
Length9h 11m
About this audiobook
Sinopse: Crônicas da Lua Azul – Volume 4: Antes da Tempestade Antes da Tempestade leva a saga para Niterói, onde o mundo ainda está fragilizado e tentando se recuperar do evento cataclísmico que encerrou a intervenção do Guardião. O caos abriu uma perigosa brecha na realidade, e as forças do Domínio estão à espreita, prontas para aproveitar a vulnerabilidade do tecido dimensional. A ameaça se instala na cidade, exigindo uma reação imediata dos sobreviventes. Este volume é uma narrativa tensa sobre a busca pela verdade e a formação de novos vínculos em meio à incerteza. Nele, a Luz do mundo luta para estabilizar as criaturas instáveis que restaram após o grande conflito. É uma história de sacrifício e de redefinição do legado em um mundo que precisa encontrar a força para enfrentar o próximo ataque. O destino dos sobreviventes pende de um fio. Enquanto a cidade se prepara para o pior, o universo das Crônicas da Lua Azul se pergunta se é possível restaurar o equilíbrio quando a verdadeira tempestade ainda está por vir.
Audiobook details
GenreOther, Fairy Tales and Folklore
Length9 hrs 11 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateAug 28, 2026
LanguagePortuguese
Table of contents
1Tedney Canellas
23. Ficha Catalográfica (CIP) e ISBN
3Capítulo 2 – Ecos da Manhã
4Até que a névoa abaixo dela se abriu. E algo desceu. Rápido. Enorme. Silencioso. Uma ave gigante, negra como obsidiana, as asas recortando o vazio como lâminas. Um corvo colossal — mas com proporções que nenhum corvo deveria ter. Ele mergulhou em sua ...
5— Levante-se, Kelly. Não pense que isso foi um sonho. Porque não foi.
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6Tieko não demonstrou humor algum. Nem impaciência. Apenas observou Kelly como quem observa um enigma prestes a se resolver.
7— Nada do que você viveu foi criação da sua mente. — Tieko cortou, sem elevar a voz.
8Kelly recuou um passo. Tieko continuou:
9Silêncio. Um silêncio que parecia maior que a sala. Kelly conseguiu apenas sussurrar:
10Tieko não respondeu. Apenas a observou, com algo entre respeito e preocupação profunda.
11Lara sentiu o estômago afundar.
12— Eu fiquei com medo — admitiu, pela primeira vez deixando as lágrimas escorrerem. — Medo de ouvir a voz dela… e não ser ela.
13— Pega as chaves, Marina. — Dandara ordenou, a voz ainda um pouco rouca, mas firme. — E não vamos em um carro. Vamos de moto. É mais rápido.
14A poltrona favorita de Kelly estava caída de lado, como se tivesse sido derrubada apressadamente, e sobre o chão de madeira lisa, um dos brincos de Kelly — uma pequena argola dourada com um pingente de búzios — jazia no chão.
15— Calma. Não vamos nos separar. Se alguém entrou aqui...
16Dandara correu até Kelly e a abraçou com uma força brutal, mal deixando-a respirar. Kelly soltou o hambúrguer em cima do sofá.
17Dandara soltou o abraço, mas manteve as mãos nos ombros de Kelly, como se temesse que ela desaparecesse de novo.
18Kelly desviou o olhar. Ela estava tentando processar as palavras de Dandara, mas algo mais íntimo a incomodava. Tentou rir, mas o som saiu um pouco falso. Olhou para o hambúrguer abandonado no sofá.
19O trio se encarou. O alívio de que Kelly estava viva havia se transformado em uma desconfiança mútua sobre a sanidade da situação. A desculpa não convencia, mas, pela primeira vez em minutos, o cheiro de queijo e carne roubou a atenção do medo. A tens...
20Kelly, revigorada pela corrida e relaxada pelo sol, deitou na areia com o rosto voltado para o céu. A brisa suave e o som do mar eram o antídoto perfeito para a paranóia que vinha tentando ignorar. Fechou os olhos.
21Kelly viu apenas um borrão de escuridão. O ar ao seu redor ficou momentaneamente pesado, e um som seco e repugnante cortou o ar, como um galho grosso sendo partido. O líder soltou um grito gutural, caindo de joelhos na areia. Sua mão, que estava esten...
22Ele se virou e, tão rapidamente quanto havia chegado, se afastou na direção do MAC, desaparecendo na multidão do calçadão. O confronto acabou. Kelly estava salva, mas ultrajada pela violência e pelo deboche.
23As três amigas a encararam em silêncio absoluto.
24— Que merda… — murmurou.
25“Eu sonhei com você.”
26Nenhuma resposta. Mas o ar mudou. A temperatura subiu de leve. Um ronronar baixo vibrou pela terra, subindo pelas pernas dela, pelo estômago, pela garganta. Não era ameaça. Era reconhecimento.
27Quando olhou para as mãos… havia terra. Real. Escura. Debaixo das unhas.
28O canto da boca dele se moveu — não um sorriso, mas algo muito mais perigoso: um reconhecimento. Ele deu um passo. Um único. Lento. Calculado. Invadindo o espaço dela sem encostar, sem pedir permissão.
29Kelly puxou o ar, irritada pelo próprio corpo reagir, e continuou andando sem desviar. Quando chegou perto dele, não se conteve:
30Ele empurrou o ombro da parede e se afastou dela, caminhando pelo corredor sem olhar para trás, como se tivesse acabado de ganhar um jogo que ela nem tinha percebido que estava jogando. Kelly ficou ali por alguns segundos, respirando fundo, o maxilar ...
31— Ahm. — Ela bebeu um gole d’água, mas o olhar continuava preso no rosto da amiga. — Que cara é essa?
32— Com ninguém.
33Mas não disse nada. Guardou. Como sempre.
34As três começaram a andar. Marina seguia no meio, falando alguma coisa sobre uma menina que tinha paquerado na pista, enquanto Lara ouvia pela metade, ocupada demais observando a rua como se estivesse caçando algo no escuro — mesmo sem saber disso ain...
35— Então mexeu como, Kelly?
36— Marina… ninguém quer te sequestrar não. Você fala isso toda semana.
37Kelly sentiu o coração apertar — aquele instinto de alerta que ela nunca teve motivo para escutar… até agora.
38Mas Lara… Lara não gritava. Ela corria — mas algo nela corria diferente. O corpo mais leve. Mais rápido. O ar entrando nos pulmões como se não houvesse limite. O coração batendo forte demais, mas sem desespero. Era como se ela estivesse velha demais p...
39— Lara?
40Garras rasparam o chão. As orelhas vibraram. O coração batia — não de medo. De vida, de algo bruto, velho, ancestral, que ela não tinha palavras humanas para entender. As sombras tinham ido embora. Mas o perigo não. Algo a seguia. Algo grande, algo qu...
41A onça travou. O corpo inteiro estremeceu. As patas derraparam um centímetro. Os olhos se dilataram. Um som engasgado escapou dela — algo entre dor, surpresa e submissão instintiva. E então… tudo ruiu. O pelo retraiu. Os músculos dobraram. A coluna se...
42— Não. Eu não te conheço.
43— Significa que, a partir desta noite… você despertou mais de si mesma.
44Capítulo 10 – Lara Volta para Kelly e Marina
45Ou sentido.
46Ela estava viva.
47Ela respirou fundo, tentando encontrar as palavras.
48Medo. (1)
49A transformação ainda deixava marcas.
50Alguém observando.