
Audazes e Pioneiros
Terras, Escravos e Fortunas em Piraí, 1810-1888By Daniel GandraLength10h 1m
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Antes da metade do século XIX, o Brasil saltou de uma posição insignificante no século anterior até o lugar de maior produtor mundial de café, abastecendo o mercado norte-americano e europeu da bebida, que havia se tornado moda não fazia tanto tempo nos salões da aristocracia, mas cujo consumo rapidamente pulverizou-se pelos diversos níveis sociais. Foi exatamente durante o século das emancipações no mundo que o braço negro escravizado no Vale do Paraíba sustentou este boom, criando um novo cinturão agrícola que ergueu cidades e gerou enormes riquezas que só aproveitaram aos senhores de tantas almas. Quem eram estes senhores (diga-se, em muitos casos, senhoras) que se apossaram de várias centenas de gentes? Como alçaram-se à condição de maiores produtores agrícolas mundiais da rubiácea em poucas décadas? O ritmo ascendente de qualquer história de apogeu soa sempre como um prelúdio ao declínio, possivelmente menos por uma necessidade estrutural, embora muitos a defendam a ferro e fogo, e mais por vício narrativo. A emancipação dos escravos, o secamento das terras, dos cafezais e das cidades costuma ser entoado como a harmonia de uma monofônica ruína do Vale. Entretanto, quais precisamente foram as causas do declínio? Quão pesado foi o peso do martelo legal emancipatório na economia da região? Já próximo ao fim, estes "donos das almas" conseguiram adaptar-se a uma economia não escravista? Estas são algumas das perguntas a que os inventários de Piraí abrem certas frestas.
Audiobook details
GenreHistory
Length10 hrs 1 min
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateMar 10, 2022
LanguagePortuguese
Table of contents
1Introduction
2INTRODUÇÃO
3CAPÍTULO I - O VALE, PIRAÍ E A HISTORIOGRAFIA
41. UMA REPRESENTAÇÃO AO IMPERADOR, UMA JANELA PARA O VALE
52. O VALE E PIRAÍ
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63. COMO EXPLICAR A ASCENSÃO DO CAFÉ? CORRENTES DA HISTORIOGRAFIA SOBRE A ASCENSÃO CAFEEIRA NO SUDESTE.
74. QUEM ERAM OS CAFEICULTORES? O SENHORIATO CAFEICULTOR DO VALE
8CAPÍTULO II – TERRAS
91. OCUPAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DO ESPAÇO
102. ESTRUTURA FUNDIÁRIA EM PIRAÍ
112.1 Aspectos gerais
122.2 Aspectos legais e médias
132.3 Fazendas, sítios, chácaras e paragens
143. UMA JANELA CARTOGRÁFICA PARA PIRAÍ
15CAPÍTULO III - ESCRAVOS
161. O ESCRAVISMO, OS ESCRAVIZADOS E A HISTÓRIA
172. POSSE DE ESCRAVOS
183. RAZÃO DE MASCULINIDADE
194. ORIGENS E DÚVIDAS
205. ESCRAVOS E TERRAS
216. O VALOR DAS ALMAS: PREÇO DAS ESCRAVARIAS
22CAPÍTULO IV – FORTUNAS
231. QUADROS TEÓRICOS E A HISTORIOGRAFIA
242. A MÁQUINA PRODUTIVA E O FLUXO DE RIQUEZAS
252.1 Os pés da planta
262.2 A produtividade: os pés da planta e a escravaria
272.3 A balança financeira: dívidas ativas, passivas e fluxo de riquezas
282.3.1 A roda da riqueza: conceitos gerais e a realidade de Piraí
292.3.2 Perdas e ganhos: dívidas ativas e passivas dos produtores em Piraí
303. DECADÊNCIA OU PUJANÇA?
31CAPÍTULO V – OS GRANDES NO COMEÇO DE PIRAÍ
321. POR QUE AS GRANDES FORTUNAS?
332. OS MAIS RICOS DE PIRAÍ E O CURIOSO DECÊNIO DE 1830
343. ATIVOS E DESIGUALDADES DENTRE OS MAIS RICOS
353.1 Ativos totais e aspectos gerais
363.2 As Escravarias
374. OS GRANDES E A FAZENDA DO IMPERADOR
38CAPÍTULO VI – IMPÉRIOS AGRÁRIOS
391. CONCEITO E RELAÇÃO COM A PESQUISA
402. OS MEGA PRODUTORES E OS IMPÉRIOS AGRÁRIOS DE PIRAÍ
413. OS IMPÉRIOS AGRÁRIOS DE PIRAÍ
424. UM QUADRO TEÓRICO MÚLTIPLO: OS MAIORES E OS MAIS RICOS EM PERSPECTIVA
435. GRANDE ENTRE OS GRANDES ATÉ O FIM: O CASO DA BARONESA DE PIRAÍ E SEU FILHO
445.1 A baronesa
455.2 O filho da Baronesa
465.3 Vinte anos depois e o fim anunciado
47CAPÍTULO VII – PIRAÍ, VASSOURAS E BANANAL: UMA CRONOLOGIA POSSÍVEL
481. INTRÓITO
492. TERRAS E SENHORES ESCRAVISTAS
503. ESCRAVOS