
Length3h 44m
About this audiobook
Tudo era silêncio, agonia e solidão, me restava apenas folhas em branco, caneta e a literatura como cura do mal sem remédio de viver. Somos muitos e tantos que nos perdemos entre labirintos folgados entre o que somos, o que pensamos ser e o que queremos ser. Esses contos vão apresentar ao leitor esta lacuna angustiante e até engraçada, para quem tiver coragem, de uma sorte de Sibila, a deusa grega que pede a Apolo a vida eterna e esquece de pedir a juventude eterna, envelheceu de consciência e a figura putrefacta e eterna só pedia para morrer. Havia em mim um eu Sibila que envelheceu sem morrer e escrever estes contos o matou. É de cunho psicológico e agonia, personagens que não se encontram mais em seus papeis em que o fatalismo do dia-à-dia nos impõe como os cabelos brancos e as dores no joelho. O joelho de existir por vezes não dobra e a articulação de viver trava, há quem procure ajuda profissional, eu procuro o papel, meu psicanalista, parafraseando Hemingway. A pós-modernidade criou modelos e modas de viver, auto-ajuda que serve para tudo, mas não funciona para nada pois a vida não é reta e os caminhos são tão originais quanto digitais, vesti muito ternos que nunca me couberam e estes contos me trouxeram o dorso insuportável da liberdade, livrei-me dos meus eus que não me eram funcionais e não passavam de caricaturas menores do que podia ser. Texto bom é aquele que faz o espirito sangrar, cada um deles me deu uma hemorragia e ao passo que me renovava com um sangue mais rubro, mais vivo, mais tesudo pela vida e seus sabores, odores, dessabores, dores e gozos bebia da liberdade. Já que a vida não tem sentido real, nascemos perdidos, não sabemos para onde vamos e morremos, e estas são as únicas verdades dogmáticas da existência, todo resto são firulas de aliviar dor, paracetamol e morfina existencial, cabe a cada ser um mergulho profundo na sua piscina vazia de se encontrar, se aceitar, se receber e se perdoar; inventar a vida, não aquele que havia sonhado, mas a que mais lhe apraz. Não aceite modelos de viver, são apenas marketing de comportamento que não enxuga suas lágrimas na solidão, nem alivia sua dor da consciência de ser um intérprete de si mesmo. Quando comecei este livro tudo era silêncio e agonia, terminei e era o fim de Hamlet: "Tudo é silêncio". Ao fim vi todos os ternos que vesti na estrada da vida e ficou o profundo orgulho ser apenas esta figura insignificante, putrefante, e muito satisfeita do resultado dessa miscelânea de línguas, países, culturas, livros, amores, mulheres, coxas e perfumes, sobrou apenas o que deu para ser e o que sobrou era melhor do que todas as pretensões que havia sonhado e interpretado para mim. Detesto gente bem resolvida, gente sem conflito invariavelmente é mentirosa, quero-as longe de mim e de seres bonzinhos fujo com fobia; não sou modelo, nem molde, sou eu e ser eu é uma das, se não, a maior conquista de uma vida. Contos Fora da Minha Pele para os que tem coragem!
Audiobook details
GenrePsychology, General Fiction
Length3 hrs 44 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateJun 10, 2015
LanguagePortuguese
Table of contents
1O Existencialista
18MEU ELE
2A ENTREVISTA DA TRAGÉDIA (Ou a virtude do cinismo na pós-modernidade)
19HARPIA
3EU ERA OUTRO
20A MULHER QUE OUVIA JAZZ
4IDENTIDADE
21DERIVA DE MIM
5VIVER DÓI
22NO DIA EM QUE MATEI LADY JANE
Show all chaptersShow less
6 TOPOR DE SU´ALMA
23O AMOR É ILEGAL
7O HOMEM QUE QUERIA SE CHAMAR TCHEKHOV
24AMOR, NÃO CHORE PORQUE AMOR NÃO CHORA
8OXÍMORO
25O Cronista
9 NO DIA EM QUE SAÍ DE MIM
26FOTOGRAFIA 3X4
10O CÃO DA PIEDADE
27MEU CORAÇÃO LUSITANO
11A CASA DO OUTRO
28O CÚMULO DO SILÊNCIO
12É DE…
29O DIA EM QUE A LEI MUDOU
13Um Dia, Um Café, Um Não
30RENDEZ-VOUS DÉCALÉ
14 A REDENÇÃO DE UM INFELIZ
31CIDADE DE VIDA BELA
15A ILHA
32O PONTO VERMELHO DO STAND BY
16O Assassinato da Rua de La Noue (ou a Organização Eficaz da Indiferença em Virtude de Agonia)
33UMA GOTA DE SANGUE NO DOMINGO DE CARNAVAL
17O Amante pela Pedra