
Mature
Length2h 32m
About this audiobook
O caminho era de pedra.No meio do caminho – de Corinto a Tebas – tinha uma esfinge.E a esfinge era uma pedra, era de pedra – mas era também de perda.Então, no meio do caminho de pedra tinha uma esfinge, que era de pedra, que era de perda para o povo de Tebas. O caminho podia ser para qualquer destino – simboliza a vida.Podia ser para Itabira.Se fosse para Itabira teria mais uma pedra (ou talvez mais duas) e estaria no meio da palavra que nomeia Itabira – Ita.No meio de 'Ita-bira' tinha uma pedra.E toda pedra é de terra – donde viemos e volveremos! No meio de apenas um caminho a esfinge finge tomar conta de todos os destinos, certa que está de sua plena onipotência e onisciência.Quem vai ao seu encontro fica mudo – estrangulado - ante o absurdo de seu enigma: " Decifra-me ou devoro-te ".Propõe - na verdade impõe - esta charada como condição para livrar o peregrino do pior destino – a morte – e Tebas, da destruição. O peregrino caminha porque acredita que assim fugirá do seu destino – mas não sabia que este era exatamente e tão somente o caminhar; conquanto também se supunha onipresente e onisciente, não cogitava que nada estivesse alheio à sua vontade, desejos e desígnios. A pedra da esfinge faz-se pó, silica, quando é decifrada; imaginava-se imortalizada, sol, faraó, no entanto é devorada pelo peregrino, espelho da esfinge, que acreditando fugir da sua sina, nada mais fazia do que ir ao seu encontro.Para alcançar seu destino cometeu o maior dos desatinos: conhecer-se profundamente, conhecer o homem, o outrem como imagem e semelhança de si mesmo.E o seu destino era o encontro com o amor perfeito, aquele que não tem jeito nenhum de existir porque implica na renúncia completa de si em face de outrem. O amor perfeito é a morte do eu-peregrino por exigir sua total e incondicional abnegação.A mais próxima descrição do amor perfeito encontra-se na Bíblia, Corintos 13, de onde Édipo-pé-regrino foge para encontrar seu destino: devorar-se. Fica cego, fica só e vira pó – assim é quando se encontra o amor perfeito, do qual só se tem, na fantasia e na poesia, uma parca ideia do que seria. Já no mundo palpável o amor é impalpável e imperfeito; por isto não nos cansamos de buscá-lo dia após dia.O que move o homem é a ilusão de podê-lo alcançar ou senão, ao menos, de dele tentar, tentar e tentar aproximar-se.Senão, por que viver ?
Audiobook details
GenreGeneral Fiction, Literary Classics
Length2 hrs 32 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateJul 5, 2024
LanguagePortuguese
Table of contents
1EPÍGRAFE
38Amar o - zonia
2PREFÁCIO
39Só com Deus para ser só
3AGRADECIMENTOS
40Na medida do amor
4Poesia - plenitude de paz e pranto
41Deleite
5Sentimento das palavras
42Alegria de criar
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6Fria decomposição em poesia das coisas indomáveis do mundo
43Eloquência da carência
7Eu-lírios, teus lírios, delírios
44Despedida
8Su-jeito ob-jeto
45Angústia
9País Dalí
46AMORTE
10Vinho nosso
47Escola boa sem bola
11In-contido
48Vontade das coisas do mundo
12Ciclotimia
49A mãe da perfeição é fria
13Homo sujiens
50Acróstico
14Será ?
51Intimidade com as palavras
15Ju-piter Ssa-turno u-Ra-no
52Licença poética
16Vida do morro de Drummond
53Zen sem ser ninguém
17Decifro-te e devoro-me
54Deus existe
18Cadeia alimentar
55Súplica da vontade
19Louco e feliz
56Porto Firme
20Natureza transformada
57Criogênese
21Mais uma de Itabira
58Recordar é viver
22Idade
59Um alguém
23Artista
60O preço de só existir
24Vida a dois em um
61Presente etéreo eterno
25Indiferença
62Desaforismo
26Onde vive o amor?
63Estio invernal
27Salto para queda
64Multi-verso
28Árabe ou judeu ou árabe e judeu ?
65Canto da noite
29Vontade de tudo poder
66Coma profundo - resgate de uma carótida atropelada
30Olhares jovens
67Insônia
31Estar ou não estar em si – eis a questão de ser
68Fronteira
32Rezar e pecar
69Uma pedra a meio caminho entre Buda e Drummond
33Mensagem
70Logar-ritmo
34Soro filosófico
71Cegaram a justiça
35Viver é sorrir
72POSFÁCIO
36Dor não poética
73SOBRE O AUTOR
37Caminho desarticulado