
As Incríveis Aventuras Do Espetacular Homem Talvez
By Sandro BahienseLength2h 14m
About this audiobook
Audiobook details
GenreSpirituality and Religion, General Fiction
Length2 hrs 14 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
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Publish dateJul 26, 2017
LanguagePortuguese
Table of contents
1(Untitled)
17Surpreso com o convite, Francisco perguntou se havia acontecido anteriormente algo semelhante ao caso dele, e ela, apesar de nitidamente desejar o contrário, disse que sim, dizendo que no final da noite o calango voltaria a ser homem quando assim o desejava de coração. Everardo se reconfortou com a notícia em um primeiro momento.
2A metamorfose por Francisco Everardo
18A noite foi passando e todos dormiram. No outro dia ao acordar, porém, ela se assustou ao ver Francisco ainda como lagarto e perguntou:
3Francisco Everardo, era um morador do sertão pernambucano. Tinha quatorze filhos (sendo que desses nove ainda moravam com ele) e era viúvo há seis anos. Após mais um comum dia árduo de trabalho, Francisco deitou-se em sua rede como sempre fazia e dormiu.
19A rosa de Nina
4No outro dia, contudo, quando acordou Everardo teve uma grande surpresa: Ele não estava em sua rede, e sim atrás de uma pedra localizada mais ou menos a alguns metros de sua casa.
20Conversa
5Sentiu-se diferente. Seu corpo agora era verde. Além da nova tonalidade de pele ele tinha também calda, quatro patas, e um pequeno coração (que batia apressadamente com a descoberta que não era mais um homem). O fato era que Everaldo havia se transformado num calango!
21Crepúsco
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6Não entendendo como aquilo podia ter acontecido, Francisco, por fim, acreditou que aquilo era uma “visagem” de quem estava a muito tempo sem comer.
22Eu versus o improvável
7O fato era que sua barriga de calango roncava igual a sua barriga de homem. Estranhamente, porém, foi que ao avistar um inseto, destes típicos do Nordeste, ele foi acometido por uma vontade incontrolável de comê-lo. Instintivamente Everardo o fez, numa “linguada” só.
23Garçom aqui nesta mesa de bar...
8Se como humano o sertanejo não tinha o que comer, como lagarto, porém, havia até uma certa fartura. Com o inseto em sua barriga o nordestino sentiu um misto de satisfação e nojo. Seu lado calango mostrava-se satisfeito por ter enchido a barriga, mas seu lado homem, todavia, estava enojado, afinal, oras, acabara de ter comido um inseto. Tudo aquilo era extremamente esquisito para ele.
24Michael Douglas day
9Atônito, Francisco ainda tentava entender o que aconteceu, quando quase foi atropelado pelo seu filho mais velho, Cícero, que chegava de carroça. Logo Francisco pensou que seu primogênito perguntaria por ele, e que, como dariam sua falta, passariam a procurá-lo.
25O dono da bola
10Nada disso aconteceu, porém. Cícero foi até sua cisterna, pegou um resto de água barrenta que sobrara e foi embora, sem nem ao menos perguntar pelo pai.
26O homem que desafiou a morte
11O “ex” homem lamentou muito, mas ainda assim acreditou que uma hora dariam de sua falta. Num instante, porém, foi interrompido em seu pensamento, após sentir uma pedra que passara a centímetros de sua cabeça. Ela foi atirada por Nazinho, seu filho caçula. Nazinho gritava para os irmãos que pegaria o calango para comê-lo frito e começou a caçar seu próprio pai.
27O mau humor de Papai Noel
12Francisco corria e parava, olhando para ele como que querendo dizer quem era, que estava preso em um corpo de calango... mas o menino, afoito por ter algo de comer nem se atentava a nada, somente a sua caça. Vendo que não havia jeito, o nordestino correu e se escondeu em uma fresta de uma pedra despistando o garoto.
28(Untitled)
13Depois de tudo mais calmo Francisco voltou a casa e disfarçadamente observou seus filhos no andamento normal de suas vidas. E percebeu que, até o final do dia ninguém havia sentido sua falta.
29O monstro
14Vendo que não tinha importância ali, ele voltou decepcionado para as pedras onde ficara. Chegando lá, porém, o sertanejo deparou-se com outro calango, aliás, uma “calanga”. O nordestino olhou-a assustado, mas ela disse para que ele tivesse calma. Eles se comunicavam sem problema. A lagarto perguntou como ele veio parar ali. Já um pouco mais calmo, então, Everardo contou sua história: que na verdade era um homem, tinha filhos, era viúvo, mas que de repente percebeu-se preso a corpo de calango...
30Pais e filhos
15Ela o interrompeu para dizer que também era viúva, pois um dos meninos dali de perto havia matado seu marido para comê-lo. A lagarto estava acompanhada de outros três lagartinhos. Já mais a vontade, Francisco perguntou como era a vida dela, e ela respondeu que era boa, pois tinha comida à vontade (afinal insetos era o que não faltava por ali) e que, para sua espécie, havia água à vontade, pois gotas eram suficientes para eles.
31Sociedade dos nomes próprios
16Ela disse ainda que a convivência entre todos os calangos era boa e que tinha uma família feliz e unida. Só lamentou, porém, a ausência de um companheiro desde a morte de seu marido. E que a presença dele ali, por fim, acabara por ser reconfortante para todos, pois o número de machos era reduzido, arrematando, no final, com um convite para que ele ficasse.
32Uma história de amor