
Length1h 48m
About this audiobook
Florações de cianobactérias produtoras de saxitoxinas (STXs), como a Cylindrospermopsis raciborskii, tem se tornado um grave problema ambiental no Brasil, pois a espécie já é dominante em alguns reservatórios de abastecimento público. As STXs são neurotoxinas que atuam bloqueando os canais de sódio (Na+) dos neurônios, o que pode levar à morte por parada respiratória. Entretanto, a bioacumulação deste tipo de substância na cadeia trófica e seus efeitos ecotoxicológicos, principalmente na água doce, ainda não estão totalmente esclarecidos. Neste trabalho objetivou-se elucidar os efeitos tóxicos e a bioacumulação de STXs no peixe dulcícola Hoplias malabaricus através de bioensaio com exposição trófica (0,08 µg/100 g de equivalentes de STX – STXeq obtido através da lise celular de C. raciborskii) utilizando exemplares de Astyanax sp. como veículo por 20 dias, com alimentação a cada 5 dias. Os cérebros dos animais foram avaliados através dos biomarcadores de contaminação ambiental: atividade específica da acetilcolinesterase (AChE), superóxido dismutase (SOD), catalase (CAT), glutationa S-transferase (GST) e glutationa peroxidase (GPx). A concentração da glutationa (GSH), lipoperoxidação (LPO), carbonilação de proteína (PCO) e danos genotóxicos (ensaio cometa) também foram analisados. O músculo foi coletado para análise química de STXs. Estabeleceu-se ainda um protocolo de cultivo primário de neurônios de H. malabaricus para possibilitar a avaliação das neurotoxinas diretamente na célula alvo. Em seguida, as células cultivadas foram expostas em meio de cultivo contendo extrato de STXs a 3 µg/L (valor tolerável no Brasil de equivalentes de STXeq na água de abastecimento público) e 0,3 µg/L por 24h. O bioensaio in vivo sugeriu a geração de espécies reativas de oxigênio, com aumento da atividade específica da SOD e das concentrações de LPO e PCO, enquanto as atividades específicas da CAT, GST e GPx diminuíram, o que pode ter levado ao estresse oxidativo e aos danos genotóxicos obtidos pelo ensaio cometa. Entretanto, não foi observada presença de STXs nos músculos analisados. Depois de os neurônios serem expostos às STXs, o que correspondeu a aproximadamente 87% das células isoladas no ensaio in vitro, observou-se citotoxicidade através do ensaio de sal de tetrazólio (MTT), aumento da atividade específica da GPx, dos níveis de LPO e genotoxicidade. No entanto, não foi observado apoptose nos grupos testados. Os resultados obtidos sugerem que as STXs liberadas no meio aquático pode comprometer a qualidade ambiental do ecossistema, enquanto o bioensaio pode servir de ferramenta para gestão de recursos hídricos uma vez que, embora os efeitos da STX devido ao bloqueio do canal de Na+ sejam reportados como reversíveis, o tempo de exposição e a concentração das STXs sugerem injúrias celulares, o que pode causar neuropatologias. Além disso, o estabelecimento do protocolo de cultivo primário de neurônios de peixes possibilita novas aplicações em ecotoxicologia na avaliação de substâncias neurotóxicas em células alvo, o que pode levar a um melhor gerenciamento dos recursos hídricos visando à proteção da saúde pública e dos ecossistemas aquáticos.
Audiobook details
GenreScience and Nature, Education and Learning
Length1 hr 48 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateNov 19, 2013
LanguagePortuguese
Table of contents
1Tese, uma Síntese
2V
33.2 ENSAIO IN VITRO
4iii
51.1 Cianobactérias
Show all chaptersShow less
6BARTRAM, 1999). A capacidade de crescimento nos
71.2.1 Neurotoxinas
8Anaebaena
91.3 Biomarcadores
101.6.1.1 Objetivos Específicos
112.1.1 Obtenção das Saxitoxinas
1230 min e o sobrenadante foi filtrado usando filtro de
13As amostras de cérebro foram homogeneizadas em
14°C. As lâminas foram imersas em uma solução de
15100 células foram visualmente analisadas de acordo
16A identificação de neurônios foi realizada através de
175 minutos para visualização de núcleos celulares.
182000 provido de contraste de
19Após a exposição às STXs, foi removido o meio de
20oxidativo, danos genotóxicos e processo apoptótico nos
21V.T., KIM, W.K., Isolation and culture of toxic strains
22LLEWELLYN, L.E. Saxitoxin, a toxic marine natural
23V.L.P., PEREIRA, M.S., HAGE, E. Gastroenteritis