O erotismo de Eva Rossi nasce muitas vezes do contraste: calor e gelo, silêncio e gemido, solidão e encontro. Em Sexo no Frio, o desejo acende justamente quando o vento corta o rosto e o mundo parece ter sido reduzido a dunas, mar revolto e um bangalô aquecido por um velho fogão a lenha. Um viajante solitário procura apenas caminhar à beira da água na Dinamarca, deixando os pensamentos congelarem no ar. Até que, à distância, surge uma silhueta envolta em casaco grosso, gorro com pompom e passos firmes sobre a areia úmida.
“Nessa época do ano, não é comum encontrar alguém aqui”, ele pensa, pouco antes de se aproximar e ser recebido por olhos castanhos gentis e um sorriso tímido. Christine, com seu corpo cheio, curvas generosas e voz quente, o convida para entrar, partilhar spaghetti, vinho tinto e histórias. Lá dentro, o vidro embaça, as bochechas coram, o pulôver esticado denuncia seios fartos, e cada gesto banal – arrumar a mesa, mexer na panela, aproximar o copo – torna-se promessa. Quando o frio permanece só do lado de fora e a sauna se acende, resta descobrir até onde dois desconhecidos podem ir numa noite em que o calor vem todo da pele.