
Length8h 47m
About this audiobook
🡆 BAIXAR GRATUITAMENTE: http://www.regiscardoso.com.br/raviera Há aproximadamente setenta anos, a comunidade LGBT brasileira resolveu construir seu próprio porto-seguro; um lugar onde fosse devolvida a humanidade que lhes fora roubada. Esta é a Ilha de Raviera. Rafa, um menino de quinze anos, doce, introvertido e muito observador, foge de casa e descobre na Ilha um novo lar. Ao pisar na balsa, descobre uma realidade invertida na qual, surpreendentemente, encaixa-se. O mesmo não acontece com seu melhor amigo, Vitor, que, por ser heterossexual, sente na pele o que as pessoas LGBTs sentem lá fora. Nesse sentido, Raviera guarda segredos sombrios: uma organização criminosa, a Efígie de Raviera, com um senso de justiça nojento e vingativo, persegue os heterossexuais que se aventuram a viver na Ilha. Ainda que os próprios moradores da Ilha tenham conseguido, pela vontade da maioria, extinguir esta organização horrenda, há vários vestígios que sugerem o contrário. Por outro lado, esta nova realidade permite que Rafa se aceite e se compreenda por completo, fazendo de seus amigos a sua própria família, todos demasiadamente humanos. Ele aprende que o amor, que lhe fora negado até então, também é para ele, e que sua família não é menos família por ser formada por pessoas de mesmo gênero. Este não é um livro como os que podem ser encontrados nas prateleiras da livraria mais próxima. Não há magos, dragões, tampouco agitadas cenas de ação. Rafa não é nenhum super-herói. É apenas um garoto normal, e talvez seja justamente isso que faça dele tão especial: saber que não é uma anomalia da natureza, que é um menino como qualquer outro. *********** Ilha de Raviera foi escrita durante três anos por um adolescente que, procurando descobrir-se, criou como válvula de escape uma sociedade na qual fosse aceito por inteiro. Com isso, deu forma — e vida — a personagens muito carismáticos, abordando de forma leve e doce questões como a constituição familiar, o peso social que possuem os relacionamentos, a ostracização cotidiana das minorias, o revanchismo vingativo e a homofobia internalizada. A beleza desta história não se encontra em aventuras heroicas, explosões, peripécias e um clímax intenso; se encontra, antes, nas teias de relações humanas e inseguranças pessoais que se escondem por detrás dos detalhes da vida cotidiana. Por ter sido escrita dos dezesseis aos dezenove anos, a história amadurece junto com o autor e perpassa vários estilos de escrita ao longo dos capítulos. O próprio tipo de foco narrativo reflete a mentalidade de um adolescente que entra num período de transição até tornar-se um jovem adulto.
Audiobook details
GenreGeneral Fiction, Children's Literature
Length8 hrs 47 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateJan 24, 2016
LanguagePortuguese
Table of contents
1Introduction
25Oi.
2Termos e valores: homo ou homossexual?
26E aí? Vamos?
3Por Pedro Novás
27Não sei. Não me leve a mal, mas eu nem te conheço.
4Os heterossexuais conseguiram, ao decorrer da história, denegrir nossa imagem das mais variadas formas possíveis; mas isso todo mundo já está careca de saber. Muitas vezes nós próprios cometemos deslizes e, com uma mera “brincadeira” (haja aspas!), sem querer reforçamos os aparatos sociais de repressão usados contra nós mesmos. A linguagem nunca foi e jamais será isenta de carregar este tipo de peso discriminatório simbólico, ainda mais possuindo em cada palavra uma significação própria que traz consigo toda uma construção coletiva que remonta não só ao seu sentido, mas também às associações instantâneas aos valores sociais, sejam eles pejorativos ou não.
28Exatamente! Mais um motivo para aceitar o convite!
5Pois bem. Você, leitor, nunca se perguntou por que usamos na maioria das vezes o termo “homossexual” completo, mas quando nos referimos ao grupo majoritário usamos apenas "hétero"?
29RafaQuando acordo sinto uma dor muito forte por não ter você ao meu lado. Esses vários meses que passamos juntos foram os melhores da minha vida e sinto falta de seu cheiro e de seu abraço apertado. Tenho a forte esperança de que, quando você acordar, tudo vai finalmente voltar ao normal. Rezo todos os dias para isso.
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6Estamos todos cansados de ouvir pastores pregando o ódio em TV aberta que, para não fazerem uso da palavra “gay”, preferem se referir a nós como “homossexuais”, no mesmo tom do de quem se refere a algo patológico e contagioso. Quando o “sexual” é adicionado, intencionalmente ou não, um caráter de doença é conferido à palavra, ou, no mínimo, de promiscuidade. Na hipótese mais amena, mas ainda terrível, nossa afetividade é reduzida a sexo.
30BeijosBruno
7Não é preciso abolir o sufixo “sexual” das nomenclaturas, mas talvez seja benéfico incluir a expressão “homo” nas conversas informais, bem como também utilizar “heterossexual”. Deste modo, daqui a alguns anos, não reservamos a somente uma das orientações o estigma que este sufixo carrega, reduzindo pessoas e suas complexidades emocionais a uma mera sexualização pejorativa. Do contrário, que tipo de igualdade teríamos se ela não atinge nem mesmo as palavras, nossa maneira mais elementar de comunicação?
31Oi.
8Oi. Aqui é o Rafa. O Pedro me passou seu número. :) Abraço.
32E aí, como está seu primeiro dia no trabalho?
9É Rafa, né?
33Rafa, não consigo. Não vou aguentar esperar até amanhã. Por favor, a gente pode se encontrar hoje?
10Tem alguém aí?
34Por mim tudo bem, mas estou aqui num tal de Bar do Árnie. Você sabe onde é?
11Sim, aqui é o Rafa. Mas quem é você? E como conseguiu o meu número?: Acho que te devo um sorvete.
35Estou aqui fora.: Este é, na verdade, o relatório de crimes cometidos contra a população LGBT fora de Raviera. Todos os relatos são reais1 e noticiam o que aconteceu no Brasil. O livro tem como objetivo divulgar os acontecimentos (ou pelo menos parte deles, já que ainda existem muitas outras atrocidades não divulgadas) e servir como modelo para as ações da Efígie de Raviera. É preciso pagar na mesma moeda.
12Ah, você é aquele menino que chutou a bola em mim ontem?: Sim. Mas já pedi desculpa. =S
36Não tem problema. Mas você está bem? O que aconteceu? =(
13Como você conseguiu meu número?
37Não aconteceu nada. Só não estou me sentindo muito bem hoje. =)
14A Asa deixou o celular cair. Eu até tentei chamar vocês, mas não me deram ouvido. Continuaram andando. =(
38Com o Rafa? Esta aposta rendeu mesmo, hein! hehe
15Meu nome é Bruno, por sinal.
39A galera está combinando de tomar uma cerveja daqui a pouco. Está afim, Bruno?
16Ah sim, a Asa me contou sobre você. haha
40Não posso, cara. Estou com o Rafa aqui na Praia da Imbuia.
17Xi… Suponho que isso não seja uma coisa muito boa. hahahaha
41Caro amigo Arnaldo Barbosa
18Você é novo aqui?
42Como anda por essas bandas? Sei que me pediu para não escrever-lhe, sob o risco de colocar em cheque a confidencialidade de seu paradeiro, mas tomei as precauções para que ninguém descobrisse que este Arnaldo a quem escrevo é o mesmo Arnaldo Major Engenheiro do ITA com quem um dia estudei.
19E está gostando?
43Devo pedir que não se sinta envergonhado por ter mudado de vida radicalmente. Também fiz isso, pois as sessões de Reabilitação Social após o término do curso não me ajudaram em nada. Hoje moro numa pequena cidade da Eslováquia e trabalho como pedreiro pós-moderno. Se bem que, tenho que confessar, o mercado de trabalho está insuportável: não sei o que há de errado com os clientes, mas eles só sabem pedir que eu construa coisas e, por mais que eu explique, não conseguem entender que o pós-modernismo serve justamente para desconstruir. A opressão neste ramo está muito grande: só pelo mero fato de eu ser pós-modernista, estão negando emprego a mim.
20Sim, sim…: Você já conheceu a cidade?
44Minha sanidade está voltando aos poucos; pelo menos é o que diz minha psicóloga. Mas o que minha psicóloga sabe das coisas? Tentei ensiná-la a maneira correta de comer uma banana — jogando fora aquele caroço que tem dentro da casca e consumindo o que sobrar — mas até hoje ela come do jeito tradicional e errado. Vai entender.
21Mais ou menos.Conheci o Quiosque Principal, o shopping, a Praia de Batuí ontem e amanhã vão me levar para conhecer o Jardim Botânico. Fora alguns outros lugares que passei perto de carro.: QUÊ? Ainda não te levaram na Praça Vila Nova?
45De qualquer forma, espero que retorne minha carta e conte as novidades.
22Não, mas acho que a Asa comentou sobre essa praça. Por quê?: Porque vir para Raviera e não ver a Praça Vila Nova é como ir para o Rio e não ver o Cristo Redentor.
46Um grande abraço
23Vou pedir para a Asa me levar lá qualquer dia. ^^: Ou você pode ir comigo. =P
47Roberto Vaz
24Oi??
48(Untitled)