
Length20h 46m
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Nota Preliminar Escrito nos raros intervalos de folga de uma carreira fatigante, este livro, que a princípio se resumia à história da Campanha de Canudos, perdeu toda a atualidade, remorada a sua publicação em virtude de causas que temos por escusado apontar. Demos -lhe, por isto, outra feição, tomando apenas variante de assunto geral o tema, a princípio dominante, que o sugeriu. Intentamos esboçar, palidamente embora, ante o olhar de futuros historiadores, os traços atuais mais expressivos das sub-raças sertanejas do Brasil. E fazêmo-lo porque a sua instabilidade de complexos de fatores múltiplos e diversamente combinados, aliada às vicissitudes históricas e deplorável situação mental em que jazem, as tomam talvez efêmeras, destinadas a próximo desaparecimento ante as exigências crescentes da civilização e a concorrência material intensiva das correntes migratórias que começam a invadir profundamente a nossa terra. O jagunço destemeroso, o tabaréu ingênuo e o caipira simplório serão em breve tipos relegados às tradições evanescentes, ou extintas. Primeiros efeitos de variados cruzamentos, destinavam-se talvez à formação dos princípios imediatos de uma grande raça. Faltou-lhes, porém, uma situação de parada, o equilíbrio, que Ihes não permite mais a velocidade adquirida pela marcha dos povos neste século. Retardatários hoje, amanhã se extinguirão de todo. A civilização avançará nos sertões impelida por essa implacável força motriz da História que Gumplowicz, maior do que Hobbes, lobrigou, num lance genial, no esmagamento inevitável das raças fracas pelas raças fortes. A campanha de Canudos tem por isto a significação inegável de um primeiro assalto, em luta talvez longa. Nem enfraquece o asserto o termo-la realizado nós filhos do mesmo solo, porque, etnologicamente indefinidos, sem tradições nacionais uniformes, vivendo parasitariamente à beira do Atlântico, dos princípios civilizadores elaborados na Europa, e armados pela indústria alemã — tivemos na ação um papel singular de mercenários inconscientes. Além disto, mal unidos àqueles extraordinários patrícios pelo solo em parte desconhecido, deles de todo nos separa uma coordenada histórica — o tempo. Aquela campanha lembra um refluxo para o passado. E foi, na significação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo. E tanto quanto o permitir a firmeza do nosso espírito façamos jus ao admirável conceito de Taine sobre o narrador sincero que encara a História como ela merece: "il s' irrite contre les demi vérités que sont des demi faussetés, contre les auteurs qui n'altèrent ni une date, ni une généalogie, mais dénaturent les sentiments et les moeurs, qui gardent le dessin des événements et en changent la couleur, qui copient les faits et défigurent l âme; il veut sentir en barbare, parmi les barbares, et, parmi les anciens, en ancien. Euclides da Cunha. São Paulo, 1901
Audiobook details
Rating★★★★ 4.2 (5K)
Includes Amazon, Goodreads, LibraryThing, StoryGraph
GenreSpirituality and Religion, True Crime
Length20 hrs 46 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateJul 26, 2019
LanguagePortuguese
Table of contents
1OS SERTÕES
226 DE JULHO DE 2019 EDITORA DO CARMO BRASÍLAI-DF
3III. O clima. Higrômetros singulares.
4Terra ignota
5Capítulo II
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6As secas
7Resumamos, enfeixemos estas linhas esparsas.
8A natureza compraz-se em um jogo de antíteses.
9A França copia-o hoje, sem variantes, revivendo o traçado de construções velhíssimas.
10O sertanejo. Tipos díspares: o jagunço e o gaúcho. Os
11Capítulo I
12O termômetro desce, então, logo, numa queda única e forte, de
13traduz notavelmente estas modalidades
14Tal contraste não se baseia, por certo, em causas étnicas primordiais.
15Deslumbrava-as ainda o Oriente.
16Bateram-lhe por igual as margens o bandeirante, o jesuíta e o vaqueiro.
17Causas favoráveis à formação mestiça nos sertões distinguindo-a dos cruzamentos no litoral
18Deixemos, porém, este divagar pouco atraente.
19O vaqueiro
20A boiada arranca.
21O adversário retruca logo, levantando-lhe o último verso da quadra:
22Aproxima-se a seca.
23os novilhos, vem beirar a sua lancharia pobre.
24Mas não antecipemos.
25E fez-se o templo prodigioso, monumento erguido pela natureza e
26E cresceu tanto que se projetou na História...
27Era truanesco e era pavoroso.
28"Entretanto sirva isto para excitar cada vez
29Canudos: antecedentes
30Polícia de bandidos
31O "beija" das imagens
32Este abeirava-se de uma mesa pequena. E pregava...
33Retrato do Conselheiro
34Nós queremos acompanhar o nosso Conselheiro !''
35E continuou:
36Relata o general Frederico Solon, comandante do 3.° Distrito Militar:
37Despertou-os o adversário, que imaginavam ir surpreender.
38jagunços
39justificável. Sucediam-se
40De repente, pelos seus flancos, estoura, perto, um tiro...
41Não se olhou, porém, para o ensinamento histórico.
42I. Monte Santo. Triunfos antecipados.
43III. O Cambaio. Baluartes sine calcii linimenti. Primeiro recontro.
44IV. Nos Tabuleirinhos. Segundo combate. A Legio Fulminata de João
45V. Retirada.
46VI. Procissão dos jiraus.
47A tais requisitos aliavam-se outros.
48Em marcha para Canudos
49I. O coronel Antônio Moreira César e o meio que o celebrizou.
50II. Partida de Monte Santo. Primeiros erros. Nova estrada. Psicologia