
Length16h 3m
About this audiobook
Jorge e Luísa formam um jovem casal pertencente à burguesia de Lisboa. Convivem com um círculo de amizades formado, entre outros, pelo Conselheiro Acácio, homem apegado a convenções sociais; Dona Felicidade, que nutre uma ardente paixão por ele; e Sebastião, o melhor amigo de Jorge. Jorge parte para uma viagem de trabalho. Durante sua ausência, Luísa recebe a visita de um antigo namorado de juventude, seu primo Basílio, residente em Paris. Admirado com a beleza da moça, Basílio envolve Luísa em um jogo de sedução, que faz com que ela se imagine vivendo uma das aventuras amorosas de suas leituras românticas. Eles se tornam amantes, passando a trocar bilhetes e cartas de amor. Luísa encontra estímulo na amiga Leopoldina, mulher casada, colecionadora de casos extraconjugais. Toda a movimentação da casa é observada pela governanta Juliana, sempre às voltas com planos de enriquecimento rápido. Para escapar das desconfianças dos vizinhos, o casal de amantes passa a se encontrar em um quarto alugado nos subúrbios de Lisboa. A despeito da decrepitude decadente do lugar, chamam-no de Paraíso. Ali, vivem tórridas cenas de amor. Com o tempo, Luísa percebe um esfriamento na paixão de Basílio, que passa a lhe tratar com certo desprezo. Juliana se apodera de algumas cartas trocadas entre os amantes e passa a chantagear a patroa. Luísa expõe um plano de fuga a Basílio, mas este se recusa a segui-lo e retorna a Paris. Jorge chega da viagem e Luísa continua a sofrer o assédio de Juliana, que exige uma grande quantia em dinheiro para devolver-lhe as cartas. Para conter seus ímpetos, Luísa se vê obrigada a conceder à empregada uma série de privilégios: presenteia-lhe com seus vestidos, deixa seu quarto mais confortável e chega até mesmo a substituí-la em alguns serviços domésticos, sempre às escondidas do marido. Jorge se apercebe do que acredita ser desprezo de Juliana pelo trabalho e resolve demiti-la. Juliana exige o dinheiro da chantagem e Luísa apela então para Sebastião. Ele escuta toda a história do adultério e fica horrorizado, mas resolve ajudar a amiga. Vai até a casa de Jorge em um momento em que Juliana está só e, com ameaças de prisão, obtém as cartas. Vendo escapar-lhe o sonho de enriquecimento, Juliana tem uma síncope e morre. Sebastião entrega as cartas a Luísa. Luísa adoece. Jorge apanha, em meio à correspondência, uma carta de Basílio. Imaginando que a causa da doença da esposa seja algum problema familiar de cujo conhecimento ela o poupa, Jorge abre a carta. Nela, Basílio relembra os bons momentos passados no Paraíso. Quando a esposa melhora, Jorge lhe mostra a carta de Basílio. Luísa sofre um choque e, alguns dias depois, morre.
Audiobook details
GenreLiterary Classics, General Fiction
Length16 hrs 3 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateAug 13, 2017
LanguagePortuguese
Table of contents
1PRIMO BASÍLIO
213 DE AGOSTO DE 2017 EDITORA DO CARMO BRASÍLIA
3Eça de Queirós
4— Parece.
5Jorge ria:
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6— Mas não imaginas! Que calor! Venho morta.
7A face de Leopoldina tornou-se grave.
8Luísa debruçou-se sobre o corrimão:
9— Mente! Cale-se!
10CAPÍTULO III
11A voz de Juliana, plangente, disse:
12E ele, que tinha feito? Demorava-se?
13— E no Brasil?
14— Imaginei que não eras tão boa rapariga. Adeus. Amanhã, hem?
15— Como vossemecê quiser, Sra. Juliana.
16— Tira-mo, Sra. Joana, faz favor?
17— "Viva!" — pensou.
18O que ia, era refestelar-se para a cama!
19Luísa corou; apresentou-o a D. Felicidade.
20vendo D. Felicidade a olhar distraída:
21Suspirou, abanando-se. E com o seu sorriso bondoso:
22— Pronto, meu amo, pronto!
23E com um risinho:
24— Igual ao mar sombrio Meu coração profundo...
25licenças para visitar algum
26Quem tocou há bocado? — perguntou Luísa.
27Desceu. Voltou com o regador, muito enfastiada:
28— Pois, vou-me arrastando até casa.
29E um regalo estar à fresca!
30Ela corou. — Talvez. No domingo veria.
31— Fala baixo — acudiu Sebastião.
32Joana deu um salto estremunhada.
33Daí a pouco, de luvas pretas, muito amarela, saiu.
34Paula fitou-a com superioridade:
35E espreitava, levantando o estore.
36— Um só? — fez ela.
37Lisboa, em Buenos Aires, talvez... Não te agrada? Dize...
38Sebastião desceu, respirou largamente; e pensava:
39E saiu.
40Riram muito.
41A sala estava às escuras, com as janelas abertas; a rua esbatia-se
42Ao erguer-se, as pernas tremiam-lhe.
43passeavam em São Pedro de Alcântara.
44— Talvez! — respondeu secamente.
45calados. Havia um constrangimento.
46era simplesmente de um alarve.
47— aquela cadeira! Boa cadeira!
48— Vivo para ti, meu amor, acredita!
49— Até logo, vou ao médico.
50garrafa de champanhe, e, envolto em flanela, gelo.