Em "O Mandarim", Eça de Queirós constrói uma parábola moral com tintas fantásticas. A história gira em torno de Teodoro, um modesto funcionário lisboeta que se vê diante de um dilema: apertar um botão e matar, à distância, um rico mandarim chinês, herdando toda sua fortuna — ou permanecer pobre. Seduzido pela tentação, Teodoro comete o ato e mergulha numa vida de luxo, apenas para descobrir que a culpa e o vazio o perseguem. Com humor mordaz e crítica ao materialismo, Eça ironiza tanto a ganância quanto a moralidade burguesa. A obra flerta com o fantástico, mas mantém o tom filosófico e ético, convidando o leitor a refletir sobre os limites da ambição e da consciência.