105JOSUÉ
364HANAN n'um protesto:
106BENJAMIM
365HANAN matreiramente:
107JOSUÉ
366PONCIO que os ouviu taciturno, balbucia, como falando a si proprio:
108BENJAMIM
367HANAN
109JOSUÉ
368PONCIO
110BENJAMIM
369HANAN
111JOSUÉ
370O OSTIARIO que appareceu no terraço:
112BENJAMIM
371PONCIO
113JOSUÉ
372O OSTIARIO
114BENJAMIM acceitando-os e juntando-os aos seus:
373PONCIO
115JOSUÉ
374HANAN que se curvára muito á passagem de Poncio, murmúra:
116BENJAMIM
375GEDA affasta o coxim, trazendo-o para o interior da quadra e faz correr parte do reposteiro que pende do arco.
117JOÃO resfolegando:
376A MULHER adiantando-se como procurando alguem:
118MATHEUS
377GEDA admirada e insolente:
119JOÃO
378A MULHER
120SIMÃO PEDRA, com o braço direito sobre o hombro de Eleazar, n'uma intimidade muito amiga:
379GEDA
121ELEAZAR descrente, mas muito timido, querendo occultar o que lhe vae n'alma:
380A MULHER
122SIMÃO PEDRA
381GEDA
123ELEAZAR, quasi a medo:
382A MULHER
124SIMÃO PEDRA
383GEDA
125ELEAZAR, depois de grande hesitação:
384A MULHER assumindo attitude imperiosa:
126SIMÃO PEDRA
385GEDA dominada pelo tom de voz da desconhecida, colloca o candalabro na meza.
127ELEAZAR
386MARIA com os olhos erguidos ao ceu, os labios balbuciantes, como n'uma préce:
128JOÃO que se erguera, rapido e violento:
387CLAUDIA apparece muito descuidosa, e, ao vel-a, não reprime o seu assombro.
129JOÃO muito secco e terminante:
388MARIA baixou a fronte; e a meia voz:
130ELEAZAR ao ouvido de Simão Pedra:
389CLAUDIA
131SIMÃO PEDRA triste e confidencial:
390MARIA
132JUDAS amarga, mas serenamente, depois de ter meditado por algum tempo:
391CLAUDIA encostando-se á meza, e esmagando Maria com a imponencia da sua figura:
133MATHEUS conciliadôr:
392MARIA com meiguice:
134MARTHA, assomando a uma das janellas, n'uma risadinha infantil:
393CLAUDIA com uma risada:
135SIMÃO PEDRA, aproveitando a inconsciente intervenção de Martha
394MARIA docemente:
136MARTHA
395CLAUDIA zombeteira, petulante:
137SIMÃO PEDRA
396MARIA animando-se pouco a pouco:
138MARTHA intimativamente, retirando-se da janella:
397CLAUDIA depois de nova risada:
139JOÃO a Matheus e a Eleazar, continuando a conversa interrompida e n'um tom de voz inaudivel para Judas:
398MARIA
140SIMÃO PEDRA que se reunira aos tres, carregando o semblante:
399CLAUDIA revolvendo na ferida o punhal da ironia:
141JOÃO em tom leviano:
400MARIA erguendo-se, n'um movimento de indignação:
142SIMÃO PEDRA, que não poude reprimir um sobresalto, tornando-se ainda mais severo:
401CLAUDIA adormecida, vagamente:
143ELEAZAR conciliador:
402MARIA continuando alheiada a tudo:
144MATHEUS detendo Simão Pedra, que ia para entrar em casa do Leproso:
403CLAUDIA adormecida, vagamente:
145JOÃO repêso, meigo, supplicante:
404MARIA ergue-se vagarosamente; e, resignada:
146SIMÃO PEDRA sorrindo, afinal, benevolo:
405QUARTA JORNADA
147JOÃO abraçando-o effusivamente:
406EM 15 DE NISAN
148MATHEUS
407QUARTA JORNADA EM 15 DE NISAN
149SIMÃO PEDRA
408AMPÍO, tocando com o pé no corpo de um dos que dormem:
150JOÃO
409LAUSO accordando:
151JOÃO com bonhomía:
410FÁBIO, erguendo-se logo; voz de homem dado ao alcool e praguento:
152JUDAS olhando lealmente para elle e com um sorriso de reconciliado:
411LAUSO erguendo-se:
153JUDAS solta um suspiro, e erguendo o olhar, expandindo a sua alma:
412AMPÍO
154SEGUNDA JORNADA
413FÁBIO
155EM 9 DE NISAN
414AMPÍO
156SEGUNDA JORNADA
415LAUSO
157EM 9 DE NISAN
416FÁBIO rindo:
158MATHEUS
417UM MERCADOR em tom submisso:
159SIMÃO PEDRA
418AMPÍO
160SIMÃO
419O MERCADOR
161SIMÃO PEDRA
420AMPÍO
162SIMÃO
421O MERCADOR por entre dentes:
163MATHEUS que n'um movimento de cabeça concordára e que bebera depois d'aspirar o bom perfume:
422FÁBIO com uma risada alvar:
164SIMÃO apresentando outra infusa:
423O MERCADOR muito seccamente:
165SIMÃO PEDRA
424JUDAS, que permaneceu por longo tempo com o olhar erguido para o ceu, a voz muito enfraquecida:
166SIMÃO
425MARIA com o braço pela cintura de Martha, e a voz muito suave e muito resignada:
167MATHEUS
426MARTHA
168SIMÃO
427MARIA
169SIMÃO PEDRA pousando o copo onde o olhar pensativo está fixando:
428MARTHA
170MATHEUS
429MARIA
171SIMÃO PEDRA
430MARTHA
172JOÃO que parecia estranho a tudo, fala emfim, com o olhar cravado em Judas, que continúa lendo:
431CLAUDIA chegando junto de Maria e Martha, cujos rostos se conservam occultos, pára; e depois, poisando a mão no hombro de Maria, diz com voz muito meiga:
173SIMÃO quasi em segredo aos seus dois commensaes:
432MARIA que se voltou, reconhecendo-a e baixinho á irmã:
174SIMÃO PEDRA tristemente:
433MARTHA receiosa:
175MATHEUS
434CLAUDIA
176SIMÃO
435MARTHA ao ouvido de Maria:
177MATHEUS
436CLAUDIA
178SIMÃO
437MARIA absôrta:
179MATHEUS
438CLAUDIA
180SIMÃO
439MARIA
181SIMÃO PEDRA muito confidencial:
440CLAUDIA
182SIMÃO
441MARIA baixinho á irmã:
183SIMÃO PEDRA
442CLAUDIA
184SIMÃO como assombrado:
443MARIA espansiva:
185SIMÃO PEDRA
444CLAUDIA
186SIMÃO
445MARIA
187MATHEUS
446CLAUDIA
188JOÃO tinha voltado, e encostára-se a uma das camilhas, observando sempre Judas. Como não possa conter o que sente em si, aproveita o ensejo de estar a sós com elle para expandir-se. Começa, porem, em tom sereno, como procurando dominar-se:
447MARIA animando-se:
189JOÃO
448CLAUDIA suspeitosa:
190JOÃO
449MARIA
191JOÃO
450CLAUDIA
192JOÃO
451MARIA caíndo de joelhos e beijando-lhe as mãos:
193JOÃO
452CLAUDIA com a voz cheia de bondade, obrigando Maria a erguer-se e abraçando-a:
194JOÃO
453SIMÃO PEDRA que viera junto de João:
195JUDAS avançando para elle, irrompe finalmente com um rugido abafado, o olhar ameaçador:
454ELEAZAR
196JOÃO cruza os braços e sereno:
455SIMÃO
197JUDAS, que em silencio estivera contorcendo as mãos nervosamente, diz-lhe emfim com muita ironía:
456SIMÃO PEDRA
198JOÃO repêso, olha para elle bondosamente e com um sorriso amigo:
457JOÃO que ficára immovel olhando para a muralha da cidade:
199JUDAS n'um brusco impulso de independencia:
458GAMALIEL encostado ao bordão, a meia voz, rancoroso:
200JOÃO ficou meditando, e depois generosamente, como falando á sua propria consciencia:
459JOÃO irrompendo:
201ELEAZAR indicando João aos companheiros:
460SIMÃO PEDRA
202SIMÃO PEDRA
461GAMALIEL por entre dentes:
203JOÃO cercado pelos amigos e já esquecido do que se passou, todo o seu pensamento entregue ao Mestre:
462JOÃO desalentado:
204MATHEUS
463GAMALIEL avançando para elle nervosamente:
205SIMÃO PEDRA
464JOÃO desanimado:
206JOÃO
465GAMALIEL animando-se e animando-o:
207SIMÃO PEDRA
466SIMÃO PEDRA
208JOÃO
467ELEAZAR
209SIMÃO PEDRA
468GAMALIEL
210JOÃO
469JOÃO erguendo-se:
211SIMÃO PEDRA
470GAMALIEL
212JOÃO
471SIMÃO PEDRA
213SIMÃO PEDRA
472GAMALIEL
214JOÃO, animando-se, cheio de puro enthusiasmo messianico:
473JOÃO com o olhar brilhante:
215GAMALIEL que pouco antes chegára da cidade, ouviu todo o falar de João. Traz o rosto abatido, o olhar cavo; dir-se-ía portador de uma nova terrivel.
474SIMÃO PEDRA tambem receioso:
216TODOS em sobresalto:
475GAMALIEL
217JOÃO
476JOÃO n'um sobresalto:
218SIMÃO PEDRA
477ELEAZAR abraçando-se n'elle, espansivo:
219MATHEUS
478SIMÃO incitando-o:
220JOÃO
479SIMÃO PEDRA secundando já agora Gamaliel:
221GAMALIEL pausada e custosamente:
480JOÃO indeciso:
222SIMÃO PEDRA, erguendo as mãos aos ceus:
481GAMALIEL
223MATHEUS, convulsamente:
482ELEAZAR
224JOÃO, n'um grito:
483SIMÃO
225ELEAZAR agarrando Gamaliel por um pulso:
484SIMÃO PEDRA
226GAMALIEL
485GAMALIEL
227JOÃO
486JOÃO
228ELEAZAR
487SIMÃO PEDRA
229GAMALIEL
488GAMALIEL agarrando João por um braço:
230JOÃO
489ELEAZAR
231GAMALIEL, procurando serenar os animos; as lagrimas borbulhando nos olhos e cahindo-lhe pelas barbas brancas:
490SIMÃO PEDRA
232SIMÃO PEDRA tambem resoluto:
491GAMALIEL querendo arrastal-o comsigo:
233JOÃO
492JOÃO n'uma grande espansão:
234GAMALIEL
493GAMALIEL em doida alegria:
235ELEAZAR
494JOÃO cheio de ardente enthusiasmo messianico:
236MATHEUS
495GAMALIEL como n'um grito de rebelião, avançando para a cidade:
237SIMÃO
496JOÃO vibrantemente:
238JOÃO
497GAMALIEL bradando:
239MARTHA
498JUDAS com desdem:
240MARIA, indolente:
499MARIA parando tambem:
241MARTHA
500MARIA, reposta da primeira impressão, serenamente:
242MARIA
501MARIA
243MARTHA
502MARIA
244MARIA
503JUDAS
245MARTHA
504MARIA muito calma:
246MARIA
505MARIA
247MARTHA, abeirando-se da irmã, muito meiga:
506MARIA
248MARIA
507MARIA
249MARTHA muito admirada:
508MARIA, dogmatica:
250MARIA
509MARIA em tom profetico:
251MARIA, sem o fitar, serena:
510MARIA animando-se:
252JUDAS cerrando as palpebras:
511MARIA terrivelmente:
253MARTHA com muita convicção:
512MARIA perseguindo-o:
254MARTHA surpreza:
513MARIA erguendo o braço:
255MARTHA abeirando-se d'elle, e pondo-lhe a mão no hombro, diz com uncção, melodiosamente:
514JUDAS que seguira com o olhar o movimento de Maria, fixa-o na muralha, e apontando tambem, trémulo, allucinado:
256MARIA, querendo esquivar-se:
515MARIA mais compadecida agora, mas com a voz repassada de austeridade:
257MARTHA
516JUDAS erguendo a cabeça e como acordado pela impressão que no seu espirito deixaram as ultimas palavras de Maria:
258MARIA conserva-se indecisa por algum tempo; mas depois, como respondendo a si propria:
517JOÃO solta a sua voz inspirada de orador apocalyptico, de gesto amplo e vigoroso, emquanto muito ao longe os canticos proseguem:
259MARIA baixando o olhar: