
Escravidão E Pastoreio No Rio Grande Do Sul
By Setembrino Dal BoscoLength7h 48m
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Rio Grande do Sul: uma formação social escravista Mário Maestri (Em memória de Theó Lobarinhas Piñeiro, companheiro de idéias e esperanças) Por largo tempo, a historiografia sulina e a nacional desconheceram e negaram o caráter escravista da capitania e da província de Rio Grande de São Pedro do Sul. Entretanto, o sul do Brasil se manteve, sempre, até os anos 1884-85, quando da libertação sob a clausula de prestação de serviços gratuitos, em geral por sete anos, entre as principais regiões escravista da antiga formação social brasileira. Em verdade, o RS foi, salvo engano, a única região do Brasil escravista em que a população escravizada seguiu crescendo, por expansão natural, após a abolição do tráfico negreiro, em 1850. Em geral, o desconhecimento-negação da importância do cativo no passado sulino constitui uma forma de cegueira seletiva de uma intelectualidade sempre ligada-submetida aos designios materiais e ideológicos dos donos das riquezas e do poder. A enorme importância do trabalhador escravizado africano e afro-descendente estava registrada em praticamente todos os levantamentos demográficos da capitania e das províncias sulinas dos séculos 18 e 19. Como propôs, nos anos 1950, o advogado e historiador Dante de Laytano, no longo ensaio "O Escravo no Rio Grande do Sul". Uma constatação que não foi retida, ampliada e aprofundada pela historiografia de sua época. A partir sobretudo dos anos 1970, reconhecida, a contragosto, a importância demográfica da população escravizada no passado rio-grandense, a historiografia regional a nacional esforçaram-se para manter a instituição terrível fora das porteiras da fazenda pastoril, o cadinho mítico-sagrado onde se fundiram as elucubrações apologéticas sobre a formação rio-grandense e a proposta de sua diversidade em relação ao resto do Brasil - o RS como região diversa de resto do Brasil, já que essencialmente produto do trabalho do braço do homem livre. O mito da democracia pastoril sulina, de indiscutível origem platina, pressupunha a existência de um gaúcho idealizado, verdadeiro monarca dos pampas, sem contradições com seu explorador, o estancieiro. Nessa invenção da tradição, criava-se um trabalhador pastoril livre dominante - o gaúcho - e apresentava-se o trabalho pastoril como um verdadeiro jogo, irmanando o peão e o estancieiro, verdadeiros companheiros de lida e de luta. Como então reconhecer o caráter hegemônico do "cativo campeiro" na grande estância sulina? O RS nunca foi Terra de Gaúcho Estudos mais detidos revelaram fenômeno histórico conhecido ou pressentido por aqueles que estudaram comparativamente a história e as práticas pastoris no imenso bioma constituido pelas planícies atapetadas por gramíneas do meridião da América do Sul, meio geoecológico favorável à procriação natural e à criação de bovinos, de cavalares, de muares, de ovinos. Ou seja, o Rio Grande do Sul teve, sim, seus gaúchos, que se empregaram eventualmente como peões. Entretanto, essa região jamais foi terra de gaúcho, como o foram, ao contrário, as províncias de Buenos Aires, de Santa Fé, de Corrientes, de Entre Rios, regiões que tiveram sua história social, política e econômica fortemente fecundada e determinada pelo gaúcho. O que jamais ocorreu no Rio Grande do Sul. Em 1865, o caudilho entrerriano Justo José de Urquiza comprometeu-se em reunir, rapidamente, dez mil cavaleiros, sobretudo gaúchos, peões e pequenos proprietários, para participarem da guerra contra o Paraguai. Isso em uma época em que Entre Rios tinha uma população fortemente inferior à do Rio Grande do Sul. Na guerra farroupilha, em 1835-1845, os grandes estancieiros tiveram, ao contrário, que libertar e armar, em forma abundante, homens escravizados para defenderem seus interesses.
Audiobook details
GenreBusiness and Economics, History
Length7 hrs 48 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateSep 23, 2015
LanguagePortuguese
Table of contents
1SETEMBRINO DAL BOSCO
2Escravidão e Pastoreio no Rio Grande do Sul 1780-1889
3Conselho Editorial Coleção Malungo
4Mário Maestri
5Em memória de Theó Lobarinhas Piñeiro, companheiro de idéias e esperanças.
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6História da Guerra entre Triplice Aliança e o Paraguai
7história
817 MAESTRI, Mário & BRAZIL, M.C. (Org.)
918 SILVA, Nery Luiz Auler da.
1019 MAESTRI, Mário.
1120 EIFERT, Maria Beatriz C.
1221 COUTO, Mateus de Oliveira.
1322 PALERMO, Eduardo R.
1426 ASSUMPÇÃO, Jorge Euzébio.
15Introdução
16gaucho
173 etc.
18Formas de vida en el latifúndio colonial.
193 ed. Porto Alegre:
206 MAESTRI, Mário.
21cotiguaçu
2220 Cf. ISABELLE, Arsène.
23Universidade de São Paulo, 1974. p. 126.
24Procuraderias de Misione
2532 Cf. KERN, Arno Alvarez.
2633 Cf. MAESTRI, Mário.
2740 CESAR, Guilhermino.
28Peões missioneiros
2944 CHASTEEN, John Charles.
30cimarrón
3148 FONSECA, Pedro Arí Veríssimo da. 49 Cf. CAMARGO, Fernando.
3257 Cf. CESAR, Guilhermino.
33Tupansinetã
34gaúcho
35Fundação da Colônia do Sacramento e Laguna
3678 CESAR, Guilhermino.
37A paz firmada pelo Tratado de Madri durou onze anos. Em
3884 GOLIN, Tau.
3988 Ver mais sobre capitanias Hereditárias em FONSECA, Célia Freire A.
4089 Cf. CESAR, Guilhermino.
4190 Cf. JAQUES, João Cezimbra.
4296 FLORES, Moacyr.
4397 BOEIRA, Nelson; GOLIN, Tau (coord.).
44A passos de tartaruga
45Aguardente e chicote
46123 SAINT-HILAIRE, Auguste.
47370 vacas chucras
4839 vacas mansas leiteiras
4968 reses tambeira
5010 bois mansos